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11 de abril de 2011

191 - Fazer sementeiras reutilizando materiais

Até há cerca de um ano a minha única experiência com sementes era a germinação, que tinha feito durante alguns anos (hábito que por essa altura retomei).

Depois semeei algumas árvores. E correu bem (temos um plátano a crescer na nossa varanda!!!)

Portanto quando decidi ter ervas aromáticas, fiz o que alguém que não percebe nada do assunto mas que acha que sabe faz: "atirei" as sementes para a terra e esperei que nascessem (regando-as, claro...).

Agora, um bocadinho mais sábia, já sei que nem sempre é assim tão simples (por isso é que algumas plantas não nasceram)...

Aprendi que é preciso fazer sementeiras, que algumas sementes/rebentos devem ficar em estufa, ou dentro de casa, que às vezes é preciso transplantar, mondar, ...

Há blogues, cheios de óptimas dicas, como o da Sílvia, há grupos para troca de experiências (e colocação de dúvidas), incluindo no facebook. E estou só a referir alguns. Claro que há livros, e estão sempre a acontecer oficinas, principalmente nas cidades, para quem se quer iniciar nas maravilhas da agricultura de subsistência. E eu tenho, à distância de um telefonema, a minha mãe, que se dedica, há já alguns anos, à agricultura biológica (para consumo familiar).

Assim desta vez já não tinha desculpa para não fazer tudo direitinho.

Há, à venda, caixas e caixinhas próprias para serem usadas como sementeiras, mas uma "bio-hortelã" (do substantivo hortelão...) - ainda que de varanda - que se preze, reutiliza recipientes para este fim, claro.

Aqui deixo ficar as minhas pequenas sementeiras e outras, encontradas por esse mundo virtual (e mais haverá). Quase tudo é válido, só é preciso um bocadinho de imaginação!

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Usei caixas de ovos (depois desta utilização, podem ser colocadas na caixa de composto) e, como as sementeiras ficam no interior, usei as embalagens de esferovite (que apesar da minha resolução, ainda teimam em aparecer... às vezes) para proteger da humidade a madeira dos parapeitos das janelas.

Um truque que aprendi com a minha mãe (depois desta 1ª sementeira deste ano...): se não "tem mão" para semear - principalmente se as sementes são muito pequenas - misture-as com areia para que, ao despontarem, não fiquem tão juntas!



Se tiverem espaço podem usar caixas da fruta de madeira (na verdade cada vez mais difíceis de encontrar).


Podem reutilizar embalages de tetra brick...


... ou rolos de papel higiénico ou copinhos de papel de jornal (boas soluções para sementes maiores: uma em cada recicpiente), seguindo estas indicações...


...ou este esquema.


Usar garrafões de água para fazer mini estufas...



... ou embalagens de plástico para extra-mini estufas (cá por casa, "coisas" de plástico são raras!)





Até as embalagens finas de transportar fruta servem!



Esta é uma óptima ideia para a páscoa!


E, já agora, vejam (e assinem, se concordarem) a petição da campanha pelas sementes livres. Está a ser proposta, pela União Europeia, uma legislação para "restringir a livre reprodução e circulação de sementes". E podem participar nas jornadas, um pouco por todo o país, se quiserem saber mais sobre este assunto:

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18 de janeiro de 2011

188 - Fazer velas com óleo de cozinha usado


Desde que descobri os perigos das velas de parafina que me vejo grega para encontrar velas amigas do ambiente (e da nossa saúde... o que, obviamente está interligado - mas este é outro assunto...). Velas de cera de abelha (e não pode ser qualquer cera de abelha) ou de óleos vegetais (e não pode ser qualquer óleo vegetal) não abundam por aí!

Eu sei (e já o disse por aqui): as velas são um anacronismo... mas um belo anacronismo, quanto a mim. Ainda nenhuma lâmpada conseguiu recriar a luminosidade, a atmosfera, da chama tremeluzente de uma vela.

Também desde essa altura fiquei à espera (bem atenta) de uma invenção portuguesa em evolução: uma máquina para transformar óleo de cozinha usado em... velas!

E ela chegou... e em Maio do ano passado fui uma das felizardas que ganhou a hipótese de ser cobaia na utilização da oon candlemaker. E, claro, apaixonei-me. Porquê? É linda, não gasta quase energia nenhuma, cerca de 80% do material usado na sua construção é plástico reciclado, não é testada em animais e faz óptimas (e duradouras) velas reutilizando o óleo das nossas cozinhas. E fá-lo de uma maneira verdadeiramente simples!


Depois de um mês de testes, testemunhos e de uma bela quantidade de velas, estava pronta para o próximo passo: escrever a minha carta ao pai natal. Sim, nunca na minha vida fiz o meu pedido ao senhor das barbas brancas tão cedo... E já não me lembrava de desejar tanto o dia 24 de dezembro (e eu adoro o natal, sempre)!

E como até me portei bem...

... estreei a minha oon candlemaker fazendo uma bela vela laranja (a da imagem já é outra), reciclando - também - um frasco de vidro!


Na verdade, quase não usamos óleo cá em casa, por isso tenho-o recolhido pelas cozinhas da família e amigos, contangiando-os a tal ponto que vou ter que começar a vender ou óleo ou velas...

E agora posso acender a minhas velas sem problemas de consciência (entre outros)!

A Raquel, mais conhecida como Topas, enviou-me um vídeo que ensina a fazer velas caseiras com óleo de soja e que, aparentemente, pode ser adaptado, utilizando-se óleo usado. Não tão rápido e prático como com a oon candlemaker, mas se calhar fica um bocadinho mais em conta... ou não!

(Se és meu amigo e estás a ler este post, ficas já a saber que provavelmente vais receber uma vela no teu próximo aniversário! Oh, estraguei a surpresa...)

26 de outubro de 2010

177 - Comprar uma esfregona "verde"


A nossa esfregona morreu...

Uma esfregona é de difícil reciclagem, presumo. Tem plástico, metal forrado a plástico, fibras não sei do quê...

Sempre imbuídos do espírito ecológico, continuámos a utilizar a pobre coitada, mesmo quando começou a ficar mais "rala" e nos fazia demorar mais tempo nas limpezas. Até que a própria, desgostosa do seu aspecto e ineficiência se suicidou às mãos do Zé Manel, partindo-se mesmo pela base do cabo (já enferrujado...).

Por via das dúvidas (e porque já me disseram, na Lipor, que, quando não sabemos o que fazer, mais vale colocar num dos ecopontos do que no contentor do lixo) colocamo-la no ecoponto amarelo.

E lá fui eu ao supermercado em busca de uma esfregona amiga do ambiente, para fazer parelha com a nossa vassoura.

Eu já sabia que havia uma marca de produtos e acessórios de limpeza com uma linha ecológica, graças à Cláudia Madeira (que acompanha o blog através do facebook quase desde o início), mas tinha que inspeccionar, verificar e comparar, que eu agora não me fico por menos!

Acabei mesmo por trazer, do Continente, a esfregona Naturals, da Vileda, 7,49€ - completa (se quiserem só a esfregona, porque têm um cabo para aproveitar, custa 3,99€).

Ao contrário de quase todas as outras - que são de fibras plásticas - é de viscose feita de celulose (65%), PLA feita com milho (30%) e fibras de linho (5%). Também havia uma de algodão que me fez ficar na dúvida: o algodão é natural, mas também sei que o seu cultivo, não sendo biológico, não é nada amigo do ambiente. Por outro lado a celulose é vegetal, e pode ser obtida de árvores, mas também de herbáceas e gramíneas... Devia dizer mais detalhadamente a origem da celulose, não? Depois, ainda tentei encontrar mais informação no site, mas não fui feliz. Se quiser saber mais vou ter que enviar um e-mail.

Parece que as partes plásticas são recicladas (não o diz especificamente) e o cabo é de aço reciclado e não tem aquela película plástica que os outras costumam ter, mas por outro lado é pintado (com que tintas?). Seria melhor um cabo de madeira? Não tinha nenhuma assim, mas podia sempre comprar apenas a esfregona, propriamente dita e comprar um cabo numa drogaria...

Estão a ver o que é, para mim, ir às compras? Devo ter estado uns bons vinte minutos no corredor das esfregonas!

Ah! E ao contrário de muitas outras (que estão "ao ar"), vinha embalada num saquinho de plástico, quanto a mim perfeitamente dispensável, e nada ecológico!

Assim, ainda que não 100% satisfeita (porque se calhar a de algodão com cabo de madeira até era melhor?...), acho que, apesar de tudo, comprei uma esfregona mais "verde" (e, claro, até é mesmo verde...) do que a anterior (que seja reciclada em paz!). E limpa muito bem, sem dúvida, e até tem a base ovalada (e não redonda) para chegar aos cantinhos...

(este ar feliz é mesmo para a fotografia...)

Ecológico, ecológico mesmo, seria fazer como antes da invenção da esfregona, há 52 anos: de trapo e escova na mão e de joelhos no chão. Mas não seria nada saudável nem para as minhas costas, nem para os meus joelhos, e confesso que não sou altruísta o suficiente para o fazer...

19 de setembro de 2010

170 - Afugentar os insectos com produtos amigos do ambiente


Como é obvio todos os insecticidas convencionais são poluentes, de um modo ou de outro. Basta ver que matam, quase imediatamente, os insectos...

Ora, eu não tenho nada contra as formigas, têm a sua função (e até me habituei a vê-las - tão queridas - nos desenhos animados...) mas não fiquei muito satisfeita quando resolveram vir explorar a nossa cozinha.


Na verdade até já tinha estranhado - em cerca de dois anos aqui - ainda não ter visto nenhuma (o apartamento é num rés-do-chão. Elevado, por isso não é mesmo rés ao chão... mas é suficientemente perto dos jardins e "prados" que envolvem o nosso prédio)!

Mas este ano têm aparecido mais insectos (mosquitos, aranhas, moscas,...), provavelmente porque temos plantas dentro de casa e uma verdadeira mata na varanda (em breve falarei dela...)!

Então, lá fui eu procurar uma solução amiga do ambiente e das formigas (está bem afugenta-as, mas não as mata!).

Também encontrei "receitas" caseiras que as matam, mas essas não têm lugar aqui!

Para se livrar das FORMIGAS

Colocar nos locais por onde passam e aparecem (em qualquer dos casos, trocar a cada duas semanas, para que o cheiro não se dissipe):
- cravos da índia;
- borra de café;
- sal;
- farinha de trigo (branca);
- cinza;
- ramos de menta ou gotas de óleo essencial de menta numa bola de algodão;
- bolas de cânfora:
- um limão cortado num pires. Variante: um limão bolorento (???) cortado em pedaços pequenos...:
- algumas gotas de um ou mais óleos essenciais de hortelã-pimenta, hortelã e citronela, vertidas numa bola de algodão.

Estas receitas devem ser para as mais resistentes:
- punhados de cravo-da-índia, folhas de louro e cascas de limão ou de tangerina - possuem óleos essenciais repelentes;
- Hortelã seca, pimenta-de-caiena e bórax:
----- 7,5 g de folhas secas de hortelã,
----- 35 g de pimenta-de-caiena em pó,
----- 30 g de bórax.

Pelos visto também ajuda lavar com água e vinagre (não sei a proporção) todos os sítios e objectos onde as formigas aparecem.

Fiquei surpreendida: com tantas coisas (baratas e fáceis de arranjar) que as formigas não gostam, para quê insecticidas?!

O que eu experimentei?
- A borra de café: espalhei ao longo do percurso desde a porta da varanda da cozinha até ao armário onde está o balde do lixo. E não a vale a pena dizerem-me para o despejar mais vezes, porque até pode estar lá dentro só uma casquinha de melão que elas vêm aos batalhões! No espaço de umas horinhas desapareceram quase todas! Como não me apetecia ter borra de café espalhada pelo chão mais tempo, peguei num limão já mirradito, cortei em 8 e coloquei os pedaços em pontos estratégicos (e espremi o sumo de alguns nas bordas do balde). Passada a noite andava uma formiga (provavelmente sem olfacto) perdida... como prevenção coloquei alguns cravos-da-índia na beira exterior da porta.

As moscas e mosquitos não são tanto um problema, porque temos uma gata caçadora de insectos, a Yari, mas há dias em que entram mais do que a conta dela e dias em que ela está de folga, por isso acho que vou experimentar fazer um belo ramo de louro, eucalipto e alecrim! Manjericão já tenho na varanda.


Como afugentar Moscas e Mosquitos

- embeber chumaços de algodão num pouco de lavanda e espalhe pela casa;
- citronela: o melhor para os ambientes é usar o óleo essencial aquecido num difusor. Se preferir cultive a citronela, pois é de fácil multiplicação e não requer grandes cuidados;
- espalhar pela casa tigelas com cascas frescas de limão e laranja misturadas com cravos secos;
- colocar, em jarras ou vasos, as seguintes ervas em molhos: sabugueiro, alfazema, hortelã, hortelã-pimenta, artemísia, poejo, arruda e abrotano (será que têm que ser mesmo todas? Não!!!);
- pendurar pedaços de raiz pegajosa de enula-campana nas portas, janelas, etc;
- espalhar pela casa (ou maceradas numa taça com água) folhas de louro, eucalipto, manjericão, alecrim.

E se o Gorgulho aparecer (nunca o vi!)... é só colocar folhas de louro nos recipientes de farinha, arroz, legumes secos, ...

Outra hipótese é a prevenção. Há uma série de plantas que são desagradáveis para os insectos que nos incomodam mas bem agradáveis para nós! Plantá-las em vasos nas janelas e varandas pode servir como barreira:

- a alfazema, a hortelã-pimenta e a tanásia ajudam a afastar as formigas;
- abrotanos, alecrim, aspérula-odorifera, calamo-aromático, cavalinha, cidreira, tanaceto, funcho, hortelã-pimenta, lupulo, macela, manjericão, manjerona, margaridas, pinheiro, poejo, rosas, salva, tomilho, arruda, violetas e erva-ulmeiro afastam pulgas, traças e outros insectos.

A questão aqui é ter espaço para mais uns vasos...

A receitas que aqui apresento foram retiradas dos meus livrinhos de conselhos ecológicos (de que já falei) e de alguns sites (este, este e este).

11 de julho de 2010

162 - Fazer um vermicompostor


Tal como "prometi" quando aprendi a fazer compostagem, já somos mais cá em casa. Além de nós e das nossas três gatas, temos agora uma família de minhocas ao nosso cuidado!

Quando participei na oficina de compostagem percebi que não a poderia fazer no nosso apartamento (o compostor tem que ficar pousado na terra) e como me ficaram a incomodar os 40% (nós, provavelmente mais) de resíduos orgânicos no lixo que cada um de nós produz por dia, mal surgiu a oportunidade fomos participar numa oficina sobre vermicompostagem, organizada pelo núcleo de Braga da Quercus.

A finalidade da oficina era ensinar a técnica da vermicompostagem, fornecer as minhocas aos participantes, mas também reaproveitar caixas de esferovite como vermicompostores. Como caixas de esferovite são incompatíveis com gatas, nós optamos por fazer o nosso compostor com caixas opacas de plástico. Sim eu sei que o plástico não é muito ecológico, e que também se podem fazer em madeira, mas não deve ser por acaso que todos os vermicompostores que tenho visto são em plástico!

O vermicompostor

Há imensos sites e blogs que nos ensinam a construir a moradia para as nossas minhocas. Nós, baseados também no que aprendemos na oficina, inspiramo-nos neste esquema de minhocasa (ninguém como os brasileiros para simplificar os nomes das coisas) e neste passo-a-passo, e edificamos, para já, o primeiro andar do nosso vermicompostor. Se correr bem, acrescentaremos os dois andares que completam o palácio (quem preferir pode ficar apenas pelo rés-do-chão, quem for mais ambicioso pode fazer ainda mais andares).



Assim comprámos uma caixa Slugis (do Ikea) com 54cm x 35cm e 16cm de altura. Porquê? Porque não acho nada bonitas as caixas semelhantes às que aparecem no esquema...

Se não for grande o suficiente, posso depois comprar uma mais alta, da mesma linha e esta primeira fica como tabuleiro de repouso de composto já pronto ou para recolher o excesso de líquido (chorume). Mas ATENÇÃO, não vale a pena comprar caixas muito altas, as minhocas só sobem até uns 20/25 cm de altura! Se for preciso mais espaço, joguem com a largura ou o comprimento.

Depois fazem-se buracos na tampa e na laterais da caixa (para arejamento) e no fundo (para escoamento de eventual excesso de humidade). Como a nossa caixa vai ficar na varanda não colocámos nada por baixo, para já, mas se a colocarem numa divisão interior convém pôr um tabuleiro por baixo para recolher o chorume. NÃO faça como eu (esperta...), que, para não ter ir buscar o berbequim (...) comecei a fazer os buracos como vi a formadora fazer nas caixas de esferovite (usando um ferrinho aquecido numa vela...): derreter plástico liberta vapores TÓXICOS!!! Os buracos devem ser pequenos para as minhocas não sairem da caixa. E acreditem que elas saem por "buraquinhos bem pequenininhos": já andei a salvar minhocas pelo chão da varanda (nalguns casos cheguei tarde demais...). Muitos não são demais - aprendi eu com a prática - porque a caixa deve ser bem arejada. Li algures que podemos colocar no fundo da caixa (e forrar as paredes também) com rede plástica bem apertada, de maneira a sairem líquidos mas não as minhocas. Parece-me uma óptima ideia, a experimentar na altura da remodelação da moradia... E pronto, a casinha está pronta!

As habitantes

As nossas minhocas dão pelo bonito nome de eisenia fetida, mas são mais conhecidas como minhocas vermelhas, e parece que são campeãs a processar uma grande variedade de materiais, daí serem as mais usadas na vermicompostagem.

Gostam de trabalhar entre os 15º e os 25º. Temperaturas mais baixas ou mais altas diminuem a sua produtividade e podem mesmo matá-las. Por isso, às vezes - dependendo da temperatura do sítio onde estão - pode ser necessário retirar a tampa, para refrescar (o calor é a situação mais comum por cá). Quando estão com calor saem da mistura e sobem para as paredes laterais e tampa. Se o PH não for do seu agrado (entre 5 a 9) também tentam fugir, daí não ser aconselhável colocar critinos na caixa. Gostam de humidade, lugares bem arejados e fogem da luz mais rápido do que um vampiro... Parecem umas bichinhas complicadas mas não são, a sério!

Iniciar o processo

- Fazemos primeiro a cama das bonecas - desculpem! - minhocas: cortamos tiras de jornal com cerca de 2cm de largura, evitando as folhas coloridas por causa dos químicos pesados. Se pegarmos em várias folhas de jornal e as rasgarmos no sentido do comprimento (rodando-as 180º em relação à posição normal de leitura...) a tarefa é rápida e simples. Amarrotamos várias tiras numa bola, humedecêmo-las com um borrifador - ou mergulhando-as rapidamente num recipiente com água (não devem ficar excessivamente molhadas) e forramos o fundo da caixa com as tiras humedecidas e de novo separadas;


- adicionamos um punhado de terra, para acrescentar microorganismos;

- juntamos as minhocas. Segundo o que aprendi na formação, por cada quilo de resíduos adicionado por semana, são necessários 300g de minhocas. Como é óbvio, não dá para andar a pesar as minhocas, por isso vamos estando atentos para ver se as minhocas vão dando "vazão" aos resíduos, ou se temos que não colocar tantos restos e esperar que a família cresça;


- colocamos os primeiros restos de comida (li algures que devemos aguardar 2 semanas antes de alimentar as minhocas, para elas se habituarem à casa nova. Eu não o fiz e deram-se bem);

- cobrimos tudo com mais tiras de jornal humedecidas (cama).


Manutenção

- Devemos ir revolvendo a mistura - com cuidado para não trucidar nenhuma minhoca - com um ancinho pequeno. Não precisa de ser todos os dias, o ideal é ir olhando e mexer quando acharmos necessário misturar restos menos degradados que estejam por cima e a mistela por baixo. Afastar a cama, revolver e no fim voltar a cobrir bem a mistura;

- se a mistura estiver seca, borrifar com água ou juntar cama humedecida e, se necessário, colocar a caixa num sítio mais húmido. Se estiver molhada, evitar juntar alimentos muito ricos em água, adicionar cama seca (as tiras de jornal sem as humedecer, folhas secas, palha, ...) e se for o caso, mudar a caixa para um local menos húmido;

- colocar alimento (parece que as minhocas sobrevivem 3 meses sem comer...), afastando a cama e voltando a tapar tudo no fim;

- e sempre que a cama desaparecer (por cima e/ou por baixo), fazer uma nova! É esta cama que previne o aparecimento de mosquitos. Se mesmo com a cama aparecerem mosquitos pode usar-se folhas de couve galega a cobrir a mistura, ou colocar uma pequena taça com vinagre junto à caixa;

- o que nos leva ao que NÃO devemos colocar no vermicompostor: citrinos (torna o composto muito ácido), restos de alimentos cozinhados, de origem animal e gorduras (atraem moscas e têm um cheiro desagradável), sementes (adoram o ambiente cheio de nutrientes e germinam - brancas porque não têm luz. Ao germinar começam a absorver nutrientes do vermicomposto).

Quando estiver pronto

Normalmente, ao fim de 2 meses já há composto pronto. Nota-se bem porque parece... terra! Como o retirar?

- Se já tiverem o arranha-céus com as três caixas, trocam a caixa do meio - onde estavam a fazer o 1º composto e trocam-na com a de cima (que passa a ser a do meio), e nesta voltam a fazer o "Iniciar o processo". Provavalmente as minhocas migram da caixa de cima para a do meio (através dos buracos), porque já não lhes damos alimento na outra... Façam-no ou não, ao fim de duas semanas, à luz do dia, retiramos o conteúdo da caixa de cima e espalhamo-lo numa superfície lisa (pode ser a tampa), deixando um monte num canto. Como não gostam da luz as minhocas vão fugir para o monte. Vamos retirando composto da zona onde está espalhado (já sem minhocas) e vamos espalhando mais, reduzindo o monte. Repetimos a operação até o monte ser (quase) só minhocas, que colocamos na caixa com a nova mistura. Se ao fazermos esta operação encontrarmos uma espécie de bagos de arroz, devolvemo-las à caixa, porque são ovos de minhocas! O composto pronto pode (e deve) ficar a repousar na caixa de cima porque as minhocas já não voltam para lá (estão todas contentes a comer na casa nova). Depois de alguns dias pode usar-se o composto para fertilizar.

- Se só houver uma caixa (como no nosso caso, para já), fazemos o mesmo processo, mas puxando todo o composto para metade da caixa e fazendo o "iniciar o processo" na outra metade. De resto é tudo igual!

Fertilizante: chorume (ou xorume) - chá de vermicomposto

O tal líquido que sai por debaixo da caixa é o chorume (ou xorume), o "resultado do processo de putrefação (apodrecimento) de matérias orgânicas" e, neste caso, altamente nutritivo. Se o quiserem aproveitar devem colocar o tal tabuleiro ou caixa por baixo (sem buracos, claro), mesmo que fique numa varanda, para o recolher. A nossa mistura não largou quase líquido nenhum, por isso ainda não testei a eficiência do chorume. Não pode ser usado puro porque é muito forte, mas sim diluído na proporção de uma parte de chorume para dez de água. Usa-se como fertilizante.

Também podemos fazer chá de vermicomposto. Retira-se um bocado da mistura (sem minhocas...), coloca-se num pano fino, juntam-se as pontas e ata-se (a isto chama-se uma "boneca"). Mergulha-se num regador - ou balde - com água e deixa-se de molho durante nove dias. Após este tempo usa-se a água para regar as plantas. Tal como o chorume, é um fertilizante. O vermicomposto que fica no pano devolve-se à caixa.

E assim começou uma novo ritual nas nossas vidas!

Claro que quem não for adepto das manualidades pode comprar um vermicompostor. Mas não é a mesma coisa...

6 de julho de 2010

157 - Usar nozes de saponária para lavar a roupa (e não só...)


Quase desde o início deste desafio que cá em casa só entra detergente e amaciador de roupa ecológico. Também já não há lixívias, nem tira-nódoas: fui buscar as receitas antigas para resolver estas questões.

Andava a estudar a hipótese de substituir o detergente, ainda que ecológico, por outra solução ainda mais "amiga do ambiente" (nunca é demais...): ou a ecobola (há várias nuances no nome, dependendo da marca) ou as nozes de saponária.

Como a maior parte das pessoas que usa uma ecobola - segundo as próprias - continua a usar detergente (ainda que ecológico) e a Proteste testou duas delas e deu um parecer não muito positivo, resolvi experimentar as nozes de saponária ou nozes de sabão.


Estas nozes provêm de uma árvore, a saponária (sapindus mukorossi), cultivada, principalmente, na Índia e no Nepal. A casca das nozes contém uma substância denominada “saponina”, cuja acção é semelhante à do sabão quando entra em contacto com água. Segundo o folheto que vinha com as minhas nozes (da Eco meios) a indústria dos detergentes também extrai a saponina destas nozes, mas depois junta-lhe uma quantidade extra de químicos, aparentemente desnecessários.

A minha 1ª experiência foi com as nozes, propriamente ditas. Coloquei 20g delas no saquinho de algodão que veio com as nozes (também serve uma meia) e coloquei-o dentro do tambor da máquina. Como, neste momento, lavo a roupa na temperatura mínima, é aconselhável, também segundo o Eco Meios, interromper a lavagem quase logo no início (mal a roupa fique ensopada) umas duas horas, porque na água fria as nozes demoram mais tempo a libertar a saponina. Assim, ficam de molho. Confesso que para mim, não é muito prático porque tenho tarifa bi-horária e só ligo a máquina depois das 22h... Mas como tudo, é uma questão de hábito e coordenação!

E que tal? Resulta! A roupa sai limpa (claro que, tal como com os detergentes, as nódoas difíceis têm que ser tiradas antes), a cheirar a... a... a nada! É mesmo isso, não cheira a nada, porque o "cheirinho" dos detergentes é completamente artificial (ainda assim, para quem gostar de roupa perfumada pode colocar umas gotas de um óleo essencial no saquinho ou na meia). Como sei que a roupa ficou mesmo lavada? O Zé Manel é daquelas pessoas que quando sua, sua a sério, a pingar e tudo. Tendo em conta que é professor de educação física/ginástica e instrutor de karate, imaginem como fica a roupa dele... E nenhum desses cheiros de "pessoa bem activa" ficou na roupa lavada...

As mesmas nozes podem ser usadas em quatro lavagens. Depois podem ser usadas como adubo ou colocadas no composto. Também se pode usar, do mesmo modo, para lavar a louça na máquina (não experimentei, porque ainda não tenho).

A minha 2ª experiência (há que testar tudo) foi com a água de "lavar as nozes". Coloquei um litro de água numa panela (com mais capacidade, porque ao ferver, claro, faz espuma) e quando começou a ferver, coloquei 50g de nozes. Deixei ferver durante 10 minutos (segundo indicações do folheto), coei (as nozes ainda dão para usar umas três vezes na máquina) e usei mais ou menos 200ml deste líquido numa outra lavagem de roupa à máquina. A ideia era não precisar das tais 2 horas de molho, mas não fiquei satisfeita com o resultado. A roupa não ficou "tanto" a cheirar a... nada!

Depois, ao pesquisar pela internet, li, em mais do que num sítio, a indicação para deixar as nozes ferver durante apenas 2 minutos, mas ainda não experimentei (para ver ser o problema foi ferverem demais)...

No entanto juntei o que sobrou do líquido - porque deve ser usado no espaço de 15 dias - ao meu champô (as nozes são recomendadas para quem tem couro cabeludo sensível e/ou caspa), ao sabonete líquido e ao detergente (manual) da louça e não diminuiu em nada a eficácia destes produtos (e assim rendem mais!).

É, pelos vistos, um verdadeiro multiusos (também é champô para animais, detergente lava-tudo - devido às propriedades bactericidas e fungicidas da saponina, limpa-vidros, detergente para o automóvel, limpa jóias, ...), até dá para repelir insectos das plantas! Mas eu ainda não experimentei este líquido no seu estado puro (que também se pode perfumar, juntando à fervura uma ou duas plantas aromáticas: salva, alecrim, hortelã, ...). Vai ter que ficar para a próxima embalagem porque esta já está quase a acabar (como foi para "testar" era uma das pequenas)! Também hei-de experimentar pulverizar as nozes na Bimby (a seco, porque depois de fervidas não resulta...)

Ainda não as encontrei à venda, a não ser na internet. Na Eco meios, um saco com 500g de nozes de saponária custa 10€, na Efeito Verde (assim como no Centro Vegetariano), um saco com 1Kg custa 14,30€. Não sei o porquê da diferença nos preços, mas o folheto que vinha com as nozes da Eco meios diz que são de produção biológica (apesar de não ter visto nenhum símbolo de certificação). Mas tanto num caso como noutro (mesmo com os portes), em termos económicos, compensa. Basta fazer as contas, tendo em conta que 20g de nozes dão para 4 máquinas de roupa...

E em termos ecológicos? Há menos embalagem (apesar de, como vêm pelo correio há sempre a embalagem da encomenda...), não há "fabricação" (as nozes são apenas apanhadas das árvores). Por outro lado vêm da Índia (ou do Nepal), com tudo o que implica o transporte desde esses países (os detergentes ecológicos da Ecover ou da L'arbre Vert vêm de França).

O que acham? As nozes ou o detergente ecológico?


Entretanto no cantinho da aromáticas, encontrei saponárias e trouxe uma para casa já a programar ter a minha produção de nozes de sabão... Mas as nozes de saponária vêm da Sapindus mukorossi, e a minha plantinha é uma Saponaria officinalis!!! O nome comum parece ser o mesmo, mas são plantas distintas. Mas como a minha também tem "propriedades saponárias", vou esperar que cresça para experimentar...

4 de julho de 2010

155 - Arranjar uma lanterna que funcione sem pilhas


Eu já tive uma lanterna de dar à manivela (igualzinha a esta!), mas com mudanças, coisas arrumadas em caixas num sítio, outras noutro, não sei onde pára. O mais correcto é dizer que eu tenho uma lanterna de dar à manivela, mas não sei dela...

E como neste momento estou a precisar de uma lanterna (com uma certa urgência) vou ter que arranjar outra. E claro, tem que ser amiga do ambiente!

O Zé Manel ainda tem a dele, um pouco diferente. Em vez de se dar à manivela, tem que se pressionar (com alguma rapidez) uma espécie de alavanca:


Há à venda em vários sítios, incluindo, claro, na internet (aqui, aqui, por exemplo).

Apercebi-me, ao procurar a minha nova lanterna, que as lanternas ecológicas (de bolso ou não) devem estar na moda (e ainda bem!), porque não falta oferta!

Há as "mistas" para os que tiverem medo que o "método ecológico" não funcione... como esta, que tem que ser abanada durante 30 segundos, para dar 5 minutos de luz, mas que também pode funcionar a pilhas.

Há as solares, que também são mistas (pelo menos as que encontrei: esta, esta, esta, esta e esta, por exemplo) porque necessitam de pilhas.

Mas como quero uma que seja o mais possível ecológica vou voltar às de manivela.

Na Decathlon tem-nas de vários tamanhos e feitios. Até tem uma boa para quem faz campismo, ou para quem costuma ficar muitas vezes sem electricidade em casa, que serve como candeeiro (em vez de um petromax, por exemplo).
Comprei, por 10€, uma lanterna de bolso (verde) que por cada minuto de "manivela" me dá 6 de iluminação "em modo forte". Para mim, serve perfeitamente. E o preço nem é desculpa, há umas que custam 4€!


Para as crianças (ou os fãs da Lego, como eu), esta marca tem uma lanterna de manivela com a forma de um dos seus bonecos!
Também uma óptima prenda para os mais pequenos é esta caixa que permite construir a nossa própria lanterna!

E apaixonei-me por esta lanterna (verdadeiramente solar) que ainda permite reutilizar garrafas:



Só é pena não ser de bolso...

31 de março de 2010

151 - Plantar ervas aromáticas na minha varanda



Quando para cá viemos morar - por acharmos que não eram compatíveis com as gatas - retirámos as poucas plantas que existiam, de dentro de casa para a varanda - coitadas! - mas... habituaram-se e agora é vê-las! Depois, em Janeiro, voltamos a colocar plantas dentro de casa (não as que estavam na varanda, porque estavam muito bem), e, bem recentemente, comecei a ter o cuidado de escolher plantas com necessidade de "pouca rega" e, de preferência, nativas.

Entretanto, na nossa pequena varanda, semeei árvores, plantei uma árvore (!)... e agora: ervas aromáticas (semeadas e plantadas)! Sim, ainda tenho (algum) espaço...

Comprei as minhas sementes na Gamm Vert (só porque passo por lá quase todos os dias...). Diante dos expositores (têm uma grande variedade) a minha dúvida era: "compro sementes biológicas francesas ou não biológicas portuguesas... local ou biológico? Local... Assim comprei carteirinhas de salva, orégãos e morangos (eu sei que não é uma erva aromática...), vindos de perto (Trancoso) e - não resisti - comprei uma de manjericão biológico francês. As primeiras custaram 1,15€, a segunda 1,71€. Três pontos a favor da carteirinha francesa: é mais pequena, não tem outra carteirinha dentro e tem mais sementes!


Quando semeei aquelas poucas sementes nos meus vasos cheios de terra biológica não certificada (trazida do quintal da minha mãe) tive um momento de conexão (que bonito...) com aquelas bolinhas aparentemente tão insignificantes (o cuidado que eu tive para não perder nenhuma...), e senti o que provavelmente sentem, há milénios, os que cultivam a terra. Querem saber o que é? Experimentem...

Aqui tem algumas indicações sobre semear, cuidar e colher algumas ervas aromáticas. E neste vídeo, o responsável pelo cantinho das aromáticas também dá algumas dicas.

Como podem ver na imagem, reutilizei (além de vasos abandonados pelas arrecadações da minha mãe) uma frigideira e uma forma de bolo francês em teflon. A caixa é para dissuadir as nossas gatas de meterem o focinho onde não devem. Para já está a resultar, só tive que soltar meia dúzia de "Aaaaah!!!"...


Do lado esquerdo aparece, já bem crescido, aipo (oferecido pela mãe do Zé Manel) e do lado direito, oferecido pela minha mãe (depois de eu ter comprado as sementes...), orégãos e manjericão. Também vou receber salsa e coentros. E também vou querer cebolinho, e rúcula, e ...

Eu gosto de usar as ervas frescas, mas podem ser secas (os orégãos ficam melhor assim), congeladas ou conservadas em azeite. Quem sabe um dia, quando tiver tantas ervas que não lhes dê "vazão", me dedica a conservá-las!

E, já agora, deixo aqui um pequeno resumo (tirei alguma informação daqui, daqui e de alguns apontamentos que tinha) do uso de algumas (são imensas!) ervas aromáticas na cozinha. Neste site também tem informação nutricional de algumas ervas e especiarias.

Aipo ou Salsão Todas as suas partes podem ser utilizadas na cozinha. As folhas são óptimas para dar um sabor especial a sopas e molhos, os talos podem ser servidos crus, em saladas, ou cozidos junto com outros legumes, acompanhando pratos à base de carne. Servido como entrada, o aipo é um excelente alimento porque contém substâncias que estimulam a formação dos sucos gástricos, aumentando o apetite. Digestivo, indicado para flatulência (gases), diurético.
Alecrim Possui um sabor forte, pelo que convém usá-lo com algum cuidado e finamente picado. Utiliza-se geralmente seco. É empregue com borrego, no tempero de coelho manso e marinada de caça. Os pés inteiros fazem uma boa base para grelhar carne ou criação. Experimente-o em infusão em pratos doces, como cremes, molhos doces, xaropes e gelado de baunilha. Digestivo, antioxidante, estimulante, activador da circulação sanguínea, antidepressivo e anti-séptico.
Azedas são invasoras em Portugal! Erva amarga com sabor a limão, popular em França, que é adicionada às sopas no final da cozedura. As folhas das azedas dissolvem-se rapidamente e perdem a sua cor verde-clara quando aquecidas; muitas vezes usam-se os espinafres com azedas, nas sopas, para dar mais cor. É comum adicionar algumas folhas cruas às saladas.
Basílico (manjericão) É uma das ervas mais versáteis que se pode cultivar em casa. As folhas verdes têm um aroma tentador e estonteante e um sabor pungente. Se cozinhar com ela adicione-a no final, para que conserve o sabor. O manjericão é muito usado nas cozinhas italiana e francesa, para dar sabor ao tomate, com o qual tem uma extraordinária afinidade, e é também misturado em saladas e em diversos molhos -sendo o mais popular o pesto italiano. Só para fazer o pesto é que as folhas de manjericão devem ser cortadas, porque perdem a cor; nos outros casos, rasgue-as com os dedos, em pequenos pedaços. Combina muito bem com tomate, berinjela, abóbora, frango e vitela. Digestivo, sedativo, tónico, baixa a febre; auxilia no tratamento de infecções bacterianas e parasitas intestinais.
Cebolinho Os caules, de cor verde-viva, desta erva possuem um gosto a cebola, sendo utilizados em saladas e sopas de tomate, recheio de batatas assadas e pratos de ovos. As folhas frescas são utilizadas para aromatizar molhos e queijos frescos. Cortado em pequenas rodelas o cebolinho realça as saladas, os ovos e as omeletes, o queijo branco e os molhos. O cebolinho também é óptimo para decoração de pratos. Antioxidante e digestivo.
Cerefólio É uma bonita planta de folhas plumosas, com o aroma delicado das sementes de anis. Utilize-as rapidamente, pois uma vez colhidas as folhas murcham logo. O cerefólio é muito usado na cozinha francesa, para dar gosto às omeletas e pratos de peixe, mas também pode ser usado em saladas, sopas e molhos.
Coentros As folhas, as raízes, os caules e as sementes desta erva, fortemente aromática, têm gostos levemente diferentes. As folhas servem para aromatizar sopas, guisados de favas ou ervilhas e saladas de alface. Os caules e as raízes podem ser cozinhados nos estufados e sopas, mas devem ser retirados antes de servir. Possui um perfume incomparável, refrescante e de sabor marcante. Combina muito bem com peixe, frutos do mar, frango e legumes. As suas sementes são usadas para temperar marinadas. Antioxidante, digestivo, moderador de apetite, auxilia no tratamento da ansiedade.
Eruca ou rúcula Chamada arugula em Itália, onde é muito popular, é uma erva para salada, utilizada com as folhas novas inteiras. Tem um sabor forte mas delicioso, semelhante ao do agrião, que é muito realçado por um bom molho de vinagrete. Muito boa com a massa cozida, com manteiga e alho esmagado.
Erva-cidreira ou Melissa Com sabor semelhante ao do limão, utilizam-se as folhas inteiras em ponches, bebidas de frutas, chás, em sopas e saladas.
Erva-Doce ou Anis Muito utilizada na doçaria regional, esta erva é indispensável nas castanhas cozidas. A base da haste é usada como legume. As folhas de erva doce combinam muito bem com peixes grelhados ou cozidos em papelote. Este tempero fica delicioso servido com grande variedade de carnes como frango, vitela e outras. O seu aroma doce, como o anis, tempera muito bem saladas, molhos e o creme fresco. Cultivado desde os tempos dos faraós, o anis é actualmente muito popular em bebidas mediterrânicas como o ouzo. Combate tontura, náuseas, infecções intestinais e estomacais.
Estragão Uma erva com bonitas folhas finas, com um sabor forte mas subtil. Se a cultivar, assegure-se de que se trata da variante francesa, pois a russa cresce prolificamente mas não tem o mesmo sabor. O estragão é famoso pela sua aplicação em frangos, manteigas, molhos, ovos e peixe, mas também pode ser usado na carne e peças de caça e em tempero de saladas. O estragão tem um gosto picante que ajuda a realçar alimentos sem muito sabor. Muito usado no preparo de vinagres de vinhos brancos. Estimulante de apetite; alivia reumatismo e artrite, regulariza a menstruação, diurético.
Folhas de feno-grego É uma erva verde e macia, semelhante ao trevo, e a sua semente é muito utilizada na cozinha indiana, porque o seu sabor amargo e aromático se mistura bem com as outras especiarias. As folhas sabem a noz com gosto de caril.
Funcho Os caules e folhas desta erva aromática têm um delicado sabor adocicado. As folhas plumosas do funcho são uma boa guarnição para legumes e pratos de peixe. Os caules secos são muito eficazes como base para colocar o peixe enquanto está a ser grelhado. Usa-se também em molhos e guisados.
Hortelã/Menta Entre as mais importantes ervas culinárias encontra-se a hortelã, que tem uma vasta gama de sabores, conforme a variedade. Como alternativa ao molho de hortelã, é excelente espetada num assado ou estufado de borrego; picada, fica bem em sopas de creme e em almôndegas. As folhas frescas aromatizam sopas e pratos de carne e peixe. A hortelã picada também pode ser espalhada sobre legumes cozidos. Tem um sabor interessante quando adicionada a molhos picantes de frutas e especiarias, a groselha negra, ameixas e outros frutos de Verão em calda, e fica óptima em saladas de fruta, gelados, em chás ou simplesmente misturado com queijo de cabra e pepino, como fazem na Grécia. Estimulante, digestiva. O pó da folha é usado para combater parasitas intestinais (ameba e giárdia) em crianças.
Levístico As sementes, folhas e caules desta erva têm um vago sabor a aipo, mas possuem também um sabor muito definido e pungente que Ihes é próprio. As folhas são decorativas e fazem uma bela guarnição em volta de um prato. Também ficam excelentes quando cortadas em pedaços e espalhadas em sopas e estufados, adicionadas na altura de servir e finamente picadas. O levístico é particularmente bom em pratos de tomate. É uma bela erva, fácil de cultivar.
Louro (é uma árvore...) As aromáticas folhas de louro são utilizadas frescas ou secas e têm um lugar essencial num ramo de cheiros. Ficam particularmente bem no peixe e também com caça e com legumes como o feijão. Se se extrair a nervura central das folhas e estas forem finamente picadas, produzem um magnífico efeito nos molhos de natas e ovos. O Louro combina com sopas, peixe em geral, carnes, frango e terrines. Ao cozer batatas, junte-as à água. Geralmente uma folha basta para aromatizar o prato. Nos cremes doces, faz-se uma infusão das folhas inteiras em leite quente, antes de levar ao lume. Antioxidante, digestivo; estimula o apetite; é auxiliar no tratamento da gripe.
Manjerona Da família do orégão, embora de sabor mais suave. O seu sabor é destruído pela cozedura prolongada, pelo que é preferível adicioná-la pouco antes de servir. É a erva dos recheios das empadas. Liga bem com a carne, frango, legumes e com queijo e ovos. Considerada indispensável na cozinha mediterrânea, a manjerona combina também com tomate, batata e arroz. Associa-se facilmente a outras ervas.
Orégão(s) Indispensável no preparo de pizzas, o orégão é o companheiro perfeito do tomate, do pimentão, da berinjela, da abóbora e das massas. Também combina muito bem com carnes como a vitela e o peito de frango. É a única erva que fica melhor seca do que fresca. Digestivo, antioxidante, antibacteriano, antibiótico, analgésico, sedativo; auxiliar no tratamento de gripes, resfriados e cólicas menstruais, auxilia a circulação do sangue.
Poejo Bastante utilizado na culinária alentejana, na sopa de poejo com queijo fresco e na célebre açorda. Utiliza-se fresco.
Salsa Embora tradicionalmente utilizada apenas para guarnição, a salsa fresca também dá um excelente sabor a sopas e molhos. Existem duas variedades, com folhas lisas ou frisadas, sendo a de folhas lisas mais decorativa, de sabor mais forte e que suporta melhor o cozimento. Muita salsa picada, um pouco de alho esmagado e azeite extravirgem aromatizado constituem um excelente toque de acabamento para pratos de carne e peixe grelhados. A salsa pode ser frita e servida com o peixe, ou reduzida a puré, com um pouco de manteiga, para obter um molho rápido para servir com frango ou vitela. Acrescenta cor e sabor às omeletes, saladas, molhos, purés de batatas, patês e sopas. Favorece o equilíbrio hormonal; é fonte rica em betacaroteno (pré vitamina A) e Vitaminas do Complexo B; alivia os sintomas da bronquite, asma, cólicas menstruais e cistite; é auxiliar no tratamento de cálculos renais e cólicas.
Salva As folhas verdes ou secas constituem um óptimo condimento, combinada com tomate, alho e azeite, para pratos de carne, estufados ou guisados. A Salva serve para perfumar as carnes, principalmente a carne de porco, coelho e vitela. Seu sabor, ligeiramente amargo, combina com legumes secos, queijos e linguiças. Vai muito bem com carnes grelhadas e molhos, assim como em pratos quentes com queijo. A salva tem um sabor potente, pelo que deve ser usada com parcimónia. É excelente para recheios. Digestiva, antioxidante; auxiliar no tratamento de problemas de fígado, suor excessivo, ansiedade, depressão e sintomas da menopausa.
Segurelha As variedades de Inverno e de Verão desta erva sabem vagamente a tomilho, mas são mais amargas. A segurelha de Inverno é ligeiramente mais suave. Utiliza-se (com discrição) em sopas de feijão verde, feijão com massa, em guisados e carne estufada.
Tomilho O seu sabor é picante e amargo. É adequado para pratos de longa cozedura e estufados. Ao contrário da maior parte das ervas, com excepção dos orégãos, o tomilho é tão bom seco como fresco. Cai bem com borrego, mas também com porco, frango, peixe e ovos. Combina muito bem com sopas, molhos de tomate, legumes em geral, carnes vermelhas e terrine. Deve ser utilizado com parcimónia porque o seu sabor se sobrepõe facilmente a todos os outros. Digestivo, desinfetante, anti-séptico; é expectorante, limpa as vias respiratórias e o intestino.

29 de março de 2010

149 - Não comprar filmes


Tal como disse quando decidimos ligar a televisão só depois das 22h (o que ainda nem sempre acontece), gostamos muito de ver filmes. Claro que no cinema tem outra magia, mas não pode ser sempre... E, na verdade, às vezes gostamos de repetir: se gostar muito de um filme posso vê-lo mais do que uma, duas vezes. E o Zé Manel é verdadeiramente viciado: quando era estudante, trabalhou em part-time num clube de vídeo, para poder ver todos os filmes que quisesse! E gravava imensos, em VHS, da televisão (cortava os intervalos e tudo)...

Por isto é fácil de perceber que nos é difícil resistir quando vemos filmes (agora em DVD) que nos agradam. Ainda por cima quase todos os jornais, revistas e afins, têm, de quando em quando, ofertas aliciantes...

(não, não temos assim tantos...)

Mas chega de consumismo!

E depois do que descobri sobre os CD, quando deixei de os usar para gravar música para as minhas aulas, não me sentia bem em continuar a comprar DVD, ainda que com a intenção de os conservar por muitos anos (mesmo parecendo que não têm uma vida muito prolongada)!

Opções?

Voltar a usar o meu cartão da blockbuster, apesar de parecer que esta empresa está a fechar lojas pelo país fora.

Escarafunchar as prateleiras dos amigos e trazer filmes emprestados (e, claro, emprestar os meus).

Ver a oferta da biblioteca Almeida Garret. Afinal, com o meu cartão de leitora, também posso, além dos livros, trazer DVD e CD!

Quem tiver tv cabo (não é o nosso caso) também pode alugar filmes através desta. E, apesar de ainda não ter chegado a Portugal, o You tube também vai alugar filmes. Até os clubes de vídeo mais ou menos "tradicionais" se modernizaram e alugam filmes pela internet. E, claro há os clubes que já só existem no mundo virtual. Mas, aqui põe-se a questão: e os custos ambientais de enviar os filmes para nossa casa?...

Acho que me vou ficar pelas soluções "caseiras"...

E também ainda não encontrei nenhuma destas máquinas de alugar filmes.

25 de março de 2010

145 - Arranjar um despertador que não necessite de pilhas


Um despertador que não necessite de pilhas (sejam recarregáveis ou não...), é do que eu ando à procura...

Despertador solar/satélite (escolhi este para primeiro exemplo por ser taaaaãooo bonito!!! Acorda-nos batendo com as "asas" na nossa cabeça?...):

Despertador solar (este é todo futurista):

Mais um solar (mais "normalzinho"):



Outro despertador solar (há ainda muitos mais, para todos os gostos):



Despertador a água:



Outro a água (e umas gotas de limão):


E mais um a água:

Despertador eólico (sim, eólico!):



Despertador "a batata" (achavam que já tinham visto tudo?):


... ou "a maçã" (ah, muito mais saboroso!!!):


Despertador em projecto:



E o clássico, simples e eficiente (a mim não me incomoda o tic-tac...): a corda!



... o que eu tenho agora (oferecido)! Não é preciso gastar água, nem fruta, nem é preciso estar sol ou vento... É só fazer um "poucochinho" de esforço para dar corda!

E não se esqueçam que não é nada saudável ter o telemóvel na mesinha de cabeceira para servir de despertador...


20 de março de 2010

140 - Aprender a fazer compostagem caseira


Hoje de manhã fui aprender, na Horta da Formiga - centro de compostagem caseira, a fazer compostagem (gostei desta definição: "a compostagem é um processo biológico através do qual microrganismos e insectos decompõem a matéria orgânica numa substância homogénea, de cor castanha, com aspecto de terra e com cheiro a floresta - o composto).

Apesar da Lipor abranger apenas 8 municípios (Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo e Vila do Conde), qualquer pessoa, de qualquer zona de Portugal pode vir, gratuitamente, aprender algumas técnicas e dicas que nos ajudam a implementar este processo em casa. Nem de propósito, no nosso curso, estava um senhor emigrado nos EUA, que tirou férias para vir aprender a fazer compostagem (e mais uns cursos organizados pela Horta da Formiga)! Fiquei com pena de não lhe ter perguntado se do outro lado do ocenao não fazem compostagem...

A minha maior lição foi logo ao início, quando a formadora nos disse que cada habitante dos 8 municípios da Lipor produz, por dia, 1,4 kg de lixo. E que 40% desse lixo é orgânico. E que o saco de lixo que deitamos no contentor dos indiferenciados vai directamente para incineração ou (quando a fábrica está fechada para "limpeza", de modo a que a poluição gerada seja o mais baixa possível) para o aterro. Como, depois disto, não me sentir culpada se não fizer compostagem?!

Apesar de termos tido uma pequena parte prática, onde vimos vários tipos de compostores e um passo-a-passo de uma visita diária ao "nosso" compostor... a formação é essencialmente teórica, até porque não tem assim tanto que saber, e as questões e dúvidas vêm com a prática.

O compostor
As pessoas que pertencem aos 8 municípios podem trazer, gratuitamente, um compostor (como o da imagem), inseridos num projecto chamado Terra à Terra, desenhado especialmente para os centros urbanos, onde as pessoas têm pouco espaço exterior. O senão é ser em plástico...


O melhor, segundo a Cristina (a formadora) são quatro palletes ao alto. Também pode ser construído com tábuas de madeira, rede ou ser apenas uma pilha no chão.


Informação muito importante, todos (excepto um modelo caríssimo e enorme) têm que estar pousados na terra, para haver escoamento de água e circulação de bichinhos essencias para a compostagem. Má notícia para mim, e mais umas quantas pessoas, que vivem em apartamentos...

Como fazer
Depois de instalar ou montar o compostor num cantinho (de preferência que seja sombreado no Verão) do jardim ou quintal, devemos fazer uma cama de ramos no fundo, para ventilar e escoar melhor a água. Depois vamos fazendo camadas alternadas (tipo "sandes mista", nas palavras da Cristina) de verdes (ricos em azoto) e castanhos (ricos em carbono).
Verdes - restos de cozinha (legumes, fruta, cascas, sacos de chá (!), borra de café, casca de ovo), relva fresca, flores, estrume;
Castanhos - palha (o melhor "castanho" e que se pode comprar por 3€ o fardo, nas cooperativas agrícolas), folhas secas, ramos finos, cartão e papel - sem químicos - em tiras, algas (lavadas e secas), serradura e aparas de madeira sem tratamentos.

De quinze em quinze dias deve-se revirar a pilha e, no Verão, regar para manter um bom nível de humidade (ao agarrarmos uma mão cheia de composto, este deve soltar-se mas deixar a mão "suja").
Posso assegurar que não cheira mal (se cheirar é porque não está a ser bem feito).

Quando o compostor ficar cheio continua-se a revirar e a regar, se necessário, e quando o composto estiver homogéneo, retira-se do compostor e coloca-se numa pilha no chão a maturar (vimos um compostor tripartido: 1 compartimento para composto a ser processado, outro para o que está a maturar, e outro pronto): como já não têm nada para comer os bicinhos vão todos à procura de nova casa e a temperatura (que dentro do compostor pode chegar acima dos 65ºC) estabiliza-se.
Passado algumas semanas está pronto para nutrir o jardim ou quintal (se não estiver homogéneo, porque colocámos detritos de difícil compostagem, deve-se crivar o composto)!

O que não colocar no compostor
Não problemáticos (mas depois têm que ser retirados...) - vidro, plásticos, têxteis, papel plastificado, ...;
Perigosos - dejectos de animais domésticos, pilhas, tintas, químicos, madeira tratada, medicamentos, ...;
Problemáticos - folhas resistentes (degradação lenta e/ou acidez), alimentos cozinhados, de origem animal e gordura (atraem ratos, moscas, cães, gatos).

Trouxe o meu compostor e vamos colocá-lo no jardim da casa dos pais do Zé Manel (que fica perto do nosso espaço, e onde passamos todos os dias) e para já vou passar a levar, no baldinho (plástico...) que nos deram na formação - especificamente para este fim - os "nossos" desperdícios orgânicos. Cheira-me que, muitas vezes, o balde (como o da imagem) não vai ser suficiente para os restos de um dia...


Obviamente que esta solução não é muito prática e como não temos intenção de comprar este compostor de interior (na horta da formiga têm um idêntico a ser testado, mas maior, próprio para ser colocado nas casas de lixo de edifícios de habitação colectiva), o passo seguinte é experimentar a vermicompostagem (que pode ser feita numa varanda). Apesar da Cristina não ser muito adepta (diz que a escuridão e a humidade fomentam a criação de fungos que depois passam para as plantas onde usamos o vermicomposto), não perco nada em experimentar.

Por isso, em breve, terão notícias dos nossos novos animais de estimação: as minhocas!

17 de março de 2010

137 - Substituir as lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas (?)


Quando experimentei usar menos lâmpadas no nosso candeeiro da sala, como forma de reduzir a utilização de iluminação artificial, já tinha começado a procurar mais informação sobre os vários tipos de lâmpadas (até já tínhamos substituído a lâmpada incandescente do candeeiro de uma das mesinhas de cabeceira por uma - oferecida por uma revista... - economizadora/fluorescente compacta).

Cá em casa temos:

lâmpadas de halogéneo (com um funcionamento semelhante ao das lâmpadas incandescentes, mas com a vantagem de "conseguirem recuperar o calor libertado pela lâmpada, reduzindo a necessidade de electricidade para manter a sua iluminação": produzem mais luz com a mesma potência e com o dobro da duração e emitem uma claridade constante), no candeeiro da sala;

fluorescentes tubulares, que já existem há muitos anos ("emitem aproximadamente a mesma luz que uma lâmpada incandescente convencional, gastando menos 80 por cento de energia"), na cozinha e casa-de-banho;

e incandescentes, as, agora, mais mal amadas (e que segundo o mesmo site "são indicadas para locais em que a iluminação é necessária por curtos períodos de tempo. Nessas situações consegue-se que tenham um período de vida mais longo, pois o desgaste do filamento pelo calor gerado na lâmpada é menor, não justificando o investimento numa lâmpada mais cara", ainda que sejam as de mais baixa eficiência energética).

São as incandescentes que devemos, segundo opinião generalizada, substituir pelas famosas fluorescentes compactas (que permitem poupar 80% de energia, reduzindo assim, em muito, as emissões de dióxido de carbono).

Fui comprar uma lâmpada fluorescente compacta (LFC) para o candeeiro da outra mesinha de cabeceira, mas ainda não estava convencida.

Não tanto que não seja mais económica em termos energéticos (pelo sim, pelo não - até porque encontrei muitas pessoas descontentes com o tempo de duração destas lâmpadas - guardei a embalagem, onde diz que "esta lâmpada tem um tempo de vida útil estimado em 6000 horas", e nela escrevi a data de início de utilização..., ), mas que seja, realmente, a melhor escolha a nível ambiental.

A minha primeira dúvida apareceu quando encontrei informação sobre o que fazer se uma lâmpada fluorescente se partir:

1 - ventilar a divisão onde estiver, abrindo todas as janelas;
2 - proteger as mãos com luvas de borracha e a boca com uma máscara;
3 - com muito cuidado colocar as peças maiores num contentor com tampa. Preferencialmente um de vidro com tampa de metal;
4 - apanhar as peças pequenas e o pó com dois pedaços de papel duro;
5 - deitar os vidros, o pó e o papel no contentor;
6 - usar qualquer tipo de fita adesiva para limpar a zona onde a lâmpada caiu;
7 - limpar de seguida com um pano húmido ou com papel de cozinha para apanhar todas as partículas;
8 - colocar tudo, fitas, panos e partículas no contentor, tapá-lo e etiquetá-lo;
9 - levar o contentor ao ecocentro mais próximo ou telefonar à câmara para o remover.

Assusta, não? (e a mistura de materiais diferentes que vão todos juntos para o ecocentro. Serão reciclados?)

Está bem, também é preciso ter cuidado com as outras lâmpadas, mas não tanto assim!
(Será exagerado?...)

O que têm dentro???

Mercúrio (todas as lâmpadas fluorescentes o contêm), cerca de 5mg (500mg contêm os termómetros antigos). No site da eco.EDP, que esclarece algumas dúvidas e "preconceitos" sobre as LFC, afirmam que apesar de conterem mercúrio, estas lâmpadas "contribuem para a redução de mercúrio no ambiente uma vez que, consumindo 80% menos energia que as lâmpadas incandescentes vulgares, requerem a produção de menos energia eléctrica – o que representa uma das maiores fontes de mercúrio no ar em consequência da queima de combustíveis fósseis".
Mas, pelos vistos, os trabalhadores chineses que as fazem (pelo menos uma grande parte delas), estão a ser envenenados, pois têm que manusear o mercúrio durante o processo de produção das lâmpadas...

Outra informação que me chamou a atenção: emitem raios ultravioleta.

A "radiação ultravioleta, a cintilação dos campos electromagnéticos e a luz azul" que emitem constituem risco de agravamento de doenças ligadas à fotossensibilidade, segundo a coordenadora da Eco-casa (na Visão de 5 de Novembro de 2009 - especial edição verde), facto este reiterado pela eco.EDP, que à pergunta "podem as lâmpadas economizadoras provocarem cancro?" diz que "este risco só se aplica a um grupo restrito de pessoas. (...) A agência de Protecção de Saúde do Reino Unido (HPA) realizou um estudo que revelou que uma LFC emite radiação ultra-violeta (UV) que pode ser prejudicial, apenas se ficarmos junto de uma LFC com uma distância de 2 centímetros ou menos, durante 2 horas, todos os dias"...


E foi por esta altura que, ao ler a revista Courrier internacional de Março de 2010 (emprestada pela minha amiga Isabel, que partilha as suas revistas comigo), dei com um artigo com o seguinte título:

"Verdes por fora, poluídas por dentro"

Primeiro parágrafo: «Algumas tecnologias "verdes", desde os automóveis eléctricos aos geradores eólicos, passando pelas lâmpadas de baixo consumo, utilizam uma família de metais pouco comuns: as "terras raras" (da Tabela Periódica dos Elementos). O mundo depende cada vez mais delas. O problema é que provêm quase exclusivamente da China e são extraídas por um das indústrias mineiras mais perniciosas para o ambiente, ainda por cima dominada por organizações criminosas.»

??????!!!!!!!!

Pois é, um desses elementos, o térbio, é usado nos fósforo das lâmpadas fluorescentes. Com o aumento da produção deste tipo de lâmpadas, aumentou a procura deste e as suas consequências são já visíveis: «onde outrora havia socalcos de arrozais ver-esmeralda, agora há encostas ressequidas, cobertas de cicratizes de argila estéril. Para extrair aqueles metais raros (...) os operários raspam o solo e deitam para fossas a argila salpicada de ouro que recolheram. Despejam lá para dentro solventes (frequentemente ácidos concentrados) para extrair as terras raras. Deste processo resultam compostos tóxicos que se infiltram no solo, contaminando cursos de água, destruindo arrozais e explorações piscícolas e poluíndo os lençóis subterrâneos.»
Nas jazidas abandonadas (esgotadas ao fim de três anos de exploração intensa), dez anos depois, ainda ninguém conseguiu voltar a plantar arroz...

A China produz 99% do térbio utilizado em todo o mundo!

Acho que vou ficar à espera de uma tecnologia LED mais acessível. Estas lâmpadas são ainda mais economizadoras que as compactas e não parecem ter componentes tão prejudiciais. São já apelidadas de "lâmpadas do futuro".

Entretanto, desculpem-me os defensores das LFC, mas acho que durmo mais descansada continuando a usar as velhas incandescentes (ou alterando os meus candeeiros para poderem suportar lâmpadas de halogéneo... Será possível?), até porque são os candeeiros que menos são utilizados.

A não ser que encontre fluorescentes compactas que não sejam fabricadas na China e que digam que o óxido de térbio usado na sua fabricação é de origem sustentável...