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9 de maio de 2013

213 - Evitar comprar artigos em plástico


As nossas casas estão cheias de plástico. A vossa não?!... Experimentem fazer o que fiz. Percorri o nosso apartamento (cerca de 70 m2) de papel e lápis em punho e fui registando os objectos que contêm - na totalidade ou em parte - algum tipo de plástico.

Na cozinha e lavandaria, os electrodomésticos têm todos partes em plástico, do frigorífico à máquina de sumos. Os candeeiros de tecto tem plástico. As bacias, baldes, o apanhador e respectiva vassourinha, o espanador, são de plástico. O ecoponto tem partes em plástico (...), as caixas da areia das gatas são de plástico. As suas taças para a comida também... A quase totalidade das caixas para guardar alimentos - vulgo tupperware - são de plástico. As que são de vidro, têm a tampa... de uma espécie de plástico. As cuvetes de gelo, partes das garrafas térmicas, as colheres medidoras, o germinador, até as tampas das garrafas de alumínio para a água, são de plástico. A minha bicicleta, os nossos patins, algum calçado, têm partes em plástico.

Na casa de banho, a cortina do chuveiro é de plástico, os suportes e base do espelho do lavatório, partes das torneiras e do chuveiro são de plástico. O autoclismo, peça de museu, da marca Dilúvio (com este nome imaginem se não lhe tivéssemos reduzido o volume e colocado um contrapeso, para controlar as descargas...) é de plástico. Há frascos e embalagens de plástico, embora muito menos do que antes deste desafio e muitas delas já reutilizadas várias vezes. 

Na sala e no escritório, os  aparelhos (televisão, dvd, portáteis, impressora, discos externos, ...) são, em grande parte, de plástico, todos os candeeiros têm partes em plástico (nem que seja os fios e o interruptor...). O mesmo com o aquecedor a óleo. Há marcadores (e respectivas caixas) de plástico, as pastas tamanho gigante onde guardo desenhos e folhas são de plástico, telemóveis e carregadores contém plástico, a minha máquina fotográfica e acessórios... plástico. Quase todas as capas de cd e dvd são de plástico (apesar de os termos deixado de comprar).

No nosso quarto há menos plástico. Além dos casos referidos no parágrafo seguinte, encontro plástico no rádio do zé manel, na balança, no espelho de rosto e nos óculos de sol. Ah, e na bijuteria!...

Pela casa toda, tomadas, interruptores, cabos e fichas eléctricas, os temporizadores, partes dos estores interiores, são de plástico. Os estores exteriores são de plástico. As campainhas, na entrada do prédio, são de plástico.

E tenho a certeza que deixei escapar algumas coisas... Até porque há muito plástico "escondido"...

A nossa vida, para além da nossa casa, está cheia de plástico. E até parece positivo, nalguns casos: por exemplo, devido ao facto de uma parte dos componentes de um automóvel actual serem de plástico há menos gasto de combustível, logo menos emissões de CO2. E parece que os painéis solares são feitos de plástico...

O plástico é resistente, durável ("eterno"), maleável, ..., bonito, barato. Sim, eu bem sei... com todas as suas cores vivas, o plástico pode ser muito apelativo...

Mas... por ser eterno, não se (bio)degrada, perturbando os ciclos naturais. Já todo vimos imagens do que acontece, por exemplo, a animais marinhos que ingerem plástico. Podem rever algumas aqui, através do trabalho do fotógrafo Chris Jordan. E se forem à praia - no inverno (porque no verão são limpas) - na maré baixa...

fotografia de Jurnasyanto Sukarno

Resumidamente (podem ler mais aqui, aqui) o fabrico do plástico (a partir do petróleo) liberta químicos poluentes. A reciclagem parece não ser viável para todos os tipos de plástico e, pelo que percebi, não é possível transformar uma garrafa de plástico noutra garrafa de plástico pois o plástico reciclado é de qualidade inferior. Se, por exemplo for transformado num saco plástico e este for "abandonado", ao desfazer-se em pequenas partículas acaba por entrar na cadeia alimentar. O plástico correctamente recolhido e que não é reciclado é... incinerado (este artigo é muito interessante). O que, mesmo que permita a produção de energia, não me parece muito sustentável. Estejam livres para me corrigir, caso esteja a dizer alguma asneira. E, em relação aos bioplásticos (como pude descobrir quando falei sobre os sacos de lixo)... Bom, leiam os comentários ao post, onde alguns leitores ajudaram a desmistificá-los.

Mas, podemos viver sem plástico? PET, vinyl, PP, ... (mais sobre os tipos de plástico aqui)? Como disse antes, às vezes nem sabemos que os temos connosco. Há pessoas, como a Beth e a Taina, que se desafiaram a viver sem plástico (esta senhora parece ter desistido, pelo menos no que se refere aos desafio do plástico...), há sites de produtos - que supostamente - são melhores alternativas ao plástico, ... (devido à minha "experiência" só acredito depois de investigar...), e até se pode começar por "um dia sem plástico"!


Quanto a mim, como sabe quem por aqui anda desde o início (se não é o caso, aqui estão todas as medidas relacionadas com o plástico) tenho vindo a deixar de usar determinados "apetrechos" plásticos (cotonetes, palhinhas, ...) e a alterar hábitos para diminuir a quantidade que entra cá em casa, sendo o mais importante - quanto a mim - o comprar a granel, sempre que possível.

A propósito de precisar de uma tábua de cozinha nova e de ter sido tentada por umas muito giras, coloridas (e de plástico...) decidi deixar de adquirir objectos de/com plástico. Pode parecer um pouco radical, até tendo em conta que não se compram tábuas de cozinha todos os dias... Mas foi o meu momento de viragem, o que é que se há-de fazer? Vou evitar - ardentemente - que entre mais plástico cá em casa. Onde me levará esta decisão? Vou-vos mantendo informados... Para já não vou ter, de certeza, pedacinhos de plástico na minha comida, pois ando na senda de uma bela tábua de madeira ou de bambu.

23 de outubro de 2010

174 - Usar um copo menstrual ao invés de tampões ou pensos


Caros representantes do outro belo sexo, vou falar de higiene íntima feminina. Com algum detalhe. Se acharem que é informação a mais - como diz um amigo meu - passem este post à frente... mas mostrem-no às mulheres na vossa vida.

Quando deixei de usar pensinhos diários, apercebi-me de que os pensos (e tampões) "tradicionais" não são nada saudáveis, nem para nós, nem para o ambiente. Mas só depois encontrei informação verdadeiramente aterradora (estarei a exagerar???). Está quase toda bem resumida no site do centro vegetariano.

Desde o número assustador de pensos ou tampões que uma mulher usa, em média, durante a vida - de 10 000 a 15 000 - até à poluição que o seu fabrico produz (sem falar da que acontece depois de os usarmos...), passando pelo mal que podem fazer a nós. Palavras como "dioxinas" e "parede vaginal" na mesma frase não pode ser um bom sinal! Nós nem sabemos os "ingredientes" dos nossos pensos e tampões (não é informação obrigatória) e no entanto colocamo-los numa das zonas mais sensíveis (e absorventes) do nosso corpo. Bem lá dentro, no caso dos tampões!!!

Solução?

os pensos (e tampões...) naturais, biodegradáveis, em algodão biológico, sem cloro ou químicos prejudiciais (por exemplo, uma embalagem de 14 pensos higiénicos "regular" da Natracare custa 2,25€). Mas continua a questão da embalagem e do destino final a dar-lhes.

Depois existem várias (aqui, aqui, aqui, ...) opções de pensos reutilizáveis, laváveis (até na máquina), em algodão ou flanela, que parecem ser do agrado de muitas mulheres, mas a mim - apesar de até serem giros - não me seduzem, como já tinha dito no post sobre os pensinhos diários... Talvez por me lembrar das toalhinhas que a minha mãe conta que usava enquanto adolescente e do desconforto que lhe causava. Ou porque não me parece prático para quando se está fora de casa (trocar de penso e guardar o usado, durante o dia, na carteira...). Mas para quem se sente bem com eles, há até um passo-a-passo para os fazer.

O que sobra [além da opção de usar duas cuecas (???)]?

A maior invenção desde a roda (agora sim, estou a exagerar um bocadinho...): o copo menstrual ou copo de mestruação ou, como dizem as nossas irmãs do outro lado do oceano, o cole(c)tor menstrual...


Sim, já tenho o meu, já experimentei, uso e não quero outra coisa!

Devo confessar que ao princípio a ideia não me parecia muito tentadora (apesar de eu até ser uma moça mais de tampões) mas realmente é um receio infundado.

O meu copo é da Lunette, via pegada verde*. Há, pelo menos, uma dezena de marcas (as mais conhecidas são a Mooncup e a The Diva Cup). A escolha parece difícil: encontrei um site/fórum - muuuuito completo - sobre tudo o que nos possa ocorrer relacionado com este tema. Há vídeos comparando copos de diferentes marcas, desde a caixa exterior até ao comprimento da pega, ... Enfim, tanta informação só nos deixa indecisas. Qual a melhor maneira de escolher? Por indicação de quem já usa...

Sinceramente? Toda esta informação é, também, quanto a mim, completamente desnecessária. Só nos faz sentir que deve ser algo muito complicado, difícil mesmo para alguém já profissional no uso de tampões. Quando abri a minha caixinha (muita gira e já guardada para reutilização), senti-me como quando tive na minha mão a minha primeira caixa de tampões... Nervosa (nessa vez, gastei 10 até acertar...)!!! O folheto é como a informação na net, muito elucidativo mas deixa-nos apreensivas antes da primeira utilização.

E, deixem-me que vos diga, não custa nada!


É muito fácil de colocar (claro que vamos melhorando com a prática, como em tudo), não há fugas (acreditem, fiz todos os movimentos possíveis e imaginários...), o tirar - na primeira vez - parece um pouco estranho, devido ao vácuo (hmmmm!!!...), mas é incrível como rapidamente melhoramos a destreza (ainda só o usei em duas menstruações). Lava-se facilmente, e é muito mais higiénico (agora só o pensar em usar pensos faz-me torcer o nariz) e não se enche assim tão facilmente... Até podemos dormir com ele (a não ser que o sono se prolongue para lá das 12 horas!)

Não vale a pena estar a explicar-vos pormenorizadamente (mas se precisarem de algum esclarecimento, escrevam-me), se não estou a contradizer-me...

É prático (até traz uma saquinha toda catita para o transportarmos) e económico (dura pelo menos 5 anos e custa cerca de 30€, façam lá as contas). E claro, muito mais ecológico!

Experimentem, não vão querer outra coisa (podem pensar que hoje é só exageros da minha parte, mas olhem que não)!!!

* também já se vendem nas farmácias e lojas "Terra Pura"

11 de julho de 2010

162 - Fazer um vermicompostor


Tal como "prometi" quando aprendi a fazer compostagem, já somos mais cá em casa. Além de nós e das nossas três gatas, temos agora uma família de minhocas ao nosso cuidado!

Quando participei na oficina de compostagem percebi que não a poderia fazer no nosso apartamento (o compostor tem que ficar pousado na terra) e como me ficaram a incomodar os 40% (nós, provavelmente mais) de resíduos orgânicos no lixo que cada um de nós produz por dia, mal surgiu a oportunidade fomos participar numa oficina sobre vermicompostagem, organizada pelo núcleo de Braga da Quercus.

A finalidade da oficina era ensinar a técnica da vermicompostagem, fornecer as minhocas aos participantes, mas também reaproveitar caixas de esferovite como vermicompostores. Como caixas de esferovite são incompatíveis com gatas, nós optamos por fazer o nosso compostor com caixas opacas de plástico. Sim eu sei que o plástico não é muito ecológico, e que também se podem fazer em madeira, mas não deve ser por acaso que todos os vermicompostores que tenho visto são em plástico!

O vermicompostor

Há imensos sites e blogs que nos ensinam a construir a moradia para as nossas minhocas. Nós, baseados também no que aprendemos na oficina, inspiramo-nos neste esquema de minhocasa (ninguém como os brasileiros para simplificar os nomes das coisas) e neste passo-a-passo, e edificamos, para já, o primeiro andar do nosso vermicompostor. Se correr bem, acrescentaremos os dois andares que completam o palácio (quem preferir pode ficar apenas pelo rés-do-chão, quem for mais ambicioso pode fazer ainda mais andares).



Assim comprámos uma caixa Slugis (do Ikea) com 54cm x 35cm e 16cm de altura. Porquê? Porque não acho nada bonitas as caixas semelhantes às que aparecem no esquema...

Se não for grande o suficiente, posso depois comprar uma mais alta, da mesma linha e esta primeira fica como tabuleiro de repouso de composto já pronto ou para recolher o excesso de líquido (chorume). Mas ATENÇÃO, não vale a pena comprar caixas muito altas, as minhocas só sobem até uns 20/25 cm de altura! Se for preciso mais espaço, joguem com a largura ou o comprimento.

Depois fazem-se buracos na tampa e na laterais da caixa (para arejamento) e no fundo (para escoamento de eventual excesso de humidade). Como a nossa caixa vai ficar na varanda não colocámos nada por baixo, para já, mas se a colocarem numa divisão interior convém pôr um tabuleiro por baixo para recolher o chorume. NÃO faça como eu (esperta...), que, para não ter ir buscar o berbequim (...) comecei a fazer os buracos como vi a formadora fazer nas caixas de esferovite (usando um ferrinho aquecido numa vela...): derreter plástico liberta vapores TÓXICOS!!! Os buracos devem ser pequenos para as minhocas não sairem da caixa. E acreditem que elas saem por "buraquinhos bem pequenininhos": já andei a salvar minhocas pelo chão da varanda (nalguns casos cheguei tarde demais...). Muitos não são demais - aprendi eu com a prática - porque a caixa deve ser bem arejada. Li algures que podemos colocar no fundo da caixa (e forrar as paredes também) com rede plástica bem apertada, de maneira a sairem líquidos mas não as minhocas. Parece-me uma óptima ideia, a experimentar na altura da remodelação da moradia... E pronto, a casinha está pronta!

As habitantes

As nossas minhocas dão pelo bonito nome de eisenia fetida, mas são mais conhecidas como minhocas vermelhas, e parece que são campeãs a processar uma grande variedade de materiais, daí serem as mais usadas na vermicompostagem.

Gostam de trabalhar entre os 15º e os 25º. Temperaturas mais baixas ou mais altas diminuem a sua produtividade e podem mesmo matá-las. Por isso, às vezes - dependendo da temperatura do sítio onde estão - pode ser necessário retirar a tampa, para refrescar (o calor é a situação mais comum por cá). Quando estão com calor saem da mistura e sobem para as paredes laterais e tampa. Se o PH não for do seu agrado (entre 5 a 9) também tentam fugir, daí não ser aconselhável colocar critinos na caixa. Gostam de humidade, lugares bem arejados e fogem da luz mais rápido do que um vampiro... Parecem umas bichinhas complicadas mas não são, a sério!

Iniciar o processo

- Fazemos primeiro a cama das bonecas - desculpem! - minhocas: cortamos tiras de jornal com cerca de 2cm de largura, evitando as folhas coloridas por causa dos químicos pesados. Se pegarmos em várias folhas de jornal e as rasgarmos no sentido do comprimento (rodando-as 180º em relação à posição normal de leitura...) a tarefa é rápida e simples. Amarrotamos várias tiras numa bola, humedecêmo-las com um borrifador - ou mergulhando-as rapidamente num recipiente com água (não devem ficar excessivamente molhadas) e forramos o fundo da caixa com as tiras humedecidas e de novo separadas;


- adicionamos um punhado de terra, para acrescentar microorganismos;

- juntamos as minhocas. Segundo o que aprendi na formação, por cada quilo de resíduos adicionado por semana, são necessários 300g de minhocas. Como é óbvio, não dá para andar a pesar as minhocas, por isso vamos estando atentos para ver se as minhocas vão dando "vazão" aos resíduos, ou se temos que não colocar tantos restos e esperar que a família cresça;


- colocamos os primeiros restos de comida (li algures que devemos aguardar 2 semanas antes de alimentar as minhocas, para elas se habituarem à casa nova. Eu não o fiz e deram-se bem);

- cobrimos tudo com mais tiras de jornal humedecidas (cama).


Manutenção

- Devemos ir revolvendo a mistura - com cuidado para não trucidar nenhuma minhoca - com um ancinho pequeno. Não precisa de ser todos os dias, o ideal é ir olhando e mexer quando acharmos necessário misturar restos menos degradados que estejam por cima e a mistela por baixo. Afastar a cama, revolver e no fim voltar a cobrir bem a mistura;

- se a mistura estiver seca, borrifar com água ou juntar cama humedecida e, se necessário, colocar a caixa num sítio mais húmido. Se estiver molhada, evitar juntar alimentos muito ricos em água, adicionar cama seca (as tiras de jornal sem as humedecer, folhas secas, palha, ...) e se for o caso, mudar a caixa para um local menos húmido;

- colocar alimento (parece que as minhocas sobrevivem 3 meses sem comer...), afastando a cama e voltando a tapar tudo no fim;

- e sempre que a cama desaparecer (por cima e/ou por baixo), fazer uma nova! É esta cama que previne o aparecimento de mosquitos. Se mesmo com a cama aparecerem mosquitos pode usar-se folhas de couve galega a cobrir a mistura, ou colocar uma pequena taça com vinagre junto à caixa;

- o que nos leva ao que NÃO devemos colocar no vermicompostor: citrinos (torna o composto muito ácido), restos de alimentos cozinhados, de origem animal e gorduras (atraem moscas e têm um cheiro desagradável), sementes (adoram o ambiente cheio de nutrientes e germinam - brancas porque não têm luz. Ao germinar começam a absorver nutrientes do vermicomposto).

Quando estiver pronto

Normalmente, ao fim de 2 meses já há composto pronto. Nota-se bem porque parece... terra! Como o retirar?

- Se já tiverem o arranha-céus com as três caixas, trocam a caixa do meio - onde estavam a fazer o 1º composto e trocam-na com a de cima (que passa a ser a do meio), e nesta voltam a fazer o "Iniciar o processo". Provavalmente as minhocas migram da caixa de cima para a do meio (através dos buracos), porque já não lhes damos alimento na outra... Façam-no ou não, ao fim de duas semanas, à luz do dia, retiramos o conteúdo da caixa de cima e espalhamo-lo numa superfície lisa (pode ser a tampa), deixando um monte num canto. Como não gostam da luz as minhocas vão fugir para o monte. Vamos retirando composto da zona onde está espalhado (já sem minhocas) e vamos espalhando mais, reduzindo o monte. Repetimos a operação até o monte ser (quase) só minhocas, que colocamos na caixa com a nova mistura. Se ao fazermos esta operação encontrarmos uma espécie de bagos de arroz, devolvemo-las à caixa, porque são ovos de minhocas! O composto pronto pode (e deve) ficar a repousar na caixa de cima porque as minhocas já não voltam para lá (estão todas contentes a comer na casa nova). Depois de alguns dias pode usar-se o composto para fertilizar.

- Se só houver uma caixa (como no nosso caso, para já), fazemos o mesmo processo, mas puxando todo o composto para metade da caixa e fazendo o "iniciar o processo" na outra metade. De resto é tudo igual!

Fertilizante: chorume (ou xorume) - chá de vermicomposto

O tal líquido que sai por debaixo da caixa é o chorume (ou xorume), o "resultado do processo de putrefação (apodrecimento) de matérias orgânicas" e, neste caso, altamente nutritivo. Se o quiserem aproveitar devem colocar o tal tabuleiro ou caixa por baixo (sem buracos, claro), mesmo que fique numa varanda, para o recolher. A nossa mistura não largou quase líquido nenhum, por isso ainda não testei a eficiência do chorume. Não pode ser usado puro porque é muito forte, mas sim diluído na proporção de uma parte de chorume para dez de água. Usa-se como fertilizante.

Também podemos fazer chá de vermicomposto. Retira-se um bocado da mistura (sem minhocas...), coloca-se num pano fino, juntam-se as pontas e ata-se (a isto chama-se uma "boneca"). Mergulha-se num regador - ou balde - com água e deixa-se de molho durante nove dias. Após este tempo usa-se a água para regar as plantas. Tal como o chorume, é um fertilizante. O vermicomposto que fica no pano devolve-se à caixa.

E assim começou uma novo ritual nas nossas vidas!

Claro que quem não for adepto das manualidades pode comprar um vermicompostor. Mas não é a mesma coisa...

20 de março de 2010

140 - Aprender a fazer compostagem caseira


Hoje de manhã fui aprender, na Horta da Formiga - centro de compostagem caseira, a fazer compostagem (gostei desta definição: "a compostagem é um processo biológico através do qual microrganismos e insectos decompõem a matéria orgânica numa substância homogénea, de cor castanha, com aspecto de terra e com cheiro a floresta - o composto).

Apesar da Lipor abranger apenas 8 municípios (Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo e Vila do Conde), qualquer pessoa, de qualquer zona de Portugal pode vir, gratuitamente, aprender algumas técnicas e dicas que nos ajudam a implementar este processo em casa. Nem de propósito, no nosso curso, estava um senhor emigrado nos EUA, que tirou férias para vir aprender a fazer compostagem (e mais uns cursos organizados pela Horta da Formiga)! Fiquei com pena de não lhe ter perguntado se do outro lado do ocenao não fazem compostagem...

A minha maior lição foi logo ao início, quando a formadora nos disse que cada habitante dos 8 municípios da Lipor produz, por dia, 1,4 kg de lixo. E que 40% desse lixo é orgânico. E que o saco de lixo que deitamos no contentor dos indiferenciados vai directamente para incineração ou (quando a fábrica está fechada para "limpeza", de modo a que a poluição gerada seja o mais baixa possível) para o aterro. Como, depois disto, não me sentir culpada se não fizer compostagem?!

Apesar de termos tido uma pequena parte prática, onde vimos vários tipos de compostores e um passo-a-passo de uma visita diária ao "nosso" compostor... a formação é essencialmente teórica, até porque não tem assim tanto que saber, e as questões e dúvidas vêm com a prática.

O compostor
As pessoas que pertencem aos 8 municípios podem trazer, gratuitamente, um compostor (como o da imagem), inseridos num projecto chamado Terra à Terra, desenhado especialmente para os centros urbanos, onde as pessoas têm pouco espaço exterior. O senão é ser em plástico...


O melhor, segundo a Cristina (a formadora) são quatro palletes ao alto. Também pode ser construído com tábuas de madeira, rede ou ser apenas uma pilha no chão.


Informação muito importante, todos (excepto um modelo caríssimo e enorme) têm que estar pousados na terra, para haver escoamento de água e circulação de bichinhos essencias para a compostagem. Má notícia para mim, e mais umas quantas pessoas, que vivem em apartamentos...

Como fazer
Depois de instalar ou montar o compostor num cantinho (de preferência que seja sombreado no Verão) do jardim ou quintal, devemos fazer uma cama de ramos no fundo, para ventilar e escoar melhor a água. Depois vamos fazendo camadas alternadas (tipo "sandes mista", nas palavras da Cristina) de verdes (ricos em azoto) e castanhos (ricos em carbono).
Verdes - restos de cozinha (legumes, fruta, cascas, sacos de chá (!), borra de café, casca de ovo), relva fresca, flores, estrume;
Castanhos - palha (o melhor "castanho" e que se pode comprar por 3€ o fardo, nas cooperativas agrícolas), folhas secas, ramos finos, cartão e papel - sem químicos - em tiras, algas (lavadas e secas), serradura e aparas de madeira sem tratamentos.

De quinze em quinze dias deve-se revirar a pilha e, no Verão, regar para manter um bom nível de humidade (ao agarrarmos uma mão cheia de composto, este deve soltar-se mas deixar a mão "suja").
Posso assegurar que não cheira mal (se cheirar é porque não está a ser bem feito).

Quando o compostor ficar cheio continua-se a revirar e a regar, se necessário, e quando o composto estiver homogéneo, retira-se do compostor e coloca-se numa pilha no chão a maturar (vimos um compostor tripartido: 1 compartimento para composto a ser processado, outro para o que está a maturar, e outro pronto): como já não têm nada para comer os bicinhos vão todos à procura de nova casa e a temperatura (que dentro do compostor pode chegar acima dos 65ºC) estabiliza-se.
Passado algumas semanas está pronto para nutrir o jardim ou quintal (se não estiver homogéneo, porque colocámos detritos de difícil compostagem, deve-se crivar o composto)!

O que não colocar no compostor
Não problemáticos (mas depois têm que ser retirados...) - vidro, plásticos, têxteis, papel plastificado, ...;
Perigosos - dejectos de animais domésticos, pilhas, tintas, químicos, madeira tratada, medicamentos, ...;
Problemáticos - folhas resistentes (degradação lenta e/ou acidez), alimentos cozinhados, de origem animal e gordura (atraem ratos, moscas, cães, gatos).

Trouxe o meu compostor e vamos colocá-lo no jardim da casa dos pais do Zé Manel (que fica perto do nosso espaço, e onde passamos todos os dias) e para já vou passar a levar, no baldinho (plástico...) que nos deram na formação - especificamente para este fim - os "nossos" desperdícios orgânicos. Cheira-me que, muitas vezes, o balde (como o da imagem) não vai ser suficiente para os restos de um dia...


Obviamente que esta solução não é muito prática e como não temos intenção de comprar este compostor de interior (na horta da formiga têm um idêntico a ser testado, mas maior, próprio para ser colocado nas casas de lixo de edifícios de habitação colectiva), o passo seguinte é experimentar a vermicompostagem (que pode ser feita numa varanda). Apesar da Cristina não ser muito adepta (diz que a escuridão e a humidade fomentam a criação de fungos que depois passam para as plantas onde usamos o vermicomposto), não perco nada em experimentar.

Por isso, em breve, terão notícias dos nossos novos animais de estimação: as minhocas!

18 de março de 2010

138 - Usar lápis ao invés de esferográfica, quando tiro apontamentos


Tive uma fase, algures entre a infância e a adolescência, em que coleccionava esferográficas e lápis de todas as cores e feitios: com cheirinho, com bonecos, lapiseiras com mini-lápis de cores, ... Até tive uma caneta que tinha, no seu interior, um rolinho de papel que se ia puxando para escrever notas (apetrecho que não podia usar nos dias de teste...). Também tive uma fase em que coleccionava bloquinhos... mas essa é outra história.

Tendo em conta que "desde 1950 foram vendidas mais de 100 bilhiões de canetas no mundo (o que corresponde a 60 delas por segundo sem parar até hoje)", pode parecer insignificante a minha colecção de canetas, mas a verdade é que contribuí com a minha quota parte de plástico, metal e tinta tóxica (a tinta utilizada nos tais 100 bilhiões daria para encher cem piscinas olímpicas!)... Em meu abono, devo dizer que algumas delas ainda andam por cá, a uso, o que, pelo menos, significa que foram bem "exploradas" antes de serem enviadas para o ecoponto.

O que posso fazer para me redimir?

Deixar de usar esferográficas, pelo menos a médio prazo. Para já, como ainda andam por cá bastantes, não tenho que me preocupar com o que fazer quando precisar mesmo de escrever a tinta (mas já tenho mais uma medida, para quando acabarem: usar uma caneta de tinta permanente).

Para os meus muitos apontamentos, notas e gatafunhos vou passar a usar o poético lápis. Tem madeira, é verdade. Que vem das árvores, eu sei... Mas não tem plástico, nem metal, nem tinta tóxica...


Há esferográficas (ditas) ecológicas/biodegradáveis, mas normalmente esta atribuição fica-se pelo invólucro (de milho, de cartão, de papel de jornal, de plástico reciclado de caixas de cd's ou outras canetas, ...), e nem sequer em toda a sua percentagem: umas têm partes em metal, outras em plástico "normal", ... E, claro, todas elas continuam a usar tinta nada ecológica. Talvez em breve comecem a aparecer canetas com tinta de repolho-roxo ou beterraba, mas, para já, a única que encontrei quase, quase 100% biodegradável é a DBA pen: só a esfera do sistema roller-ball (em aço) faz com que seja "apenas" 98% biodegradável.

Como ter que a mandar vir dos Estados Unidos não me parece muito ecológico, vou mesmo continuar na minha ideia: lápis. O que, também tenho que confessar, há em quantidade cá por casa. Devido à minha formação académica, passei 6 anos a comprar lápis de todas as marcas, do 9H ao 9B... Até tenho um "aproveitador", como lhe chamo, de lápis pequeninos, dentro da lógica deste (mas para um lápis de cada vez...):



E também aos lápis chegou a moda do "eco": há lápis feitos de papel de jornal reciclado, de copos de plástico (das máquinas de café) usados, de calças de ganga velhas, de gravetos apanhados na rua, ... Até encontrei um lápis que traz uma semente (não consegui saber de quê) para se plantar quando o lápis chegar ao fim! Presumo que para compensar as árvores que se cortam para fazer os lápis (é bom que a semente seja de uma árvore...).

Mesmo empresas pioneiras têm agora cuidados ambientais, como a Faber Castell que retira a madeira que utiliza de florestas sustentáveis certificadas ou a Staedtler (cujo lema neste momento é "efficient for ecology"), que tem uma série de cuidados na produção, transporte e reciclagem dos seus lápis.

E claro, temos a nossa Viarco. Comprar nacional é, em príncipio, ecológico... Mas gostava de saber mais sobre as práticas ambientais da empresa.

eu tive um destes!

O lápis é mais poderoso que a caneta?!...

14 de março de 2010

134 - Deixar de usar folha de alumínio para embrulhar alimentos


Já quase desde o início deste desafio (Novembro) que não usamos película aderente. No entanto ainda usávamos, esporadicamente, folha dealumínio. Normalmente para tapar ou forrar algo que vai ao forno (um electrodoméstico que, desde Fevereiro, só usámos em ocasiões especiais).

Muitas vezes comemos nós (permitam-me um momento agradável de nostalgia), nos acampamentos dos escuteiros, batatas, ovos (e até carne...) embrulhados em folha de alumínio e cozinhados nas brasas da fogueira. Uma delícia. Mas depois a folha de alumínio suja ia para o lixo... Para poder ser reciclada tem que estar limpa - principalmente livre de gordura - o que, digamos, é difícil de acontecer quando usada desta maneira...

Mesmo cá em casa, tentamos, sempre que possível, reutilizar as folhas de alumínio, uma, duas, ..., vezes. E no fim, passamo-las pela água da pré-lavagem antes de as levar para a reciclagem.

O principal problema do alumínio, seja sobre que forma for, é a enorme quantidade de energia que é dispendida na sua produção (pelos vistos, 1% de todo o consumo de energia no mundo é gasta na produção deste metal!!!). Claro que o desgaste e a poluição das zonas onde é extraída a bauxita e "purificada" (através da lixiviação química) também não abona nada em seu favor! Aliás, só por isto já não se pode dizer que o alumínio seja um material "verde"...

No entanto, a sua reciclagem é muito importante pois dispende apenas 5% da energia gasta na sua produção e reduz a procura do metal novo.


Mas como antes do reciclar (e do reutilizar) está o reduzir, e como até já tínhamos abolido as bebidas de lata, decidimos substituir o rolo de folha de alumínio por papel vegetal (normalmente mais usado na confecção de bolos): 8m de papel vegetal não branqueado da Silvex (no Continente) custa 2,69€ o rolo.

E também dá para fazer "embrulhos" para levar ao forno:


28 de fevereiro de 2010

120 - Deixar de mascar pastilha elástica


Quando era miúda os meus pais não nos davam (a mim e aos meus irmão), nem rebuçados, nem pastilhas elásticas. Lembro-me que no Verão, quando comia um gelado (porque sou do tempo que só havia gelados no Verão...), optava, às vezes, pelo Epá. Não porque gostasse especialmente deste gelado de baunilha mas porque tinha uma pastilha elástica, bem colorida, no fundo da embalagem! E como era fruto proibido... Na minha ingenuidade achava que os meus pais não sabiam do tesouro que trazia o Epá.

Durante a minha infância/adolescência as famosas Gorila passaram-me ao lado (por isso não sei fazer balões...), provavelmente porque os meus pais nunca teceram comentários à "chicla proibida" do Epá (grandes pais!), e na verdade, eu não achava muita piada às pastilhas elásticas.


Assim foi preciso chegar à idade adulta para me tornar consumidora (ainda que numa base irregular) de chicletes. Quando trabalhava o dia todo fora de casa era uma maneira de "lavar" os dentes: mascar (acho esta palavra horrível) uma pastilha sem açúcar. Agora que faço quase todas as minhas refeições em casa, ainda se tornou mais esporádico este hábito, mas de vez em quando...

Se bem que nunca deitei pastilhas elásticas (nem qualquer outra coisa, já agora) para o chão é bom saber que já existem "papa-chiclas" (pelo menos nalguns sítios), porque é das coisas que mais poluem os passeios das nossas cidades: as chicletes atiradas ao chão. Além de demoraram cerca de 5 anos a degradarem-se, são prejudiciais também para os pássaros, que são atraídos pele seu cheiro e morrem sufocados!


Peguei, então, no pacote (ainda por cima tem um invólucro de plástico...) de "pastilhas elásticas sem açúcar com recheio líquido" que andava no nosso carro para analisar a composição:

edulcorante (maltitol) - este adoçante é natural, obtido através da hidrogenação do malte;
goma base - tradicionalmente as chicletes eram feitas a partir de resinas naturais, mas agora... borracha sintética e parafina (ambas derivadas do petróleo) são os componentes base! Nada, nada ecológico;
edulcorantes (manitol, sorbitol, xarope de maltitol) - o maltitol já sabemos. O sorbitol é natural - existe em muitas frutas - ou é obtido (como deve ser o caso aqui) através da hidrogenação da glicose. O manitol é um álcool obtido da manose, é um açúcar...;
humidificante (E422) - é um emulsionante e estabilizador derivado de gorduras, animais (O QUÊ????) ou vegetais. Para uso comercial é normalmente obtido a partir do petróleo ou da fermentação de açúcares (UFA?!...);
gordura vegetal - que alívio...;
gelatina - Aaaaahhhhhhhhhhh!!! Gelatina????? Eu sou vegetariana!!! Gelatina???!!! Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!!! (ao vivo foi pior, porque ainda não tinha recuperado da possibilidade do E422...);
regulador de acidez (E330) - ácido cítrico, comercialmente obtido pela fermentação de melaço com o bolor (fungo) Aspergillus niger;
aromatizantes - legalmente, deveria especificar que aromatizante é. Como não diz natural, é artificial, mas sem mais informação é difícil "descobrir" mais informação. Mas no meio de tudo isto, nem parecem os piores;
corantes (E171, E129) - O E171 é dióxido de titânio, para "dar" a cor branca (também existe nas pastas de dentes tradicionais. Ainda bem que já não as uso!). Os detritos provenientes da sua "fabricação" são prejudiciais para o ambiente e para nós. O E 129 é o corante sintético vermelho allura AC (são chicletes de morango, pois), suspeito de provocar hiperactividade nas crianças. Pelos vistos a DDA de corantes tem sofrido uns ajustes, por questões se segurança alimentar...
edulcorante (aspártamo) - muito polémico este adoçante sintético, e, pelos vistos nada bom para a nossa saúde (atenção a quem consome produtos light). E este aditivo pertence à Monsanto, produtor líder de OGM;
emulsionante (lecitina de girassol) - obtido a partir de óleo de girassol;
edulcorante (acessulfame-K) - é um adoçante sintético aparentemente nem prejudicial, nem tóxico;
estabilizador (E 466) - é um espessante, estabilizador obtido a partir da celulose, também sem efeitos adversos;
agente de revestimento (E 903) - é cera de carnaúba, obtida das folhas da carnaubeira (palmeira brasileira), usada como agente de revestimento e brilho;
antioxidante (E 321) - sintético e, pelos vistos, prejudicial para a nossa saúde (é para terminar em beleza).

Nunca, mas nunca mais meto uma pastilha elástica à boca! Mesmo tendo, pelos vistos, tantos benefícios...


Para "lavar os dentes", vou voltar a andar com uma maçã na carteira (como quando andava na faculdade), mesmo que não seja fruta da época?...

22 de fevereiro de 2010

114 - Substituir os pensos rápidos por gaze


Eu e o Zé Manel somos socorristas voluntários do núcleo da Maia da Cruz Vermelha Portuguesa (embora "de baixa" neste momento) e como aprendemos na nossa formação, pensos rápidos não devem fazer parte do saco de um socorrista que se preze. Mas como "em casa de ferreiro espeto de pau"... usamo-los nos nossos pequenos acidentes domésticos.


Há uns tempos, ao usar um, pus-me a reflectir na quantidade de desperdício que traz atrás: a embalagem individual (em papel colado) em que vêm, os pedacinhos de papel (ou plástico) que protegem a parte colante, o próprio penso que é feito principalmente de plástico e cola (nada amiga do ambiente) e a caixa de cartão onde estão guardados. Como posso reduzir tudo isto?


Não, os pensos em spray também não me parecem boa ideia...

Investigando o saco do meu imão mais novo (também socorrista), que se abastece na Bastos Viegas (através da internet), "descubro": uso gaze em rolo (e não as compressas de gaze esterilizadas que usualmente os socorristas usam e que vêm em embalagens individuais de plástico e papel...) e adesivo tipo papel, também em rolo. E com um bocadinho de paciência e uma tesoura até improvisei um "penso rápido" tão pequeno como os de compra (e de onde é acham que surgiu a ideia de os criar?...)

É um regresso às origens, "nada de novo", eu sei. Mas habituamo-nos às soluções mais imediatas e esquecemos as outras.

É menos prático? Um bocadinho. É regredir? Hum... não o vejo dessa maneira!

19 de fevereiro de 2010

111 - Utilizar sacos de lixo biodegradáveis


Apesar de já há bastante tempo não trazermos sacos de plástico quando vamos às compras, eles acabam por aparecer cá por casa.

Normalmente são usados para o lixo, pois pareceu-nos a melhor opção (ao menos eram reutilizados...). Seguindo uma sugestão da Cláudia Madeira, resolvi "investigar" este assunto.


Os sacos que encontrei cá por casa (um do Jumbo, outro do Modelo) têm impresso: "este saco é reciclável e 100% degradável, quando se apresenta quebradiço, está já em fase de degradação, devendo colocá-lo no seu recipiente de lixo doméstico", e tem também uma gota com a sigla d2w.

Até parece uma coisa boa, não?

Mas degradável não é biodegradável... e degradável, segundo percebi, não é suficiente porque continua a prejudicar o meio ambiente: estes plásticos, por "acção mecânica ou física", vão desfazendo-se em pedaços cada vez mais pequenos (mas em maior quantidade). Estes minúsculos pedaços podem ser ingeridos por seres menores (como o fitoplâncton, nos oceanos), acabando por os matar, além de que continuam a dispersar fortes poluentes químicos. Há quem diga mesmo que é melhor os plásticos não serem "biodegradáveis" do que serem só parcialmente "biodegradáveis".

Portanto, seguindo este raciocínio, nem estes sacos de plástico (das compras), nem, por exemplo, os sacos de lixo da marca Continente são ambientalmente "bons".

Para ser biodegradável os sacos têm que ser de bioplástico: feitos a partir de matérias naturais (normalmente milho, mas também cana de açúcar, celulose, ...).

A Vileda também anuncia sacos ecológicos mas descobri, como outros antes de mim, ao ler a embalagem, que são "só" degradáveis (apesar de serem feitos a partir de materiais usados, o que até é bom, porque implica menos gastos energéticos no seu fabrico) e eu agora quero dos biodegradáveis!

O que cabe na palavra Ecológico...

E finlmente, também no Continente, encontrei os sacos de lixo Bionatura, da Silvex, que são realmente biodegradáveis, feitos com bioplástico certificado da Mater-Bi, a partir de amido e plastificantes naturais. Para já só têm sacos de 12l (3,49€ a embalagem com 15 sacos), mas para nós servem muito bem.


Mas, e agora, o que faço aos sacos de plástico que me vêm parar às mãos (umas botas, um saco)???

16 de fevereiro de 2010

108 - Fazer o meu disfarce de carnaval apenas reutilizando e reciclando


Quando era pequena a minha tia fazia-nos (a mim e ao meus irmãos) as roupas de carnaval. Entre todos, tivemos disfarces de nazarena, arlequim, zorro, dama antiga (este foi o que gostei menos...), índio (e este o que gostei mais!). Quase todos serviram mais do que um de nós.

Na escola primária (sim, ainda sou do tempo da escola primária), era inevitável. Todos os anos, por esta altura fazíamos uma máscara de Carnaval, normalmente numa cartolina, decorada com o que a nossa imaginação ditasse.

Depois mantive o hábito (nos escuteiros, na faculdade e mesmo depois) de fazer o meu disfarce de carnaval quase só reutilizando peças de roupa e acessórios.

Nos últimos anos não me tenho "disfarçado" (o que não quer dizer que não me tenha divertido...) e, embora este ano fizesse tenção de o fazer, acabei por me ficar por uma máscara. Ainda não foi com molde em gesso (é o que dá deixar para a última hora), mas foi toda feita com "restos": de cartão e cartolinas, de fitas e botões. Infelizmente não fui previdente, tirando, antes, uma fotografia - porque já era de noite... - e não resistiu até ser de dia!

Há-de haver mais carnavais (e até outras alturas em que fazemos festas temáticas...)

Aqui ficam algumas sugestões mais ou menos elaboradas:

romântica (com todos os detalhes) e fácil, embora seja precisa paciência

Na escola da minha amiga Liliana (como noutras, também) fizeram um concurso de máscaras, mas só podiam concorrer os alunos que as fizessem reutilizando materiais. Vi as fotografias e havia algumas fantásticas (uma menina tinha um vestido de princesa todo feito com sacos de café!)

princesa (para profissionais...) - com plástico;
.
batman (bem original!) - com um guarda-chuva

Basta um pouco de imaginação... e algum jeito!

24 de novembro de 2009

24 - Comprar serradura para gatos biodegradável


À custa desta medida já há alguns dias que estremeço quando dela me lembro...

Eu já comprei, há uns meses largos, serradura ecológica para gatos. E a palavra certa é mesma essa: serradura. São uns grânulos de restos de madeira de pinheiro - serradura - prensada. Tem um cheiro muito agradável (mais do que qualquer areia convencional perfumada) a madeira, claro está. Cheiro que persiste mesmo depois de as gatas a usarem bastantes vezes. Uma embalagem dura imenso tempo e é fácil de ver quando tem que ser substituída: os grânulos ao absorver a urina vão-se desfazendo.

Então é perfeita!?

Não, não é.

Tem um pequeno (enorme) senão.

Ao voltar à sua forma natural - serradura - prende-se com uma facilidade fantástica às patas das bichanas, que a trazem para fora da caixa e a espalham por todo o lado. Literalmente por todo o lado. Foi assim que fiquei consciente de que as nossas gatas - que quando estamos presentes são uns anjinhos, capazes de saltar apenas entre o chão e o sofá, ou num momento mais arrojado, até uma cadeira - andam por TODO o lado. Incluindo em cima de armários de cozinha, cilindro, estendais de tecto, ...

Não aguentamos até ao fim da embalagem (que como disse dura mesmo muito tempo) e voltamos às areias tradicionais, variando entre várias marcas e tipos. Fui acabando a embalagem de serradura, juntando um pouquinho de cada vez à outra areia.

Mas agora, ao procurar uma areia ecologicamente correcta, chegamos, de novo, à serradura de pinheiro. Andamos, no Continente, à procura, em todas as embalagens, de todas as areias e sílicas e afins, com a esperança de encontrar alguma que dissesse biodegradável, pelo menos, visto que enviamos, por ano, cerca de 24 lt de areia para o lixo, no mínimo. Mas nada. Voltámos para casa com uma embalagem de Prop'chat: 8 lt - 7,53€. Que não é marca nem produto português. Mas é feita da reutilização de materiais e biodegradável.


Como já estamos prevenidos colocamos um tapete áspero em redor da caixa de areia (que é fechada). E o aspirador de mão mesmo ao lado (o que nos vai fazer gastar um bocadinho mais de energia eléctrica...)

Também encontrei, na internet, uma opção, da marca benevo, feita à base de milho (sem OMG). Ainda não a encontrei à venda em nenhuma loja real e custa-me partir já para uma compra online de areia para gatos. Ainda assim é a próxima hipótese, se esta segunda experiência com a serradura não correr bem.


Podemos sempre ensinar as nossas gatas a usar a nossa única sanita... Há até acessórios para facilitar o processo.

Talvez seja melhor esperar por uma casa com duas sanitas...

20 de novembro de 2009

20 - Deixar de usar pensinhos diários


Não sabia, mas o uso dos pensos diários não é recomendado por muitos ginecologistas, pois aumenta o risco de infecções!!!

A juntar a esta importante informação, o facto de serem compostos por vários materiais (causadores do tal aumento de risco de infecção), entre plástico, algodão branqueado com cloro, cola, não os tornam nada, nada agradáveis nem biodegradáveis.

E na verdade, este é um hábito relativamente recente. Comecei a usá-los, há uns anos, no fim da menstruação, depois fui prolongando o seu uso, até os colocar todos os dias. Sem ter para isso nenhuma razão específica.

Tendo em conta que tomo banho todos os dias, e às vezes até mais do que uma vez, e uso, normalmente, roupa interior de algodão, não me parece nada difícil pôr de parte este "adereço". Pelo menos não tem sido. A minha última caixa de pensos diários acabou há uns dias e, claro, não comprei mais nenhuma.


De qualquer maneira fica sempre a hipótese, em caso de necessidade, de usar os pensinhos da Natracare. São fabricados com materiais derivados da celulose das plantas e não de petroquímicos. Não são branqueados com cloro, o algodão é biológico e são 100% biodegradáveis. Aparentemente perfeitos! Uma embalagem de 22 pensos custa 2,75€. Enviando um email dizem-nos quais os locais, na nossa área, onde vendem os produtos desta marca.

Também encontrei, em vários sítios da net, pensinhos diários de algodão, reutilizáveis (laváveis). Têm padrões coloridos, molas em vez de cola... A mim não me cativaram. Até porque deixo de deitar fora para passar a lavar mais uma peça de roupa por dia...

Por isso, para mim, a solução é: nada!

12 de novembro de 2009

12 - Colar o autocolante "publicidade não endereçada, aqui não, obrigado" na caixa do correio...


... ou como medidas que, à partida, pareciam ser simples, se revelam um pouco complicadas.

Todos os dias retiramos da nossa caixa de correio "carradas" de papel. Um dia desta semana pesei todos os folhetos publicitários que tinhamos recebido só nesse dia: quase 400 g! E vamos TODOS os dias à caixa de correio. Recebemos folhetos de todos os supermercados e hipermercados, lojas de brinquedos, de electrodomésticos, de móveis, ginásios, talhos, comida ao domicílio, pizza ao domicílio, pão ao domicílio, viagens de 3 dias a Espanha por 15€, cartões de canalizadores, empreiteiros, e ainda me devo estar a esquecer de alguns. Imaginem a quantidade de papel que normalmente vai, directamente, para o ecoponto.

Uma das maravilhas de viver no Porto. Quando vivia na Maia não tinha noção da quantidade de publicidade que estava a perder...

E tudo isto é possível terminar com um simples autocolante, pensei eu.

O Zé Manel passou nos correios da nossa zona para pedir 2 autocolantes "publicidade não endereçada aqui não" (temos 2 caixas de correio à nossa guarda).

"Não temos", respondeu-lhe o funcionário. E explicou: "As pessoas vinham cá pedir os autocolantes e depois vinham reclamar; que tinham desaparecido, que os tinham tirado, que caíam..., agora não temos. Vá a uma daquelas lojas onde fazem plaquinhas e peça para lhe fazer (leia-se compre) uma com os dizeres do autocolante e pregue-a ou aparafuse-a." (!!!!!!)

Não conheço nenhuma loja de plaquinhas e como sou teimosa, quero ver, por mim própria, se o autocolante desaparece -também sou um bocadinho utópica: acho que, seja quem for que coloca os folhetos publicitários na minha área, é(são) pessoa(s) correctas...

Assim, tirei da net a imagem de um dos autocolantes amarelinhos e imprimi uma folha A4 cheia deles (não vá ser preciso...). Já coloquei 2 nas respectivas caixas de correio. Amanhã logo verei.

Se quiserem ter um "verdadeiro autocolante" podem (deve haver outros sítios) pedi-lo ao Instituto do Consumidor através do email autocolantes@ic.pt.

Eu por mim também gostava de poder colar este:


7 de novembro de 2009

7 - Apanhar o lixo do chão quando vou pela rua


Hoje apanhei do chão, no caminho entre a minha casa e o supermercado , um papel, um bocado de um garrafa plástica de água e um maço de tabaco vazio. Não consegui apanhar, de maneira nenhuma... um preservativo usado!!!!!!!!! Sim, leram bem. E não, mesmo o que apanhei não foi com as mãos nuas, mas com uma luva de vinyl, do par com que costumo andar na carteira, no caso de precisar de socorrer alguém (sou voluntária da cruz vermelha), porque até não sou "nojentinha" mas pegar em coisas desconhecidas do chão, arghhhh! Lembrei-me - enquanto pesquisava o chão à procura de lixo - de um desenho animado, quando era miúda, onde havia um urso que vivia num parque e tinha uma espécie de bastão com um "pico" na ponta para apanhar o lixo do chão. Bem jeito, dava embora do difícil acondicionamento na minha carteira!

Quando cheguei a casa fui à net procurar o tal urso. Era o Zé Colmeia, lembram-se? Desenho animado da Hanna-Barbera e cujo nome original é Yogi Bear (sem comentários...). O Zé Colmeia vivia no parque natural e passava a vida a roubar comida aos turistas, a ser apanhado pelo guarda florestal e a executar tarefas como castigo sendo uma delas... apanhar lixo do chão com o tal bastão.


Mas foi positivo. Num percurso de 15 minutos (fui num dos passeios para lá e no outro para cá) foi só isto que encontrei. Provavelmente porque vivo numa zona onde as pessoas são, maioritariamente, ou velhinhos que não concebem sequer a ideia de atirar lixo para o chão ou famílias muito novas com crianças que também não o fazem e barafustam com quem faz. E também, porque, devido às árvores nas ruas e no bairro, os varredores da câmara passam muitas vezes por aqui, de vassoura ou de aspirador!

Também encontrei caixotes onde colocar o que apanhei, coisa que, confirmando a lei de murphy, não costuma acontecer: normalmente quando tenho alguma coisa para deitar fora, ando com ela uns bons minutos até encontrar um caixote. O que, no meu entender, não justifica deitar as coisas para o chão, claro...

Entretanto interrompi este post e fui ao ecoponto da minha rua. Se isto fosse um jogo - apanhar o máximo lixo do chão - já sabia onde ir para uns pontos extra. Sim, à volta do ecoponto encontrei mais lixo no chão do que no meu percurso anterior. As pessoas vão colocar os papéis, as garrafas, as embalagens para reciclar mas se cai alguma coisa ao chão, mesmo ali ao lado do ecoponto, custa muito "dobrar a espinha" para a apanhar! A estas pessoas o brasileiro Hélio chama "Sugismundos"! Assim, apanhei mais uns papéis, uma embalagem de cereais, uma embalagem de plástico, uma lata, ...

Ah! E a luva que usei está afecta à função de apanhadora de lixo (e isolada do resto do conteúdo da carteira) e tenho um outro par para as emergências...