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26 de maio de 2013

214 - Recuperar as colheres de pau existentes ao invés de comprar novas


Continuo a usar - e a gostar - de colheres de pau (e não sou só eu). Mesmo que não fosse pela minha decisão de evitar novos objectos de plástico, não trocaria uma bela colher de madeira por uma de plástico.

No entanto, nos últimos tempos, tenho reparado que algumas das minhas colheres estão com um aspecto... bom... como hei-de dizer... pindérico. Deixei de as usar, andava a ver como as podia reutilizar e na minha lista dos "a fazer" constava "comprar colheres de pau".


antes

Até que, no meio dos meus apontamentos, encontrei uma dica (não registei a fonte) sobre impermeabilizar colheres de pau. Por associação de ideias (ando a recuperar uns móveis de madeira) também me lembrei de experimentar lixar as colheres a ver se ganhavam nova cara e... voilá! As duas coisas juntas transformaram as minhas colheres pindéricas... numas belas colheres rejuvenescidas!


depois

Como o fiz:
- lavei bem as colheres (estavam abandonadas há algum tempo) e deixei-as secar bem;
- lixei-as com lixa fina para madeira;
- coloquei, ao lume, um tabuleiro (porque não tenho nenhum tacho onde as colheres maiores caibam "deitadas") com vinagre branco suficiente para cobrir as colheres;
- quando o vinagre começou a ferver, submergi as colheres e mantive-as ao lume durante 10 minutos;
- retirei-as, deixei-as secar e pronto!

Fácil, não? Hei-de experimentar com as tábuas de cozinha...

Nota: podem impermeabilizar só a parte da colher que entra em contacto com os alimentos.
Outra nota: as colheres de pau - habitualmente -devem ficar ao ar (de preferência onde sejam banhadas pelo sol), e não guardadas numa gaveta ou noutro local com pouca ventilação (como as bactérias gostam).

E se as vossas colheres estiverem num estado tal que não permita recuperação, aqui ficam algumas (muitas mais há) ideias para lhes darem uma nova vida:





8 de dezembro de 2012

210 - Fazer todos os produtos necessários para a limpeza da casa


Se no início deste desafio procurava soluções compradas mais amigas do ambiente do que as convencionais, à medida que fui pesquisando e aprendendo mais, fui mudando a minha maneira de pensar em relação a este assunto (e a muitos outros...). Comecei a substituir os produtos comprados (ainda que mais "verdes") por soluções caseiras, usando ingredientes simples, acessíveis e não agressivos, como o vinagre, o bicarbonato de soda, ...

O primeiro produto que substitui foi o limpa-vidros. Depois fui arranjando soluções para afugentar as traças,  as pulgas das gatas, e outros "bichinhos" que não são muito bem vindos em nossas casas...

Claro que há uma imensidão de receitas, para tudo e mais alguma coisa, por essa internet fora. Eu continuo fã dos meus livros de receitas caseiras.

Com meia dúzia de ingredientes podemos fazer todos os produtos necessários para a limpeza de uma casa:
Bicarbonato de sódio
Neutraliza os ácidos, funciona como desodorizante, combate a gordura, limpa alumínio, plástico, porcelana, aço inoxidável, ...
Vinagre
Desinfectante, permite dissolver depósitos de calcário e remover a gordura.
Bórax
Desodoriza, inibe o crescimento de bolores, aumenta o poder de limpeza do sabão ou dos detergentes.
Sumo de limão
Limpa vidros, remove manchas do alumínio, porcelana, ...
Sabão líquido natural para a louça
Neste post deixei uma receita. Remove a gordura.
Óleos essenciais
Além do seu perfume agradável, têm propriedades de complementam a dos outros ingredientes.

Aqui deixo-vos as que usamos neste momento cá em casa. Agora faço - quase sempre - tudo "a olho", mas estas são as medidas das receitas originais.

Spray multiusos
(para limpar todas as superfícies, excepto as de madeira)

½ c. de chá de boráx
250ml de água tépida
½ c. de chá de vinagre branco
½ c. de café de sabão líquido natural para a louça
5 gotas de óleo essencial de alfazema
3 gotas de óleo essencial de alecrim

Para limpar a casa de banho acrescento mais vinagre (3 c. de sopa) e substituo o óleo essencial de alecrim por 2 gotas de óleo essencial de eucalipto e 2 gotas de óleo essencial de limão.

Misture o bórax e a água num frasco vaporizador. Junte os restantes ingredientes e agite bem antes de cada aplicação.

Limpa-vidros
(aqui deixei mais receitas)

2 chávenas de água
1 chávena de vinagre branco
2 gotas de óleo essencial de limão (opcional)

Misture tudo num frasco vaporizador e agite bem antes de cada aplicação.
Utilize papel de jornal para a limpeza dos vidros.
(Não se devem limpar os vidros quando bate o sol, pois ficam com brilho azulado)

Limpa-móveis (de madeira)

1 parte de azeite extra virgem
1 parte de sumo de limão

Misture num frasco vaporizador e agite bem antes de cada aplicação.

(as receitas com sumo de limão devem guardar-se, no máximo, durante 1 semana, as restantes duram bastante tempo. Lembrar de agitar antes de usar, porque podem ganhar depósito.)

Limpa-soalhos

10l de água quente
60ml de vinagre branco
15 gotas de óleo essencial de alfazema

Misture todos os ingredientes num balde grande e passe o chão com uma esfregona.

Limpa-chão (mosaicos)
(aqui deixei mais receitas)

2 c. de sopa de bicarbonato de soda
2 c. de sopa de sabão líquido natural para a loiça
125 ml de vinagre branco
10 l de água quente
10 gotas de óleo essencial de eucalipto
5 gotas de óleo essencial de limão

Misture todos os ingredientes, excepto os óleos essenciais, e mexa bem. Junte os óleos e volte a mexer. Aconselham a, depois de passar o chão com este produto, a enxaguar com água limpa. Eu não o faço.

“cif”

3 c. de sopa de bicarbonato de soda
3 c. de sopa de bórax
1 c. de chá de sabão líquido natural para a loiça
5 gotas de óleo essencial de alfazema
5 gotas de óleo essencial de eucalipto

Misture os ingredientes num recipiente de vidro. Molhe as louças sanitárias e aplique o produto com uma esponja ou um pano. Enxague bem.

Estes são os habituais. Para situações pontuais ou problemas inesperados socorro-me das minhas bíblias... 

Por exemplo, para limpar o forno - que usamos esporadicamente - uso bicarbonato de soda:
pulverizo o forno com água quente, espalho uma camada fina de bicarbonato de soda na base do forno e volto a borrifar com água quente. Deixo ficar durante a noite. Em seguida esfrego bem com um esfregão de arame e enxaguo.

Também já tinha falado aqui de soluções naturais para desentupir canos.


E se acham que gastam muito tempo nas limpezas da casa,
aproveitem as dicas da Jamie (como limpar a casa uma vez por mês) e da Rita (speed cleaning).

Boas (e verdes) limpezas!

17 de outubro de 2012

208 - Encontrar um pano esponja de cozinha "verde"


Para começar, não sei se já repararam que o fundo do blog passou de azul-escuro a branco...
Segundo os peritos destas coisas, a maior parte das pessoas, hoje em dia, tem monitores que "poupam a branco/cores claras" ao contrário do que provavelmente acontecia na altura que escrevi este post (se quiserem informação mais técnica leiam também os comentários dos leitores).
Simplificando muito, e se bem percebi, portáteis (o que eu tenho) e monitores planos poupam a branco, os outros a preto. E, para quem não anda por aqui desde o início, vejam se já reduziram o brilho do monitor. O ambiente e os vossos olhos agradecem!

Passando ao assunto principal deste post.

Andava já há algum tempo à procura de uma solução para substituir o pano esponja da cozinha (parece que é o nome oficial, eu costumo chamar-lhe... pano de cozinha). Cheguei a comprar os panos da linha Naturals, da Vileda (tal como a esfregona de que falei aqui), 100% biodegradáveis, mas... quanto a mim ficaram "pindéricos" depressa de mais, o que faz com que - mesmo sendo biodegradáveis (...) - o processo de fabricação, transporte, ... não compense o tempo de uso que têm.

Depois lembrei-me de experimentar t-shirts velhas. Estas já são reaproveitadas por cá na limpeza da casa (é uma das coisas que eu já fazia, mesmo antes de iniciar este desafio).


Mas, e o tal do poder absorvente? Há uns panos que "anunciam" uma capacidade de absorção em 10 vezes o seu peso a seco... Certo, não são tão absorventes, claro. Mas, pelo menos para nós, chega muito bem. E somos pessoas bem activas na cozinha!

O único cuidado que tenho é guardar as t-shirts brancas para este fim (no resto das limpezas podem ser de qualquer cor...), para ter uma boa noção do nível de limpeza/sujidade. E acreditem, estes panos duram muito tempo. E podem ser lavados. E quando realmente já não tiverem mais uso, bom, vão para o lixo.

Não vos parece a solução mais sustentável?

4 de setembro de 2012

206 - Bater as claras (e não só) manualmente


Deixem-me começar por vos desejar um óptimo ano (lectivo)!!!


Durante as férias tive oportunidade de experimentar algumas daquelas receitas de sobremesas que vamos guardando para um dia fazer e... vamos adiando e adiando. Como em agosto "ele" foi aniversários, baptizados, almoços de família, festas só porque sim (ainda bem que para compensar também tive muita actividade física), aproveitei para aperfeiçoar os meus dotes de pasteleira.

Foi neste processo que me apercebi que podia poupar alguma energia, água e detergente. Eu sei que é coisa pouca, comparado com, por exemplo, a energia que se poupa desligando a arca congeladora, mas, grão a grão...

Normalmente uso o robot de cozinha para bater os bolos. Ora, quando a receita inclui bater claras em castelo, o processo complica-se um pouco. Se as bato antes, elas "caem" (e a dica de colocar um garfo metálico para impedir que tal aconteça, não funciona, pelo menos não comigo), se deixo este passo para depois, tenho que retirar o que estiver no robot (para outro recipiente), lavá-lo, secá-lo muito bem, para então bater as claras.

Numa das vezes - e devo confessar que foi mais a preguiça de lavar louça a falar do que a consciência ambiental - lembrei-me de experimentar bater as claras com um batedor manual que andava cá por casa, como se fazia antigamente (e sabiam que o recipiente deve ser de cobre não estanhado ou porcelana??? Eu não).

E não é que até correu bem? A partir daí tenho batido todas as claras por este processo e até já cometi a loucura de fazer um bolo de forma totalmente "artesanal"...

Devo frisar que tenho a capacidade, extremamente útil, de usar alternadamente as duas mãos - com igual competência - em inúmeras tarefas, o que faz com que não tenho sentido qualquer desconforto nos pulsos ou braços, como é suposto nas primeiras vezes... mas não desanimem, se não possuem esta bela habilidade, pensem nesta actividade como mais uma forma de exercício!

Agora só me falta construir um forno solar, para poder fazer bolos "energy free"...



parece que este é o ideal



uso um destes



para quem não aguentar o esforço físico...


31 de outubro de 2010

182 - Confeccionar conservas caseiras

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Como, quase desde o início do desafio, desligámos a arca congeladora do apartamento, temo-nos contentado - e bem - com o congelador do frigorífico. Tal como disse na altura não costumamos comprar congelados mas vamos sempre guardando uma sopa aqui, um estufado ali, ..., para quando não temos tempo, ou vontade, para cozinhar.

Devido à abundância de legumes e à falta de espaço no congelador, resolvi recuperar técnicas antigas de conservação de alimentos sem utilizar o frio...

Como a minha mãe sempre adorou fazer compotas, habituei-me a ver (e a ajudar...), todos os Outonos, o paciente ritual de tranformação de marmelos, maçãs, pêras, pêssegos, abóboras, em geleias brilhantes, caldas doces, marmeladas suculentas. O cheiro deste período do ano é um dos meus aromas de afecto. Mas... tirando a marmelada (comida com queijo), na verdade não sou grande fã de compotas e, por incrível que pareça, a minha mãe também não. Daí o ter começado a oferecer compotas e geleias, com tanto sucesso, que hoje tem marca própria - 100 sabores - comercializada nalguns pontos do norte do país. Quem prova não quer outra coisa...

Bom, com a fruta não tenho que me preocupar, mas tomates, beringelas, pimentos, courgette... foi uma fartura este ano, e todas as semanas trago cestos a abarrotar de vegetais (a minha mãe - e os vizinhos que nos vêm chegar - deve pensar que temos, escondidos algures nos nossos 75m2, uma família de refugiados famintos...).

Como não damos conta de tanto legume, e depois de algumas épocas de estágio na cozinha da minha mãe, dediquei-me, este Verão e Outono, nalguns fins-de-semana, a preparar conservas para o Inverno (qual formiguinha).

Aproveitando o calor do Verão comecei por secar tomates ao sol, cortados ao meio e estendidos num tabuleiro - coberto com rede mosquiteira - em cima do estendal na nossa (sobrelotada...) varanda. Com o calor que esteve, em três dias secaram. Guardei-os num frasco ("encolhem" bastante) com alhos esmagados, sal, oregãos, uma pitada de açúcar e cobertos de azeite. A ideia era ficarem para "mais tarde", mas passados uns dias resolvemos experimentá-los, num jantar com amigos, e.. foram todos. Nem um para a fotografia!

Pela mesma altura resolvi experimentar secar, também ao sol, beringelas. Gosto de pensar que inventei esta hipótese porque até agora não a vi em mais lado nenhum, mas provavelmente já alguém, algures, teve a mesma ideia. Simplesmente cortei a beringela à rodelas, polvilhei-a com um pouco de sal e coloquei-a ao sol. Depois guardei-a em frascos, tal como fiz com o tomate (sem o açúcar, e juntando um pouco de pimenta-caiena). Fica óptima, mas tem que realmente se gostar de beringela. Digam lá se não parecem trufas?


Só depois li que o sol destrói algumas vitaminas e que se deve fazer a secagem à sombra (fica para o ano).

Também há receitas para secar tomates no forno, mas tendo em conta que lá ficam horas e horas e horas, este não é um processo muito ecológico...

Aliás tirando a secagem ao ar, qualquer outro método de conservação de alimentos implica sempre um gasto energético. Uma arca congeladora gasta energia. O fogão onde fazemos as conservas também. Um desidratador, bastante usado no crudivorismo, também (a não ser que façamos um desidratador solar!). É uma questão de optar (e cada caso é um caso) pelo mais "contido", energeticamente falando.

No nosso caso (somos dois), pareceu-me melhor gastar mais alguma electricidade em 2 ou 3 dias, do que durante 365 dias no ano.

E o que conservei eu? Há um livro fantástico, que pedi emprestado à minha mãe: Conservas, de Oded Schwartz (como gostava de ver a despensa deste senhor...); lindo e apetitoso, que só nos dá vontade de começar a fazer conservas a torto e a direito. Claro que a internet também é um mundo, mas desta vez fiquei-me pelo método mais tradicional... e também inventei um bocadinho...


Tendo em conta que era a minha primeira vez, fiquei-me pelas mais simples.

- Tomate: molho de tomate (mais e menos triturado), tomate assado (e não seco) em azeite (os tomates em vinagre - à direita - são da autoria da minha mãe):


- Beringela descascada em azeite, beringela aos cubos em azeite:


- E pimentos (super) picantes em azeite (e ainda vou fazer pasta de pimento):


Para o ano também hei-de conservar courgette e outras abóboras. E talvez experimentar os Chutney e conservas em vinagre que a minha mãe faz...

Ah! E não se esqueçam de esterilizar os frascos (reutilizados) antes, e pasteurizar depois (as conservas em azeite não necessitam).
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30 de outubro de 2010

181 - Encontrar um modo ecológico de afiar as facas

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Andava eu nas minhas pesquisas para encontrar a maneira mais sustentável para afiar as facas da cozinha...

Em casa dos meus pais usava-se um fuzil, e o responsável pela tarefa de afiar as facas era o meu pai, primeiro, e depois - por herança - o meu irmão mais velho. Deve ser uma daquelas tarefas que remete para tempos e tarefas longínquas, pois normalmente cabe ao homem da família este ritual... Claro que, nos dias seguintes ao afiar das facas, a minha mãe cortava-se muito mais.

Como dizia, andava eu sem saber se comprava um fuzil (ou chaira): de metal ou cerâmica; uma pedra: de "pedra" ou de cerâmica; ou um twinsharp select: muito mais moderno, mas também muito mais simples - e aliciante - para quem não percebe nada desta verdadeira arte.

Claro que já tinha colocado de lado todos os afiadores eléctricos e também aqueles pequenos de plástico com uma ranhura onde se insere a faca (estes últimos também porque o meu irmão caçula, que está na área de "catering e hotelaria", quase me bateu...).

E assim, algures durante a minha indecisão, numa bela e calma manhã de domingo, entra, pela janela aberta da nossa sala - e coada pela folhagem das árvores do bairro - a melodia característica de... um amolador de facas!
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E eu, iluminada do mais puro espírito "365 coisas que posso fazer...", num minuto fui à varanda acenar ao senhor amolador, à cozinha agarrar nas nossas 5 facas (já bem rombas de tanta indecisão) e entregá-las ao homem acabado de chegar, na sua bicicleta centenária, à porta do nosso prédio. Obedientemente voltei para casa: "quando estiver pronto toco à campainha", toda contente comigo mesma.
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Há lá coisa mais sustentável? Não preciso de comprar nenhum novo objecto e ainda estou a contribuir para que não desapareça uma profissão, já quase extinta e que, provavelmente, só subsiste em bairros e zonas como a nossa, onde os moradores são quase todos octogenários.

Pois...

Mas quando o senhor amolador tocou à campainha e me disse que o preço de afiar 5 facas "são 15€, menina, 3€ cada uma", o meu entusiasmo esfumou-se num segundo...

E não, não precisam de me dizer nada. Eu sei. Devia ter dado só uma faca, para experimentar. Ou devia ter perguntado antes. Ou ambas as coisas...

Tenho muita pena, a sério. As facas ficaram bem afiadas (durante quanto tempo? Verei). Acho a melodia da gaita de cinco tubos agradável e representativa de uma urbanidade, de uma época e de uma série de personagens características (também o moço de fretes, o engraxador, a peixeira, ...) que gostava que continuassem a formar a minha cidade (nostalgia?...). Até posso aceitar que o valor levado pelo amolador seja justo, mas para mim - e para o uso que dou às facas - é elevado.
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O "faça você mesmo" também é sustentável e por menos de 10€ compramos uma pedra de amolar ou um fuzil e aprendemos a utilizá-lo. Ou, ainda mais ecológico, usamos o fundo das canecas de cerâmica, como descobri depois...

Em última instância, se ambos formos uma nulidade a afiar facas, compramos uma daquelas japonesas - que há uns anos dava na televisão - que nunca precisam de ser afiadas... Está bem, esta última não é uma opção ecológica... É um desabafo. Estou errada? Estou a ser mais uma a levar à extinção o senhor amolador?

E o meu vizinho pagou 2 € para arranjar a vareta do guarda-chuva...
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29 de outubro de 2010

180 - Cortar e picar os alimentos à mão ao invés de o fazer no robot de cozinha

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Apesar de esta medida estar "no geral", a verdade é que os únicos alimentos que pico na bimby (robot deve ser um insulto...), quando não vou continuar a usar a mesma (o que implica não só gastar energia, mas também água e detergente para a lavar) são cebola e alho.

Sim, eu tenho esta "panca". Quando corto ou pico um destes tão comuns alimentos na nossa cozinha, acho que fico com o seu cheiro entranhado nos dedos durante uma semana... E que é perceptível num raio de vários metros...

Já usei um esmagador de alhos (mas esmagar e picar são coisas diferentes)...


... e também já tive um picador de cebola (claro que posso sempre comprar outro, se mais nada resultar...).


E sim, eu conheço os vários truques para retirar o cheiro das mãos (e até já experimentei quase todos deles, mas acho sempre que não resultam):

- colocar as mãos debaixo de uma torneira com água corrente e esperar um ou dois minutos, sem esfregar (nada ecológico...);
- cortar um limão ao meio (também há quem use laranja, mas quem quer ficar com o cheiro de laranja nas mãos???) e esfregar as mãos no limão durante uns minutos;
- esfregar (e esmagar) um pé de salsa com os dedos e passar por água;
- esfregar borra de café nas mãos e lavar em seguida;
- lavar as mãos com vinagre;
- esfegar as mãos com um pouco de leite e, claro, lavar em seguida;
- esfregar um punhado de sal grosso nas mãos, depois lavar em água corrente (nalgumas versões é sal com detergente da louça);
- esfregar as mãos com açúcar (tal como o sal, esfolia) e lavar;
- esfregar pasta de dentes nas mãos e depois lavar;
- passar um pouco de polpa de batata ralada nas mãos e depois lavar normalmente;
- lavar as mãos com a água da lavagem do arroz (não lavo o arroz...);
- esfregar a polpa de um tomate nas mãos (que desperdício! Além de que não existe durante todo o ano);
- lavar as mãos em água corrente abundante, usando um objecto de aço inoxidável (a faca com que se esteve a usar, por exemplo. Até há uns sabonetes próprios);
- usar luvas (sim, já cortei cebola com as luvas de cozinha calçadas... mas não gostei);
- devo dizer que até já cortei alho com faca e garfo... achando que era verdadeiramente paranóica. Até descobrir que existe isto (e perceber que há mais pessoas como eu...):


Mas hoje tomei a decisão - radical... - de tratar a minha mania de estimação (uma das...). Assim receitei-me a proibição do uso da bimby para o fim aqui referido e o estudo de várias conjugações das dicas acima descritas, até encontrar a ideal (usando o olfacto imparcial do Zé Manel), esperando, no processo, perder finalmente a paranóia...

Dar-vos-ei notícias dos resultados!
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28 de outubro de 2010

179 - Limpar com regularidade os sifões e os filtros


Como prevenir é mais ecológico que remediar, o primeiro passo é evitar que as canalizações cá de casa entupam.

Supostamente, devemos, regularmente (quando notamos que a água não escoa tão bem), inspeccionar e limpar os sifões do lava louças e lavatório e a caixa (sifão) do chão do quarto-de-banho.


Como até já limpamos o filtro da máquina de lavar roupa ainda olhei para a tampa do sifão do lava louças... mas perdi logo o entusiasmo todo! Assim, como queremos evitar ao máximo tão interessante tarefa (além dos benefícios ecológicos desta medida, claro...) temos o máximo cuidado com o que deitamos pelos canos cá de casa.

Na cozinha temos a sorte de o lava louças ter uma espécie de balde pequeno perfurado que recolhe qualquer detrito sólido que consiga passar pelo tampinha do ralo (desculpem-me mas não me estou a lembrar dos nomes técnicos das coisas...) e assim é extremamente difícil algo passar e entupir os canos. E, claro, que nunca deitamos gorduras pelo ralo abaixo (reciclamos tudo o que é óleo/azeite)!

No quarto-de-banho só tenho que ter cuidado com os cabelos que (principalmente nesta altura do ano) ficam depois do banho (mais eficiente só se rapar o cabelo como o Zé Manel...). Também não deitamos nada que não seja "suposto" pela sanita abaixo.

Uma das medidas de prevenção é, uma vez por mês, deitar uma boa quantidade de água a ferver pelos canos da casa... (principalmente pelos mais problemáticos). E para o fazerem podem usar, por exemplo, a água de cozer massa. Assim não desperdiçam nem mais água nem mais energia!

Se a prevenção não correu bem, o mais ecológico método é o velhinho desentupidor de borracha. Normalmente costuma ser suficiente (de preferência coloque um pano entre o ralo e o desentupidor. Se não o fizer vai perceber o porquê desta dica...).



Se precisar de algo mais... não use soda cáustica! Há várias receitas caseiras, ecológicas (só não o são mais porque gastam alguma água), para dissolver o que quer que seja que está a impedir a passagem da água:

1ª - Sabão ou detergente da louça e água a ferver
(só se os canos ainda não ficarem com água até ao ralo - ou mais até...)
É só deitar um pouco de sabão no ralo do cano entupido, seguido de água a ferver. Normalmente funciona se o problema for gordura em excesso;

2ª - Fermento e água a ferver
Colocar 2 colheres de sopa de fermento em pó no ralo do cano entupido e despejar uma panela de água a ferver por cima.

Depois a mais eficiente, ou melhor, as mais eficientes (há muitas variantes) são as que usam sal, vinagre e bicarbonato de sódio:

3ª - Deite ¾ copo de bicarbonato de sódio pelo ralo, em seguida ½ copo de vinagre. Cubra o ralo com um pano velho e deixe actuar durante 30 minutos. No final do tempo deixe correr um pouco de água morna. Esta já experimentei (não nos nosso canos...) e resulta;

4ª - Junte 1 copo de vinagre, ½ copo de bicarbonato de sódio e 2/3 colheres de sopa de sal. Deite pelo ralo e cubra durante 30 minutos. Para terminar, deixe correr um pouco de água morna;

5ª - Junte ½ copo de sal, ½ copo de vinagre e ½ copo de bicarbonato de sódio e deite no cano entupido, seguido de uma panela de água a ferver.

Atenção que o bicarbonato e o vinagre reagem e fazem "espuma e vapor"!

Se nada disto resultar, existem outros métodos mais elaborados (uns desentupidores mais apetrechados, varetas, mangueiras, ...) ou até a hipótese de chamar um desentupidor(a) - senhor(a) que faz desentupimentos.

Os químicos (muito poluentes) devem ser sempre a última solução!

E devo confessar que até fiquei com vontade de um dia ficar com a sanita entupida (de coisas mais ou menos limpas...) só para testar este método hilariante:

Material
cerca de 1 cm de folhas de jornal ou qualquer papel (tamanho A3).
Passos
1 - Colocar as folhas de jornal sobre o assento e fechar o tampo;
2 - Subir sobre o tampo com os dois pés e pressionar - dar pulinhos leves (!!!) - como se fosse um desentupidor;
3 - Sem sair de cima do tampo, porém sem fazer o movimento anterior, puxar o autoclismo, se necessário duas vezes.
E pronto, já está!!
Importante: Caso esteja muito acima do peso, peça ajuda para outra pessoa subir e pressionar o tampo do sanitário.
Obs.: o papel utilizado fica intacto.
...

25 de outubro de 2010

176 - Aprender a guardar melhor legumes e frutas


Claro que o ideal seria comprar os legumes e frutas frescas todos os dias (e não ter que usar o frigorífico...). Ou, melhor ainda, apanhá-los da terra todos os dias (Ai, ai, ...)!!!
Cá em casa só consumimos fruta e legumes da época, de produção local e, de preferência, biológicos. E não compramos frescos nas grandes superfícies. E, infelizmente, não temos uma verdadeira mercearia por perto e as feiras locais (quer a tradicional, quer a biológica do parque da cidade) são só ao sábado.

Mas temos uma opção óptima: como já disse várias vezes, a minha mãe, professora reformada, dedica-se à agricultura biológica na sua pequena propriedade numa aldeia entre Penafiel e Amarante. E, (quase) todos os domingos, lá vimos nós carregados de legumes e fruta acabadinhos de apanhar!


Claro que o desafio é fazê-los durar, frescos e viçosos durante toda a semana. Porque, apesar de fazermos vermicompostagem, deixar estragar alimentos não cabe nas nossa opções - ecológicas ou não. E comecei a reparar que os legumes biológicos se deterioram mais rapidamente do que os "normais". Por exemplo as cenouras grandes, lustrosas e perfeitas do supermercado duram semanas, mas as pequenas, sujas, mas muito mais saborosas, cenouras da minha mãe amolecem com relativa facilidade.

Assim não fiquei surprendida em ler (já nem sei onde), por exemplo, que os tomates são manipulados geneticamente para não se amassarem no transporte, os morangos injectados com corantes, ... Nem fiquei admirada com este artigo acerca de um estudo da Proteste sobre os nitratos nos legumes frescos dito "normais"...

Ai os meus ricos legumes biológicos!

Com a prática, conselhos de outros mais experientes, artigos encontrados na internet e nos meus livros, fui aprendendo alguns truques para conservar por mais tempo os frescos.

Aqui os deixo. Se tiverem mais dicas e as quiserem partilhar, enviem-mas e eu junto-as a estas!

As batatas, alhos e cebolas (não são propriamente "frescos"...) devem ser guardados em locais escuros e frescos para que não grelem ou apodreçam. Os tradicionais sacos de serapilheira são óptimos.
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As frutas podem ser guardadas no frigorífico, embrulhadas - no caso das peças grandes - uma a uma, em papel vegetal, ou em caixas, tal como os legumes, mas aqui não tenho muita experiência, as nossas aguentam bem na fruteira. As bananas e os kiwis devem ficar à temperatura ambiente e longe das outras frutas para que não amadureçam muito depressa.

Os legumes armazenados por mais de uma semana no frigorífico podem perder nutrientes. Mas, ainda assim, é um bom lugar para os guardar, porque as enzimas responsáveis pelo processo de amadurecimento são mais sensíveis ao frio e demoram mais tempo a actuar. Alimentos bem embalados ou acondicionados não perdem nutrientes com facilidade, uma vez que não ficam em contacto com o ar. De qualquer maneira, começando a chegar o frio do Inverno começa a ser menos necessário usar o frigorífico (pelo menos aqui, na nossa casa "fresquinha"...)

Há alguns cuidados gerais a ter em atenção:
- Alimentos ainda molhados ou ligeiramente húmidos deterioram-se rapidamente. Se lavar os vegetais, como alface, rúcula, etc., para guardá-los limpos e prontos para serem logo utilizados, deve certificar-se que ficam bem secos;
- Colocar uma folha de papel (ou uma toalha/pano) na gaveta dos legumes do frigorífico ajuda a absorver a humidade excessiva;
- Colocar a alface, couve, espinafres ou hortaliça com os pés dentro de uma bacia com água dentro do frigorífico permite manter a frescura e as folhas viçosas;
- Legumes que já não estão muito frescos melhorarão se forem colocados em água fria antes de serem lavados e cortados, repousando assim pelo menos por 1/2 hora;
- Retire sempre as partes ou folhas estragadas antes de guardar as verduras.

Guardar e "espevitar" (alguns vegetais)

Abóboras
Se tiver uma abóbora inteira que vai cortando à medida das suas necessidades, durará mais tempo se ao invés de a cortar no sentido longitudinal, o fizer na transversal.
Agriões
Depois de lavados e secos guarde os talos mais tenros num saco de plástico na gaveta dos legumes do frigorífico.
Aipo, salsa, coentros, cebolinho, ...
Para conservá-los sempre frescos, coloque-os de pé numa jarra contendo água e uma pitada de sal, e guarde no frigorífico.
Também pode, antes de guardar no frigorífico (sem ser na tal jarra), queimar (com um fósforo, por exemplo) bem as partes onde foram arrancadas;
Ou pode humedecê-las e embrulhá-las em jornal, também bem humedecido com água; manter esta humidade até as usar.
Alface
Para conservar bem um pé de alface por alguns dias há várias soluções:
- borrifar a alface com água, e embrulhá-la num pano ou jornal molhado com água, tendo o cuidado de manter essa humidade até o momento de a usar.
- guardar no frigorífico (na gaveta forrada com papel ou toalha), tendo, perto delas, 1 limão partido;
- retirar as folhas velhas, lavar e secar muito bem, colocá-la no frigorífico dentro de uma caixa plástica (ou de vidro) com tampa bem fechada;
Alho Francês
Colocar dentro de um recipiente plástico (ou de vidro) fechado e conservar no frigorífico.
Cenouras
Para que não fiquem moles e secas, retire o talo antes de as guardar. Pode lavá-las, secá-las e guardá-las numa caixa, na gaveta do frigorífico. Se estiverem murchas coloque-as dentro de um recipiente com água.
Cogumelos
Os cogumelos frescos conservam-se mais tempo se forem guardados num saco de papel na gaveta dos legumes do frigorífico.
Couve
Não arranque os talos, mantenha as folhas inteiras e guarde-a dentro de um recipiente de plástico na gaveta do frigorífico.
Se estiverem verdes, porém um pouco murchas, deixe-as com os talos mergulhados em água fria (mais ou menos meia hora).
Couve Roxa
Guarde-a - sem lavar nem molhar - dentro de uma caixa plástica bem fechada ou embrulhada muito bem em papel vegetal.
Espargos
Se os espargos frescos que estão guardados ficarem moles, reviva-os, colocando-os de pé, dentro de um recipiente fundo contendo água gelada. Cubra tudo com um saco plástico e leve ao frigrorífico durante meia hora.
Espigas de milho
Coloque-as inteiras e com as cascas num recipiente com água - com as extremidades voltadas para cima - e guarde-as no frigorífico.
Pimentos
Colocar dentro de um recipiente plástico (ou de vidro) fechado e conservar no frigorífico.
Rabanetes e Nabos
Conservam-se frescos se mergulhados com as folhas - e não com as raízes - dentro da água.
Tomates
Se tiver que guardar alguns tomates maduros fora do frigorífico, coloque na parte onde se arrancaram os cabos um pouco de farinha de trigo.
Também podem ser guardados (duram até 1 mês), se forem colocados bem secos num recipiente plástico e cobertos com farinha de trigo. Fechar bem o recipiente e guardar na gaveta do legumes, no frigorífico.
Se os tomates estiverem muito maduros e moles para serem cortados e usados em saladas, mergulhe-os por alguns minutos em água fria salgada.

20 de setembro de 2010

171 - Usar uma garrafa térmica com água gelada


Genial de tão simples, não é?

Mas não foi ideia minha, desta vez... Na verdade já não sei onde li, mas "tiro o chapéu" a quem se lembrou de tal!

No Verão sabe bem água fresca, quando está muuuuiiiiito calor. Eu costumo misturar meio copo de água natural (da torneira) e meio da que está no frigorífico (também da torneira...), mas o Zé Manel bebe fresca ou, de preferência, gelada.
Eu bebo bastante água. O Zé Manel bebe imensa água. É proporcional: eu suo pouquinho, ele perde água por cada poro da pele...


Agora vejam lá as vezes que, num dia, abrimos a porta do frigorífico só para ir buscar água. Muitas. Segundo um livrinho que me ofereceram nos anos "Como reduzir a sua pegada de carbono - 365 conselhos que fazem a diferença" (pois eu sei... irónico, não é?), de Joanna Yarrow, de cada vez que abrimos a porta do frigorífico escapa-se até 30% do ar frio interior. É bastante!

Como fazer? As garrafas térmicas são isso mesmo, térmicas. Apesar da maior parte das pessoas (nós...) as usar para conservar alimentos ou bebidas quentes, também conservam, claro, frios...

Novo ritual matinal cá em casa:

- pegar na nossa garrafa térmica maior - que tem dois depósitos e uma torneirinha!!! (digam lá que não é o ideal);
- enchê-la de água e de cubos de gelo (mais num depósito do que no outro...);
- e - voilá!!! - está pronta água fresca (numa determinada altura muito fresca) para todo o dia (e noite)!

É, ou não é, genial?!

(claro que quem tem um frigorífico com dispensador exterior de água e gelo, não precisa de nada disto...)

14 de julho de 2010

165 - Comprar apenas sal artesanal


Ir às compras - dos ditos bens essenciais - é para mim agora tarefa para durar o dobro - não - o triplo do tempo, em relação ao "antes deste desafio"...

(Devo aqui fazer um parênteses para homenagear a paciência do Zé Manel enquanto, por exemplo, leio a lista detalhada de ingredientes de, não um, nem dois, mas de vários podutos similares... E isto só para referir um episódio, de entre vários acontecidos numa mesma ida às compras!)

Nós já não usávamos sal refinado. Aliás usamos bastantes ervas e especiarias e pouco sal, mas às vezes, sal... é sal! Usamos flor de sal em pratos não cozinhados - tem um sabor melhor, quanto a mim - e sal grosso nos restantes casos.

A flor de sal ou o "diamante das salinas" é, até pela delicadeza do processo da sua recolha, sempre artesanal. Penso que a que temos neste momento em casa foi comprada numa feira de artesanato e é da Figueira da Foz. Agora já se encontra flor de sal em todos os hipermercados mas até há pouco tempo ia toda para o mercado estrangeiro (parece que, no mercado francês custava 45€ o quilo!)

Mas, ao me deparar, na prateleira do supermercado, com tantos sacos de sal de marcas diferentes, pus-me a pensar: "haverá um sal mais ecológico?"

Há!

As salinas, apesar de artificiais, existem há milhares de anos, e são habitat para muitas espécies de aves migratórias, nidificantes, mas também de anfíbios e de peixes. O seu desaparecimento põe em risco toda esta biodiversidade.

Por outro lado o sal marinho tradicional é recolhido à mão (com auxílio de instrumentos de madeira) e não por meios mecânicos (que necessitam de combustível...) e não é "limpo"/processado industrialmente - pelos vistos com o auxílio de cloro ou formol (???) - o que faz com que conserve os cerca de 80 elementos que possui (magnésio, cálcio, potássio, ...) que quase desaparecem no sal industrial. Este tem até uma maior percentagem de cloreto de sódio (o elemento que torna o sal o "mau" da fita para muitas pessoas) do que o primeiro.

Ao comprar sal artesanal estamos a contribuir para a manutenção de uma profissão em "vias de extinção" - o marnoto - embora pareça, agora, rejuvenescer nos novos operadores de salinas tradicionais. Estamos também a contribuir para que o esforço de todo um programa internacional de não deixar desaparecer esta arte, um pouco por todo o Atlântico, não seja em vão.

esta salina em Aveiro já desapareceu...

Ainda por cima, o nosso sal é considerado um dos melhores do mundo, por isso não há necessidade de comprar sal dos Himalaias ou de uma ilha no Pacífico, só por que é exótico.

Comprei um pacote de sal marinho tradicional Marnoto, recolhido manualmente no Parque Natural da Ria Formosa (vem do Algarve, mas não havia nenhum sal artesanal de mais perto...) por 1€. Não se preocupem por não encontrarem a palavra biológico numa embalagem de sal. Por ser um mineral não pode ser certificado - para já - como produto biológico.

É certo que é mais caro (um pacote de sal industrial custa cerca de 0,30€) mas depois de tudo isto não acham que vale a pena?

11 de julho de 2010

162 - Fazer um vermicompostor


Tal como "prometi" quando aprendi a fazer compostagem, já somos mais cá em casa. Além de nós e das nossas três gatas, temos agora uma família de minhocas ao nosso cuidado!

Quando participei na oficina de compostagem percebi que não a poderia fazer no nosso apartamento (o compostor tem que ficar pousado na terra) e como me ficaram a incomodar os 40% (nós, provavelmente mais) de resíduos orgânicos no lixo que cada um de nós produz por dia, mal surgiu a oportunidade fomos participar numa oficina sobre vermicompostagem, organizada pelo núcleo de Braga da Quercus.

A finalidade da oficina era ensinar a técnica da vermicompostagem, fornecer as minhocas aos participantes, mas também reaproveitar caixas de esferovite como vermicompostores. Como caixas de esferovite são incompatíveis com gatas, nós optamos por fazer o nosso compostor com caixas opacas de plástico. Sim eu sei que o plástico não é muito ecológico, e que também se podem fazer em madeira, mas não deve ser por acaso que todos os vermicompostores que tenho visto são em plástico!

O vermicompostor

Há imensos sites e blogs que nos ensinam a construir a moradia para as nossas minhocas. Nós, baseados também no que aprendemos na oficina, inspiramo-nos neste esquema de minhocasa (ninguém como os brasileiros para simplificar os nomes das coisas) e neste passo-a-passo, e edificamos, para já, o primeiro andar do nosso vermicompostor. Se correr bem, acrescentaremos os dois andares que completam o palácio (quem preferir pode ficar apenas pelo rés-do-chão, quem for mais ambicioso pode fazer ainda mais andares).



Assim comprámos uma caixa Slugis (do Ikea) com 54cm x 35cm e 16cm de altura. Porquê? Porque não acho nada bonitas as caixas semelhantes às que aparecem no esquema...

Se não for grande o suficiente, posso depois comprar uma mais alta, da mesma linha e esta primeira fica como tabuleiro de repouso de composto já pronto ou para recolher o excesso de líquido (chorume). Mas ATENÇÃO, não vale a pena comprar caixas muito altas, as minhocas só sobem até uns 20/25 cm de altura! Se for preciso mais espaço, joguem com a largura ou o comprimento.

Depois fazem-se buracos na tampa e na laterais da caixa (para arejamento) e no fundo (para escoamento de eventual excesso de humidade). Como a nossa caixa vai ficar na varanda não colocámos nada por baixo, para já, mas se a colocarem numa divisão interior convém pôr um tabuleiro por baixo para recolher o chorume. NÃO faça como eu (esperta...), que, para não ter ir buscar o berbequim (...) comecei a fazer os buracos como vi a formadora fazer nas caixas de esferovite (usando um ferrinho aquecido numa vela...): derreter plástico liberta vapores TÓXICOS!!! Os buracos devem ser pequenos para as minhocas não sairem da caixa. E acreditem que elas saem por "buraquinhos bem pequenininhos": já andei a salvar minhocas pelo chão da varanda (nalguns casos cheguei tarde demais...). Muitos não são demais - aprendi eu com a prática - porque a caixa deve ser bem arejada. Li algures que podemos colocar no fundo da caixa (e forrar as paredes também) com rede plástica bem apertada, de maneira a sairem líquidos mas não as minhocas. Parece-me uma óptima ideia, a experimentar na altura da remodelação da moradia... E pronto, a casinha está pronta!

As habitantes

As nossas minhocas dão pelo bonito nome de eisenia fetida, mas são mais conhecidas como minhocas vermelhas, e parece que são campeãs a processar uma grande variedade de materiais, daí serem as mais usadas na vermicompostagem.

Gostam de trabalhar entre os 15º e os 25º. Temperaturas mais baixas ou mais altas diminuem a sua produtividade e podem mesmo matá-las. Por isso, às vezes - dependendo da temperatura do sítio onde estão - pode ser necessário retirar a tampa, para refrescar (o calor é a situação mais comum por cá). Quando estão com calor saem da mistura e sobem para as paredes laterais e tampa. Se o PH não for do seu agrado (entre 5 a 9) também tentam fugir, daí não ser aconselhável colocar critinos na caixa. Gostam de humidade, lugares bem arejados e fogem da luz mais rápido do que um vampiro... Parecem umas bichinhas complicadas mas não são, a sério!

Iniciar o processo

- Fazemos primeiro a cama das bonecas - desculpem! - minhocas: cortamos tiras de jornal com cerca de 2cm de largura, evitando as folhas coloridas por causa dos químicos pesados. Se pegarmos em várias folhas de jornal e as rasgarmos no sentido do comprimento (rodando-as 180º em relação à posição normal de leitura...) a tarefa é rápida e simples. Amarrotamos várias tiras numa bola, humedecêmo-las com um borrifador - ou mergulhando-as rapidamente num recipiente com água (não devem ficar excessivamente molhadas) e forramos o fundo da caixa com as tiras humedecidas e de novo separadas;


- adicionamos um punhado de terra, para acrescentar microorganismos;

- juntamos as minhocas. Segundo o que aprendi na formação, por cada quilo de resíduos adicionado por semana, são necessários 300g de minhocas. Como é óbvio, não dá para andar a pesar as minhocas, por isso vamos estando atentos para ver se as minhocas vão dando "vazão" aos resíduos, ou se temos que não colocar tantos restos e esperar que a família cresça;


- colocamos os primeiros restos de comida (li algures que devemos aguardar 2 semanas antes de alimentar as minhocas, para elas se habituarem à casa nova. Eu não o fiz e deram-se bem);

- cobrimos tudo com mais tiras de jornal humedecidas (cama).


Manutenção

- Devemos ir revolvendo a mistura - com cuidado para não trucidar nenhuma minhoca - com um ancinho pequeno. Não precisa de ser todos os dias, o ideal é ir olhando e mexer quando acharmos necessário misturar restos menos degradados que estejam por cima e a mistela por baixo. Afastar a cama, revolver e no fim voltar a cobrir bem a mistura;

- se a mistura estiver seca, borrifar com água ou juntar cama humedecida e, se necessário, colocar a caixa num sítio mais húmido. Se estiver molhada, evitar juntar alimentos muito ricos em água, adicionar cama seca (as tiras de jornal sem as humedecer, folhas secas, palha, ...) e se for o caso, mudar a caixa para um local menos húmido;

- colocar alimento (parece que as minhocas sobrevivem 3 meses sem comer...), afastando a cama e voltando a tapar tudo no fim;

- e sempre que a cama desaparecer (por cima e/ou por baixo), fazer uma nova! É esta cama que previne o aparecimento de mosquitos. Se mesmo com a cama aparecerem mosquitos pode usar-se folhas de couve galega a cobrir a mistura, ou colocar uma pequena taça com vinagre junto à caixa;

- o que nos leva ao que NÃO devemos colocar no vermicompostor: citrinos (torna o composto muito ácido), restos de alimentos cozinhados, de origem animal e gorduras (atraem moscas e têm um cheiro desagradável), sementes (adoram o ambiente cheio de nutrientes e germinam - brancas porque não têm luz. Ao germinar começam a absorver nutrientes do vermicomposto).

Quando estiver pronto

Normalmente, ao fim de 2 meses já há composto pronto. Nota-se bem porque parece... terra! Como o retirar?

- Se já tiverem o arranha-céus com as três caixas, trocam a caixa do meio - onde estavam a fazer o 1º composto e trocam-na com a de cima (que passa a ser a do meio), e nesta voltam a fazer o "Iniciar o processo". Provavalmente as minhocas migram da caixa de cima para a do meio (através dos buracos), porque já não lhes damos alimento na outra... Façam-no ou não, ao fim de duas semanas, à luz do dia, retiramos o conteúdo da caixa de cima e espalhamo-lo numa superfície lisa (pode ser a tampa), deixando um monte num canto. Como não gostam da luz as minhocas vão fugir para o monte. Vamos retirando composto da zona onde está espalhado (já sem minhocas) e vamos espalhando mais, reduzindo o monte. Repetimos a operação até o monte ser (quase) só minhocas, que colocamos na caixa com a nova mistura. Se ao fazermos esta operação encontrarmos uma espécie de bagos de arroz, devolvemo-las à caixa, porque são ovos de minhocas! O composto pronto pode (e deve) ficar a repousar na caixa de cima porque as minhocas já não voltam para lá (estão todas contentes a comer na casa nova). Depois de alguns dias pode usar-se o composto para fertilizar.

- Se só houver uma caixa (como no nosso caso, para já), fazemos o mesmo processo, mas puxando todo o composto para metade da caixa e fazendo o "iniciar o processo" na outra metade. De resto é tudo igual!

Fertilizante: chorume (ou xorume) - chá de vermicomposto

O tal líquido que sai por debaixo da caixa é o chorume (ou xorume), o "resultado do processo de putrefação (apodrecimento) de matérias orgânicas" e, neste caso, altamente nutritivo. Se o quiserem aproveitar devem colocar o tal tabuleiro ou caixa por baixo (sem buracos, claro), mesmo que fique numa varanda, para o recolher. A nossa mistura não largou quase líquido nenhum, por isso ainda não testei a eficiência do chorume. Não pode ser usado puro porque é muito forte, mas sim diluído na proporção de uma parte de chorume para dez de água. Usa-se como fertilizante.

Também podemos fazer chá de vermicomposto. Retira-se um bocado da mistura (sem minhocas...), coloca-se num pano fino, juntam-se as pontas e ata-se (a isto chama-se uma "boneca"). Mergulha-se num regador - ou balde - com água e deixa-se de molho durante nove dias. Após este tempo usa-se a água para regar as plantas. Tal como o chorume, é um fertilizante. O vermicomposto que fica no pano devolve-se à caixa.

E assim começou uma novo ritual nas nossas vidas!

Claro que quem não for adepto das manualidades pode comprar um vermicompostor. Mas não é a mesma coisa...

9 de julho de 2010

160 - Comprar, quando forem mesmo necessários, guardanapos de papel reciclado


Sabem, aquelas alturas em que precisam de guardanapos para muitas pessoas? Mesmo muitas pessoas? E não têm, nem de perto nem de longe, guardanapos de pano suficientes?

Pois é, foi o que me aconteceu.

Nós já não compramos guardanapos de papel desde o início deste desafio (e mesmo antes só os usávamos esporadicamente), mas confesso que normalmente gostava daqueles maiores, mais espessos e de cor (ai, ai, ai...), a condizer com o resto da decoração...

Mas agora precisei mesmo de muitos guardanapos e os meus (ainda) reduzidos dotes para a costura não me permitem fazer o milagre de transformar quadrados de tecido em guardanapos (parece simples, mas experimentem)!

Como tal, lá fui eu comprar guardanapos de papel, mas reciclados, porque apesar de tudo têm algumas vantagens: há menos consumo de recursos naturais, menos "contribuição" para os aterros ou incineração, a sua transformação consome menos água e energia («240 kw/h por tonelada de fibra secundária contra 1000 kw/h por tonelada de fibra virgem») e menos detritos sólidos.

Parece que agora ainda há mais oferta de guardanapos de papel: há mais cores, há "tipo tecido", para crianças, e até vi uns guardanapos de papel anti-nódoas (!!!) Será que é para usar, cada um deles, mais do que uma vez???

Realmente, no meio de tanta cor, fica difícil optar pelos pardos e "insignificantes" guardanapos reciclados...

Comprei os da Renovagreen (0,85€ uma embalagem com 90 guardanapos), marca de que já falei no post sobre os rolos de papel de cozinha. Ainda procurei da marca Continente - porque estava lá, claro - mas também porque já comprei papel higiénico reciclado desta marca, mas não os encontrei (posso até nem ter reparado, no meio de tanto guardanapo...).

Só ainda não percebi porque é que, aqui, os guardanapos reciclados são de um branco acinzentado e nos EUA, por exemplo, são castanhos (da cor do cartão):


Alguém me sabe dizer?

E, no final, coloquei os guardanapos usados na compostagem, porque, segundo o que aprendi quando fiz a oficina de compostagem, papel com vestígios de gordura não dá para reciclar.


8 de julho de 2010

159 - Não comprar café, para a máquina, em pastilhas


Eu não gosto do sabor do café (mas adoro o cheiro). E tomar um café pode provocar-me uma de duas reacções: se for até meio da tarde, passo o resto do dia com vontade de andar aos saltos e a correr, dentro do género dos personagens da b.d. Asterix e Obelix, quando acabam de engolir a poção mágica (menos o Obelix, claro...). Se for depois, não consigo dormir a noite toda...

Bom, mas o Zé Manel gosta de café e nós temos uma daquelas máquinas de tirar expresso (um de cada vez...), velhinha mas afinada! Também temos um moinho de café. Portanto podemos perfeitamente comprar café em grão. Ai, mas a preguiça foi falando mais alto!!! Primeiro começamos a comprar café já moído (que não tem o mesmo aroma) e, de vez em quando (principalmente para quando temos convidados), as fantásticas pastilhas, que vieram revolucionar o tirar café em casa, como diz a publicidade: "simples, prático e limpo", "nunca mais haverá café moído espalhado pela bancada"...


Só que as pastilhas vêm cada uma no seu filtro de papel, na sua embalagem de plástico, todas dentro de uma caixa... Tanto invólucro!

Portanto vamos fazer o percurso inverso: não comprar mais pastilhas (nem com a desculpa "ah, vamos ter muita gente cá em casa..."), voltar a comprar café, de preferência, em grão e - melhor ainda - a granel, porque vem num cartucho de papel!

Ah! E não aderir à - ainda mais recente - moda das belas máquinas nespresso, delta q e afins. A primeira até faz recolha das cápsulas para reciclagem (e até são giras para se reutilizarem), e a segunda publicita - fica sempre bem - que as suas cápsulas são recicláveis (deve ser tarefa complicada...), mas o primeiro R é REDUZIR, e não reciclar, por alguma razão!

Como é que beber um café em casa se tornou algo de tão elaborado? Aparentemente simples, mas elaborado (esta reflexão aplica-se a tanta coisa...)?

Onde estão as cafeteiras italianas?


As bodum?


E os balões de café?

Adorava o ritual do meu pai a fazer o café no balão. Em dias especiais, é certo, porque demorava um certo tempo... Mas é poesia!


2 de julho de 2010

153 - Comprar cereais a granel


Só vou à Naturocoop quando tenho algo mais para fazer pelas mesmas bandas, pois esta cooperativa de produtos biológicos (que tem desde a fruta à pasta dos dentes, passando por tudo o que precisamos, a nível alimentar, de limpeza e de higiene) é precisamente do outro lado da cidade!

Nesta visita descobri que também têm um espaço no núcleo rural do Parque da Cidade (aqui ao lado...). Como é que nunca tinha reparado? Porque vou todos os dias ao Parque, menos ao fim-de-semana (quando é invadido), que é quando a loja abre... Tenho que fazer uma visita (já avisada que tem muito menos coisas...)!

Como precisei de ir às Águas do Porto, fui num pulinho até este "supermercado" - que me faz sempre lembrar os primeiros que surgiram - dar início à minha ideia de não voltar a comprar cereais embalados em plástico. Esta é uma das minhas mais queridas cruzadas, dentro deste desafio: reduzir ao máximo a existência de plástico (principalmente descartável) cá por casa.

Se já antes desta iniciativa não usava sacos de plástico para as compras, agora, tenho uma verdadeira (e saudável?) obsessão pela erradicação deste material: tenho ficado extremamente impressionada com os vídeos de massas gigantescas de plástico a vogar pelos oceanos e de animais mortos devidos a elas.

Na Naturocoop os cereais estão nos grandes sacos onde são transportados ou em dispensadores (que adoro usar!), e os sacos disponíveis são em papel (apesar de, nesta visita, ter ficado triste por ter visto porções pré-pesadas, prontinhas a trazer, em sacos plástico...). Eu trato estes sacos de papel com muito cuidado, e reutilizo-os imensas vezes (e no fim da sua vida útil, coloco-os na compostagem!).


A oferta de cereais (sempre biológicos) é óptima: vários tipos de arroz, aveia, cevada, quinoa, cuscuz, millet, bulgur, ...

E, por exemplo, um quilo de aveia aqui custa 2,01€ e no Continente (também biológica) custa 5,10€... Convencidos?

Ainda trouxe, além dos meus cereais, mais sementes para germinar, chicletes 100% naturais e 100% biodegradáveis que nem sabia que existiam (o Zé Manel às vezes sente muito vontade de uma pastilha elástica), e descobri também que a Ecover tem produtos de higiene pessoal.

Na minha próxima visita vou falar sobre a possibilidade de fazer como o Colin Beavan (No Impact Man): levar frascos de vidro para encher com os cereais, e assim reduzir também os sacos de papel...

31 de março de 2010

151 - Plantar ervas aromáticas na minha varanda



Quando para cá viemos morar - por acharmos que não eram compatíveis com as gatas - retirámos as poucas plantas que existiam, de dentro de casa para a varanda - coitadas! - mas... habituaram-se e agora é vê-las! Depois, em Janeiro, voltamos a colocar plantas dentro de casa (não as que estavam na varanda, porque estavam muito bem), e, bem recentemente, comecei a ter o cuidado de escolher plantas com necessidade de "pouca rega" e, de preferência, nativas.

Entretanto, na nossa pequena varanda, semeei árvores, plantei uma árvore (!)... e agora: ervas aromáticas (semeadas e plantadas)! Sim, ainda tenho (algum) espaço...

Comprei as minhas sementes na Gamm Vert (só porque passo por lá quase todos os dias...). Diante dos expositores (têm uma grande variedade) a minha dúvida era: "compro sementes biológicas francesas ou não biológicas portuguesas... local ou biológico? Local... Assim comprei carteirinhas de salva, orégãos e morangos (eu sei que não é uma erva aromática...), vindos de perto (Trancoso) e - não resisti - comprei uma de manjericão biológico francês. As primeiras custaram 1,15€, a segunda 1,71€. Três pontos a favor da carteirinha francesa: é mais pequena, não tem outra carteirinha dentro e tem mais sementes!


Quando semeei aquelas poucas sementes nos meus vasos cheios de terra biológica não certificada (trazida do quintal da minha mãe) tive um momento de conexão (que bonito...) com aquelas bolinhas aparentemente tão insignificantes (o cuidado que eu tive para não perder nenhuma...), e senti o que provavelmente sentem, há milénios, os que cultivam a terra. Querem saber o que é? Experimentem...

Aqui tem algumas indicações sobre semear, cuidar e colher algumas ervas aromáticas. E neste vídeo, o responsável pelo cantinho das aromáticas também dá algumas dicas.

Como podem ver na imagem, reutilizei (além de vasos abandonados pelas arrecadações da minha mãe) uma frigideira e uma forma de bolo francês em teflon. A caixa é para dissuadir as nossas gatas de meterem o focinho onde não devem. Para já está a resultar, só tive que soltar meia dúzia de "Aaaaah!!!"...


Do lado esquerdo aparece, já bem crescido, aipo (oferecido pela mãe do Zé Manel) e do lado direito, oferecido pela minha mãe (depois de eu ter comprado as sementes...), orégãos e manjericão. Também vou receber salsa e coentros. E também vou querer cebolinho, e rúcula, e ...

Eu gosto de usar as ervas frescas, mas podem ser secas (os orégãos ficam melhor assim), congeladas ou conservadas em azeite. Quem sabe um dia, quando tiver tantas ervas que não lhes dê "vazão", me dedica a conservá-las!

E, já agora, deixo aqui um pequeno resumo (tirei alguma informação daqui, daqui e de alguns apontamentos que tinha) do uso de algumas (são imensas!) ervas aromáticas na cozinha. Neste site também tem informação nutricional de algumas ervas e especiarias.

Aipo ou Salsão Todas as suas partes podem ser utilizadas na cozinha. As folhas são óptimas para dar um sabor especial a sopas e molhos, os talos podem ser servidos crus, em saladas, ou cozidos junto com outros legumes, acompanhando pratos à base de carne. Servido como entrada, o aipo é um excelente alimento porque contém substâncias que estimulam a formação dos sucos gástricos, aumentando o apetite. Digestivo, indicado para flatulência (gases), diurético.
Alecrim Possui um sabor forte, pelo que convém usá-lo com algum cuidado e finamente picado. Utiliza-se geralmente seco. É empregue com borrego, no tempero de coelho manso e marinada de caça. Os pés inteiros fazem uma boa base para grelhar carne ou criação. Experimente-o em infusão em pratos doces, como cremes, molhos doces, xaropes e gelado de baunilha. Digestivo, antioxidante, estimulante, activador da circulação sanguínea, antidepressivo e anti-séptico.
Azedas são invasoras em Portugal! Erva amarga com sabor a limão, popular em França, que é adicionada às sopas no final da cozedura. As folhas das azedas dissolvem-se rapidamente e perdem a sua cor verde-clara quando aquecidas; muitas vezes usam-se os espinafres com azedas, nas sopas, para dar mais cor. É comum adicionar algumas folhas cruas às saladas.
Basílico (manjericão) É uma das ervas mais versáteis que se pode cultivar em casa. As folhas verdes têm um aroma tentador e estonteante e um sabor pungente. Se cozinhar com ela adicione-a no final, para que conserve o sabor. O manjericão é muito usado nas cozinhas italiana e francesa, para dar sabor ao tomate, com o qual tem uma extraordinária afinidade, e é também misturado em saladas e em diversos molhos -sendo o mais popular o pesto italiano. Só para fazer o pesto é que as folhas de manjericão devem ser cortadas, porque perdem a cor; nos outros casos, rasgue-as com os dedos, em pequenos pedaços. Combina muito bem com tomate, berinjela, abóbora, frango e vitela. Digestivo, sedativo, tónico, baixa a febre; auxilia no tratamento de infecções bacterianas e parasitas intestinais.
Cebolinho Os caules, de cor verde-viva, desta erva possuem um gosto a cebola, sendo utilizados em saladas e sopas de tomate, recheio de batatas assadas e pratos de ovos. As folhas frescas são utilizadas para aromatizar molhos e queijos frescos. Cortado em pequenas rodelas o cebolinho realça as saladas, os ovos e as omeletes, o queijo branco e os molhos. O cebolinho também é óptimo para decoração de pratos. Antioxidante e digestivo.
Cerefólio É uma bonita planta de folhas plumosas, com o aroma delicado das sementes de anis. Utilize-as rapidamente, pois uma vez colhidas as folhas murcham logo. O cerefólio é muito usado na cozinha francesa, para dar gosto às omeletas e pratos de peixe, mas também pode ser usado em saladas, sopas e molhos.
Coentros As folhas, as raízes, os caules e as sementes desta erva, fortemente aromática, têm gostos levemente diferentes. As folhas servem para aromatizar sopas, guisados de favas ou ervilhas e saladas de alface. Os caules e as raízes podem ser cozinhados nos estufados e sopas, mas devem ser retirados antes de servir. Possui um perfume incomparável, refrescante e de sabor marcante. Combina muito bem com peixe, frutos do mar, frango e legumes. As suas sementes são usadas para temperar marinadas. Antioxidante, digestivo, moderador de apetite, auxilia no tratamento da ansiedade.
Eruca ou rúcula Chamada arugula em Itália, onde é muito popular, é uma erva para salada, utilizada com as folhas novas inteiras. Tem um sabor forte mas delicioso, semelhante ao do agrião, que é muito realçado por um bom molho de vinagrete. Muito boa com a massa cozida, com manteiga e alho esmagado.
Erva-cidreira ou Melissa Com sabor semelhante ao do limão, utilizam-se as folhas inteiras em ponches, bebidas de frutas, chás, em sopas e saladas.
Erva-Doce ou Anis Muito utilizada na doçaria regional, esta erva é indispensável nas castanhas cozidas. A base da haste é usada como legume. As folhas de erva doce combinam muito bem com peixes grelhados ou cozidos em papelote. Este tempero fica delicioso servido com grande variedade de carnes como frango, vitela e outras. O seu aroma doce, como o anis, tempera muito bem saladas, molhos e o creme fresco. Cultivado desde os tempos dos faraós, o anis é actualmente muito popular em bebidas mediterrânicas como o ouzo. Combate tontura, náuseas, infecções intestinais e estomacais.
Estragão Uma erva com bonitas folhas finas, com um sabor forte mas subtil. Se a cultivar, assegure-se de que se trata da variante francesa, pois a russa cresce prolificamente mas não tem o mesmo sabor. O estragão é famoso pela sua aplicação em frangos, manteigas, molhos, ovos e peixe, mas também pode ser usado na carne e peças de caça e em tempero de saladas. O estragão tem um gosto picante que ajuda a realçar alimentos sem muito sabor. Muito usado no preparo de vinagres de vinhos brancos. Estimulante de apetite; alivia reumatismo e artrite, regulariza a menstruação, diurético.
Folhas de feno-grego É uma erva verde e macia, semelhante ao trevo, e a sua semente é muito utilizada na cozinha indiana, porque o seu sabor amargo e aromático se mistura bem com as outras especiarias. As folhas sabem a noz com gosto de caril.
Funcho Os caules e folhas desta erva aromática têm um delicado sabor adocicado. As folhas plumosas do funcho são uma boa guarnição para legumes e pratos de peixe. Os caules secos são muito eficazes como base para colocar o peixe enquanto está a ser grelhado. Usa-se também em molhos e guisados.
Hortelã/Menta Entre as mais importantes ervas culinárias encontra-se a hortelã, que tem uma vasta gama de sabores, conforme a variedade. Como alternativa ao molho de hortelã, é excelente espetada num assado ou estufado de borrego; picada, fica bem em sopas de creme e em almôndegas. As folhas frescas aromatizam sopas e pratos de carne e peixe. A hortelã picada também pode ser espalhada sobre legumes cozidos. Tem um sabor interessante quando adicionada a molhos picantes de frutas e especiarias, a groselha negra, ameixas e outros frutos de Verão em calda, e fica óptima em saladas de fruta, gelados, em chás ou simplesmente misturado com queijo de cabra e pepino, como fazem na Grécia. Estimulante, digestiva. O pó da folha é usado para combater parasitas intestinais (ameba e giárdia) em crianças.
Levístico As sementes, folhas e caules desta erva têm um vago sabor a aipo, mas possuem também um sabor muito definido e pungente que Ihes é próprio. As folhas são decorativas e fazem uma bela guarnição em volta de um prato. Também ficam excelentes quando cortadas em pedaços e espalhadas em sopas e estufados, adicionadas na altura de servir e finamente picadas. O levístico é particularmente bom em pratos de tomate. É uma bela erva, fácil de cultivar.
Louro (é uma árvore...) As aromáticas folhas de louro são utilizadas frescas ou secas e têm um lugar essencial num ramo de cheiros. Ficam particularmente bem no peixe e também com caça e com legumes como o feijão. Se se extrair a nervura central das folhas e estas forem finamente picadas, produzem um magnífico efeito nos molhos de natas e ovos. O Louro combina com sopas, peixe em geral, carnes, frango e terrines. Ao cozer batatas, junte-as à água. Geralmente uma folha basta para aromatizar o prato. Nos cremes doces, faz-se uma infusão das folhas inteiras em leite quente, antes de levar ao lume. Antioxidante, digestivo; estimula o apetite; é auxiliar no tratamento da gripe.
Manjerona Da família do orégão, embora de sabor mais suave. O seu sabor é destruído pela cozedura prolongada, pelo que é preferível adicioná-la pouco antes de servir. É a erva dos recheios das empadas. Liga bem com a carne, frango, legumes e com queijo e ovos. Considerada indispensável na cozinha mediterrânea, a manjerona combina também com tomate, batata e arroz. Associa-se facilmente a outras ervas.
Orégão(s) Indispensável no preparo de pizzas, o orégão é o companheiro perfeito do tomate, do pimentão, da berinjela, da abóbora e das massas. Também combina muito bem com carnes como a vitela e o peito de frango. É a única erva que fica melhor seca do que fresca. Digestivo, antioxidante, antibacteriano, antibiótico, analgésico, sedativo; auxiliar no tratamento de gripes, resfriados e cólicas menstruais, auxilia a circulação do sangue.
Poejo Bastante utilizado na culinária alentejana, na sopa de poejo com queijo fresco e na célebre açorda. Utiliza-se fresco.
Salsa Embora tradicionalmente utilizada apenas para guarnição, a salsa fresca também dá um excelente sabor a sopas e molhos. Existem duas variedades, com folhas lisas ou frisadas, sendo a de folhas lisas mais decorativa, de sabor mais forte e que suporta melhor o cozimento. Muita salsa picada, um pouco de alho esmagado e azeite extravirgem aromatizado constituem um excelente toque de acabamento para pratos de carne e peixe grelhados. A salsa pode ser frita e servida com o peixe, ou reduzida a puré, com um pouco de manteiga, para obter um molho rápido para servir com frango ou vitela. Acrescenta cor e sabor às omeletes, saladas, molhos, purés de batatas, patês e sopas. Favorece o equilíbrio hormonal; é fonte rica em betacaroteno (pré vitamina A) e Vitaminas do Complexo B; alivia os sintomas da bronquite, asma, cólicas menstruais e cistite; é auxiliar no tratamento de cálculos renais e cólicas.
Salva As folhas verdes ou secas constituem um óptimo condimento, combinada com tomate, alho e azeite, para pratos de carne, estufados ou guisados. A Salva serve para perfumar as carnes, principalmente a carne de porco, coelho e vitela. Seu sabor, ligeiramente amargo, combina com legumes secos, queijos e linguiças. Vai muito bem com carnes grelhadas e molhos, assim como em pratos quentes com queijo. A salva tem um sabor potente, pelo que deve ser usada com parcimónia. É excelente para recheios. Digestiva, antioxidante; auxiliar no tratamento de problemas de fígado, suor excessivo, ansiedade, depressão e sintomas da menopausa.
Segurelha As variedades de Inverno e de Verão desta erva sabem vagamente a tomilho, mas são mais amargas. A segurelha de Inverno é ligeiramente mais suave. Utiliza-se (com discrição) em sopas de feijão verde, feijão com massa, em guisados e carne estufada.
Tomilho O seu sabor é picante e amargo. É adequado para pratos de longa cozedura e estufados. Ao contrário da maior parte das ervas, com excepção dos orégãos, o tomilho é tão bom seco como fresco. Cai bem com borrego, mas também com porco, frango, peixe e ovos. Combina muito bem com sopas, molhos de tomate, legumes em geral, carnes vermelhas e terrine. Deve ser utilizado com parcimónia porque o seu sabor se sobrepõe facilmente a todos os outros. Digestivo, desinfetante, anti-séptico; é expectorante, limpa as vias respiratórias e o intestino.