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27 de junho de 2013

215 - Usar óleo essencial de lavanda nas queimaduras ao invés dos cremes convencionais


Há uns bons anos fiz uma grande queimadura num pulso, daquelas que esturricam a carne e tudo... Encostei o dito ao interior de um recuperador de calor onde um belo fogo já ardia há horas, só para terem uma ideia. Na altura recomendaram-me um creme - Cicalfate da Avène - que, faço-lhe justiça, deixou a minha pele como nova.

Agora voltei a queimar-me, nada de tão espectacular, mas como foi num braço e o sol (parece que é desta que é verão...) não é amigo da pele novinha em folha, queria tratar do assunto rápido e bem.

Antes de ir à farmácia resolvi consultar os meu livros maravilha (e a net) e descobri que o óleo essencial de lavanda é um óptimo cicatrizante!


A lavanda é uma espécie de vinagre dos óleos essenciais... é muito versátil, como podem ver neste rol de aplicações. 

Dentro do género Lavandula há várias espécies, pelo que percebi. A que eu tenho (sob a forma de óleo essencial) - e que encontrei mais vezes referenciada - é a angustifolia (ou officinalis), também conhecida por lavanda inglesa, fina ou dos alpes (e cresce espontaneamente na região de Provença). A alfazema também é Lavandula, mas latifolia... Confusos? Podem ler mais aqui. Para ajudar, o meu frasco tem o nome latino da lavanda fina e em português diz alfazema... Será que troquei tudo???

Não faço a mínima ideia se a que tenho na minha varanda é lavanda ou alfazema. Parece que há diferenças físicas, mas a minha percepção destas é nula. Eu uso-a, há bastante tempo, como anti-traças. E funciona. E chamo-lhe alfazema.

Bom, voltando ao que interessa. Apesar dos cremes da farmácia que conheço (além do Cicalfate, já tive familiares a usar o Biafine) não parecerem ter contra-indicações graves (algumas possíveis reacções alérgicas, irritações, ...) nem ingredientes "maléficos" (apesar de conterem parafina, não especificando se é vegetal ou não, e perfume), para quê comprar um creme composto, que vem numa bisnaga de alumínio e que provavelmente não vai ser todo utilizado antes de chegar o limite do prazo de validade, se o posso substituir por umas gotinhas de um óleo essencial?...

Usei-o puro (normalmente tal não é recomendado) e funcionou às mil maravilhas, a pele regenerou-se muito bem. A minha queimadura foi devido ao contacto com água a ferver (...) mas se for solar podem usar as receitas que já tinha partilhado aqui, quase todas contém alfazema (ou será lavanda?...). O gel de aloe vera a que faço referência nesse mesmo post é bom para todos os tipos de queimaduras. E parece que a calêndula também é óptima, mas nunca experimentei. Ah, já me esquecia, a lavanda também é óptima para picadas de insectos!

Se procurarem nos comentários deste post, encontram os produtores portugueses a quem compro os meus óleos e também outros contactos simpaticamente fornecidos por leitores.

O próximo desafio vai ser tentar fazer o meu óleo essencial de alfazema, pelo que vi neste passo-a-passo não parece muito difícil...

12 de dezembro de 2012

A minha horta


Lembrei-me - a propósito de ter sido contactada por causa de um artigo para o Correio da Manhã - que desde as fotografias que mostrei da minha primeira experiência com as ervas aromáticas, nunca vos dei uma imagem mais geral da nossa horta na varanda (aqui mostrei as minhas sementeiras reutilizadas).

Não é que seja especialmente bonita, ou original, mas foi aqui que fui ganhando gosto por esta coisa de meter as mãos na terra.



Esta fotografia foi tirada no início de novembro.

Além do que aparece descrito na imagem, há, num vaso - mais escondido no canto inferior esquerdo - cebolinho, que ainda resiste, apesar do verão ter findado há muito. Os coentros e o aipo já acabaram. E no canto superior esquerdo, vê-se uma parte do pé de fisalis que costuma aguentar-se durante o inverno, rebentando em grande na primavera.

As protecções laterais (resultado de uma falha de comunicação entre a anterior inquilina e o fornecedor), apesar de feias (e longe da imagem das originais...) protegem o espaço da varanda das intempéries, criando um ligeiro efeito de estufa...

Na caixa de madeira, que no verão acolheu tomates-cereja, alfaces, rúcula, cebolinho e manjericão, tinham sido semeados - por altura da fotografia - rúcula e alho português.

Por debaixo do meu regador reutilizado (gostam?), do balde das "cascas" e de um vaso onde estão umas estacas de alfazema (a ver se pegam), vive a nossa família de minhocas...

E a nossa gata mais velha, não está bem camuflada?...


A rúcula agora está assim, prontinha a ser mondada...



... e o alho português já está a despontar. Uns mais do que outros!

30 de maio de 2011

195 - Ter uma horta... na varanda


Tudo começou com as primeiras aromáticas, há cerca de um ano. Depois adoptámos uma família de minhocas... Fiz as minhas primeiras sementeiras...



E agora temos uma pequena horta na nossa varanda: em vasos temos óregãos, hortelã, alecrim, aipo, cebolinho, manjericão, mirra (hei-de experimentar fazer incenso), fisalis (oferecido bem pequenino), arruda (para "captar" as lagartas, afugentar alguns insectos e, para quem for supersticioso, o mau-olhado... ), 2 pés de tomates-cereja, saponária (não a árvore das nozes, ...), cravos-túnicos (para afugentar mais bichinhos indesejados); num canteiro feito pelo Zé Manel com restos de madeira não tratada, há alfaces diversas, mais cebolinho (as carteirinhas têm muitas sementes...) e rúcula. E o nosso plátano, uma sardinheira, e uma begónia herdada com, provavelmente, mais anos do que eu. Nada mau num espaço com 2,0m por 1,0m, "hem"?

E o tamanho (da varanda) não é desculpa, nem não ter varanda... Há soluções verticais originais, tanto para o exterior...


... como para o interior.


Para rentabilizar o espaço da nossa varanda - que não tem paredes - comprei simples suportes para floreiras, onde coloquei os vasos, do género destes:


E não há falta de informação, até porque as hortas urbanas estão na moda. Quase todas as cidades têm iniciativas, umas camarárias, outras de associações ou até de pequenos grupos de pessoas, para aproveitar espaços mais ou menos abandonados, transformando-os em belas hortas familiares.

Existem cada vez mais hortelões e "hortelãs"... E muitos deles partilham as suas experiências aqui pela blogosfera, ajudando quem (como eu) ainda é uma "hortelinha". Além do blog da semente à árvore, de que já falei aquando das sementeiras, há outros como o trumbuctu, o jardim com gatos, o cantinho verde, ... e muitos outros (também gosto deste e deste, em inglês), com dicas, calendários, sugestões úteis tanto para quem tem uma horta como para quem tem apenas uns vasos. E claro, as redes sociais permitem colocar dúvidas e, muitas vezes, ter uma dezena de respostas úteis, num curto espaço de tempo, e também ter acesso sobre formações na área (horta em casa, jardim de guerrilha, cidade das hortas, ...).

Temos sempre os livros. Este parece-me muito engraçado (e útil), este e este são bem apelativos e gráficos, e eu fiquei interessada neste e neste... Claro que tenho sorte e já tenho acesso, não só a literatura técnica (às vezes até técnica demais...) mas também a uma conselheira: a minha mãe que, como já disse algumas vezes, se dedica à agricultura biológica. E encontram-se, incluindo nalguns quiosques, dois deliciosos "almanaques anuais", verdadeiras preciosidades de sabedoria popular: O Borda d'Água e O Seringador (E também há O Novo Seringador, mas ainda não estudei as diferenças).

Para começar convém estudar a varanda (parapeito, floreira, ...) que vai acolher a horta. Que tipo de exposição solar tem (convém "apanhar" sol durante 5 a 6 horas por dia), se está protegido do vento ou, caso tal não aconteça, se é possível instalar protecção (rede, cerca, ...). Depois, que tipo de recipientes vai usar: aqui apresentam explicações detalhadas sobre o tipo de canteiros que se pode/deve construir, com medidas, materiais, ... Se nunca plantou nada pode seguir estes passos (ou este vídeo) sobre como começar uma pequena horta ou jardim de aromáticas num vaso. Neste site (e neste) pode escolher - e conhecer melhor - o que plantar. Pode até desenhar a sua horta. Muito giro! (O que a gente encontra pela net...). E é regar, cuidar, para depois poder apreciar os frutos do seu trabalho. As nossas alfaces (e a rúcula) são muito saborosas! E que não nos/vos aconteça como ao Sandro, que não conseguiu escoar a produção...

(a carteirinha trazia sementes de diferentes tipos de alface, todas óptimas!)


Claro que tudo isto só faz sentido se for biológico. E penso que é uma premissa geral para quem se mete nestas andanças porque pelos vários blogs e grupos onde "viajo", toda a gente (salvo erro) tem o cuidado de não usar químicos, procurando "ingredientes" e soluções o mais naturais possível: biológico, permacultura, calendário lunar, entre outros, são termos comuns pelas hortas virtuais. Ainda tenho muito que aprender!

Por isto, uma das minhas primeiras preocupações foi: " E a poluição, senhores?" Sim, porque moro na cidade, porque as plantas absorvem "coisas" do ar... Aliás foi quando vi as hortas do Mike, em New York que fiquei mais consciente deste problema: é que a poluição atmosférica naquela cidade vê-se. Então depois de um nevão, é ver as partículas pretas a cobrir a neve imaculada, em horas...

E não é que a minha preocupação tem fundamento?

O programa Biosfera já fez um episódio sobre este assunto. Ainda tentei ver a qualidade do ar por estas bandas, no sítio da Agência Portuguesa do Ambiente, mas, ou é "um pouco confuso" para mim ou estava preguiçosa... e não percebi quase nada. Mas fiquei mais descansada quando alguém entendido me disse que a minha hortinha está numa zona boa: temos muitas árvores à volta, temos um pulmãozinho mesmo ao lado (o parque do Inatel) e um belo pulmão um pouco mais abaixo (o Parque da Cidade) e logo a seguir o Mar!!! Por isso parece que as minhas alfaces são saudáveis. A água (reutilizada da lavagem dos vegetais, do início dos duches, ...) - também fica sempre em repouso 24h antes de ser usada na rega.

O que vos posso dizer mais? É muito boa a sensação de ver despontar algo que semeamos, observar esses delicados rebentos crescerem viçosos, enterrar as mãos na terra, apercebermo-nos das pequenas alterações ao longo dos dias... Ai, que bonito...

E como as imagens podem ser inspiradoras aqui deixo hortas para todos os gostos, das muitas encontradas por essa net fora... A imaginação não tem limites!


esclarecedora...


arrumadinha


projectada...


..."espontânea"!


apertadinha (como a nossa...)


reutilizando garrafas de plástico, assim...


... ou assim!


à medida


reutilizando uma sapateira


esta solução tem fãs entre os arquitectos... também "se dá" no exterior!


sacos-horta transportáveis, para quem não fica muito tempo no mesmo sítio!


14 de maio de 2011

193 - Tratar os escaldões com aloe vera pura


Mais ou menos por esta altura, todos os anos, um fenómeno ocorre... o Zé Manel "apanha" um escaldão. Esquece-se de que o sol fica mais forte, que há uns produtos fantásticos chamados protectores solares (que aliás devia usar todo o ano, visto estar muito tempo ao ar livre), uns outros chamados bonés, ... enfim! Nada, nada bom, nem a curto, nem a longo prazo.


Normalmente usa loções para depois do sol e/ou (dependendo da profundidade do escaldão) "cremes de alívio" comprados na farmácia.

Mas não este ano!

Lá andei eu - rapidinho... - à procura de uma solução natural.

Encontrei várias receitas (que deixo mais abaixo) mas - para nós - a melhor foi também a mais simples: a antiga, famosa (cada vez mais) e multifacetada aloe vera. No seu estado puro. Esta planta (não é um cacto, embora pareça) tem propriedades antibacterianas, cicatrizantes, rehidratantes. É um óptimo regenerador e antioxidante natural, o que a torna numa óptima opção para tratar queimaduras (e não só solares).

Basta retirar uma folha (se se puxar delicadamente, sai direitinha), cortá-la em pedaços com cerca de 6 cm (neste caso, que era para aplicar no rosto), cortar cada um na longitudinal, expondo a maior área interior possível. A polpa é viscosa mas macia. Faz lembrar, um bocadinho, baba... (por isso os brasileiros - sempre práticos - lhe chamam babosa). Depois é passar, delicadamente, o interior dos pedacinhos nas zonas afectadas. À medida que cada um pedaço fica seco (uma das características do aloe vera é a capacidade de penetrar nos tecidos) vai-se substituindo por outro, com calma, para dar tempo à pele de ir absorvendo o sumo. Também se pode descascar a folha, picar a polpa e aplicar no rosto (mas dá mais trabalho, "escorrega" e o resultado é idêntico). No rosto do Zé Manel (que tem a pele para o moreno e que "apanhou" - desta vez - um escaldão moderado...) apliquei 1 folha com cerca de 50 cm por dia, durante 3 dias (antes de deitar). Em seguida, começou a aplicar, também à noite, um creme bem hidratante. Os especialistas aconselham cremes à base de vitamina E, ceramidas ou manteiga de karité, mas neste caso foi um feito por mim (aprendi com a Sylvia).


Resulta optimamente! A pele ficou muito menos seca (em comparação com os outros anos) e não começou a "escamar". Aprovado. Claro que do belo moreno "à trolha" já não se livra: mas diz que o nome tem que ser alterado porque os trolhas tiram a t-shirt, e ele não pode dar aulas em tronco nu (havia de ser um sucesso!!!)...

Se não tiverem a sorte de ter dois enormes aloe vera, com mais de 30 anos, no jardim do vosso prédio (plantados pela minha tia e um vizinho) aconselho-vos a arranjar um. Até porque é "remédio para muitos males"...

E aqui ficam - com mais ingredientes... - algumas receitas (do livro que falei aqui). Outras haverá, por certo!

Gel de aloe vera

60g de folha de aloe vera, sem pele e picada
1000 mg de vitamina C em pó
800 UI de óleo de vitamina E
1 colher de chá de óleo essencial de alfazema

(a vitamina C, a E e o óleo essencial de alfazema também favorecem a cura da pele e ajudam a conservar o gel)
Coloque todos os ingredientes numa misturadora limpa e misture bem. Guarde num frasco de vidro limpo, no frigorífico, e aplique várias vezes por dia na queimadura. Esta mistura mantém-se fresca durante cerca de dois meses se conservada no frigorífico.

Spray facial refrescante

60 ml de infusão de chá verde
60 ml de sumo de aloe vera
1/4 de colher de chá de óleo essencial de alfazema

Misture tudo num frasco vaporizador. Agite bem. Vaporiza a pele queimada. Mantenha no frigorífico e utilize no espaço de duas semanas.

Outro spray facial refrescante

1 colher de chá de hamamélis destilada
20 gotas de óleo essencial de alfazema
60 ml de água de rosas
180 ml de sumo de aloe vera

Misture a hamamélis e a alfazema num frasco vaporizador. Agite vigorosamente. Adicione a água de rosas e o aloe vera e agite novamente. Guarde no frigorífico e vaporize a pele sempre que desejar.

Refrescar a pele

Misture uma gota de óleo essencial de alfazema com uma colher de sopa de gel de aloe vera. Espalhe sobre a pele.

Máscara de iogurte

1 colher de chá de iogurte natural gordo
1 gota de óleo essencial de lavanda

Misture os ingredientes até obter uma pasta e espalhe-a sobre a pele. Remova com água tépida após 15 minutos.

Máscara de mel

2 colheres de chá de mel virgem
2 colheres de chá de gel de aloe vera
2 gotas de óleo essencial de alfazema

(o mel hidrata, o aloe vera ajuda a arrefecer e a cicatrizar e o óleo essencial de alfazema promove a produção de células saudáveis da pele)
Misture tudo. Humedeça a cara com água fria, aplique a máscara e mantenha-a por 20 minutos. Lave com água tépida.

Alívio para as pálpebras

Feche as pálpebras inchadas e queimadas do sol e cubra-as com rodelas de pepino ou saquetas de chá frias por 15 minutos.

11 de abril de 2011

191 - Fazer sementeiras reutilizando materiais

Até há cerca de um ano a minha única experiência com sementes era a germinação, que tinha feito durante alguns anos (hábito que por essa altura retomei).

Depois semeei algumas árvores. E correu bem (temos um plátano a crescer na nossa varanda!!!)

Portanto quando decidi ter ervas aromáticas, fiz o que alguém que não percebe nada do assunto mas que acha que sabe faz: "atirei" as sementes para a terra e esperei que nascessem (regando-as, claro...).

Agora, um bocadinho mais sábia, já sei que nem sempre é assim tão simples (por isso é que algumas plantas não nasceram)...

Aprendi que é preciso fazer sementeiras, que algumas sementes/rebentos devem ficar em estufa, ou dentro de casa, que às vezes é preciso transplantar, mondar, ...

Há blogues, cheios de óptimas dicas, como o da Sílvia, há grupos para troca de experiências (e colocação de dúvidas), incluindo no facebook. E estou só a referir alguns. Claro que há livros, e estão sempre a acontecer oficinas, principalmente nas cidades, para quem se quer iniciar nas maravilhas da agricultura de subsistência. E eu tenho, à distância de um telefonema, a minha mãe, que se dedica, há já alguns anos, à agricultura biológica (para consumo familiar).

Assim desta vez já não tinha desculpa para não fazer tudo direitinho.

Há, à venda, caixas e caixinhas próprias para serem usadas como sementeiras, mas uma "bio-hortelã" (do substantivo hortelão...) - ainda que de varanda - que se preze, reutiliza recipientes para este fim, claro.

Aqui deixo ficar as minhas pequenas sementeiras e outras, encontradas por esse mundo virtual (e mais haverá). Quase tudo é válido, só é preciso um bocadinho de imaginação!

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Usei caixas de ovos (depois desta utilização, podem ser colocadas na caixa de composto) e, como as sementeiras ficam no interior, usei as embalagens de esferovite (que apesar da minha resolução, ainda teimam em aparecer... às vezes) para proteger da humidade a madeira dos parapeitos das janelas.

Um truque que aprendi com a minha mãe (depois desta 1ª sementeira deste ano...): se não "tem mão" para semear - principalmente se as sementes são muito pequenas - misture-as com areia para que, ao despontarem, não fiquem tão juntas!



Se tiverem espaço podem usar caixas da fruta de madeira (na verdade cada vez mais difíceis de encontrar).


Podem reutilizar embalages de tetra brick...


... ou rolos de papel higiénico ou copinhos de papel de jornal (boas soluções para sementes maiores: uma em cada recicpiente), seguindo estas indicações...


...ou este esquema.


Usar garrafões de água para fazer mini estufas...



... ou embalagens de plástico para extra-mini estufas (cá por casa, "coisas" de plástico são raras!)





Até as embalagens finas de transportar fruta servem!



Esta é uma óptima ideia para a páscoa!


E, já agora, vejam (e assinem, se concordarem) a petição da campanha pelas sementes livres. Está a ser proposta, pela União Europeia, uma legislação para "restringir a livre reprodução e circulação de sementes". E podem participar nas jornadas, um pouco por todo o país, se quiserem saber mais sobre este assunto:

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27 de outubro de 2010

178 - Afofar a terra das minhas plantas

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"Afofar a terra frequentemente melhora a drenagem, diminui a quantidade de água por rega e afasta os insectos que se alimentam das raízes".
anónimo

Um conselho tão simples! E funciona, claro.

(esta é para quem, como eu, é um jardineiro recém-nascido e de trazer por casa - e pela varanda... Perdoem-me, caros profissionais do jardim, a ignorância!)

Sabem... quando estamos a regar as plantas nos vasos e a água "custa" a ser absorvida? E pomos mais um bocadinho, e mais um bocadinho e a seguir verificamos que já não era preciso mais nenhum bocadinho porque a água está a sair toda por debaixo do vaso?...

Se picarem - delicadamente - a terra com, por exemplo, um garfo (reservado para este efeito...), ela fica mais solta e tal já não acontece! Claro que podem comprar um sacho próprio, mas para os vasos da minha varanda o sacho é muito grande...
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E esta operação tem um nome: escarificação.

E pronto, é isto.

Eu disse que era fácil (e rápido)!

Agora vou continuar a escarificar os meus vasos...
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19 de setembro de 2010

170 - Afugentar os insectos com produtos amigos do ambiente


Como é obvio todos os insecticidas convencionais são poluentes, de um modo ou de outro. Basta ver que matam, quase imediatamente, os insectos...

Ora, eu não tenho nada contra as formigas, têm a sua função (e até me habituei a vê-las - tão queridas - nos desenhos animados...) mas não fiquei muito satisfeita quando resolveram vir explorar a nossa cozinha.


Na verdade até já tinha estranhado - em cerca de dois anos aqui - ainda não ter visto nenhuma (o apartamento é num rés-do-chão. Elevado, por isso não é mesmo rés ao chão... mas é suficientemente perto dos jardins e "prados" que envolvem o nosso prédio)!

Mas este ano têm aparecido mais insectos (mosquitos, aranhas, moscas,...), provavelmente porque temos plantas dentro de casa e uma verdadeira mata na varanda (em breve falarei dela...)!

Então, lá fui eu procurar uma solução amiga do ambiente e das formigas (está bem afugenta-as, mas não as mata!).

Também encontrei "receitas" caseiras que as matam, mas essas não têm lugar aqui!

Para se livrar das FORMIGAS

Colocar nos locais por onde passam e aparecem (em qualquer dos casos, trocar a cada duas semanas, para que o cheiro não se dissipe):
- cravos da índia;
- borra de café;
- sal;
- farinha de trigo (branca);
- cinza;
- ramos de menta ou gotas de óleo essencial de menta numa bola de algodão;
- bolas de cânfora:
- um limão cortado num pires. Variante: um limão bolorento (???) cortado em pedaços pequenos...:
- algumas gotas de um ou mais óleos essenciais de hortelã-pimenta, hortelã e citronela, vertidas numa bola de algodão.

Estas receitas devem ser para as mais resistentes:
- punhados de cravo-da-índia, folhas de louro e cascas de limão ou de tangerina - possuem óleos essenciais repelentes;
- Hortelã seca, pimenta-de-caiena e bórax:
----- 7,5 g de folhas secas de hortelã,
----- 35 g de pimenta-de-caiena em pó,
----- 30 g de bórax.

Pelos visto também ajuda lavar com água e vinagre (não sei a proporção) todos os sítios e objectos onde as formigas aparecem.

Fiquei surpreendida: com tantas coisas (baratas e fáceis de arranjar) que as formigas não gostam, para quê insecticidas?!

O que eu experimentei?
- A borra de café: espalhei ao longo do percurso desde a porta da varanda da cozinha até ao armário onde está o balde do lixo. E não a vale a pena dizerem-me para o despejar mais vezes, porque até pode estar lá dentro só uma casquinha de melão que elas vêm aos batalhões! No espaço de umas horinhas desapareceram quase todas! Como não me apetecia ter borra de café espalhada pelo chão mais tempo, peguei num limão já mirradito, cortei em 8 e coloquei os pedaços em pontos estratégicos (e espremi o sumo de alguns nas bordas do balde). Passada a noite andava uma formiga (provavelmente sem olfacto) perdida... como prevenção coloquei alguns cravos-da-índia na beira exterior da porta.

As moscas e mosquitos não são tanto um problema, porque temos uma gata caçadora de insectos, a Yari, mas há dias em que entram mais do que a conta dela e dias em que ela está de folga, por isso acho que vou experimentar fazer um belo ramo de louro, eucalipto e alecrim! Manjericão já tenho na varanda.


Como afugentar Moscas e Mosquitos

- embeber chumaços de algodão num pouco de lavanda e espalhe pela casa;
- citronela: o melhor para os ambientes é usar o óleo essencial aquecido num difusor. Se preferir cultive a citronela, pois é de fácil multiplicação e não requer grandes cuidados;
- espalhar pela casa tigelas com cascas frescas de limão e laranja misturadas com cravos secos;
- colocar, em jarras ou vasos, as seguintes ervas em molhos: sabugueiro, alfazema, hortelã, hortelã-pimenta, artemísia, poejo, arruda e abrotano (será que têm que ser mesmo todas? Não!!!);
- pendurar pedaços de raiz pegajosa de enula-campana nas portas, janelas, etc;
- espalhar pela casa (ou maceradas numa taça com água) folhas de louro, eucalipto, manjericão, alecrim.

E se o Gorgulho aparecer (nunca o vi!)... é só colocar folhas de louro nos recipientes de farinha, arroz, legumes secos, ...

Outra hipótese é a prevenção. Há uma série de plantas que são desagradáveis para os insectos que nos incomodam mas bem agradáveis para nós! Plantá-las em vasos nas janelas e varandas pode servir como barreira:

- a alfazema, a hortelã-pimenta e a tanásia ajudam a afastar as formigas;
- abrotanos, alecrim, aspérula-odorifera, calamo-aromático, cavalinha, cidreira, tanaceto, funcho, hortelã-pimenta, lupulo, macela, manjericão, manjerona, margaridas, pinheiro, poejo, rosas, salva, tomilho, arruda, violetas e erva-ulmeiro afastam pulgas, traças e outros insectos.

A questão aqui é ter espaço para mais uns vasos...

A receitas que aqui apresento foram retiradas dos meus livrinhos de conselhos ecológicos (de que já falei) e de alguns sites (este, este e este).

11 de julho de 2010

162 - Fazer um vermicompostor


Tal como "prometi" quando aprendi a fazer compostagem, já somos mais cá em casa. Além de nós e das nossas três gatas, temos agora uma família de minhocas ao nosso cuidado!

Quando participei na oficina de compostagem percebi que não a poderia fazer no nosso apartamento (o compostor tem que ficar pousado na terra) e como me ficaram a incomodar os 40% (nós, provavelmente mais) de resíduos orgânicos no lixo que cada um de nós produz por dia, mal surgiu a oportunidade fomos participar numa oficina sobre vermicompostagem, organizada pelo núcleo de Braga da Quercus.

A finalidade da oficina era ensinar a técnica da vermicompostagem, fornecer as minhocas aos participantes, mas também reaproveitar caixas de esferovite como vermicompostores. Como caixas de esferovite são incompatíveis com gatas, nós optamos por fazer o nosso compostor com caixas opacas de plástico. Sim eu sei que o plástico não é muito ecológico, e que também se podem fazer em madeira, mas não deve ser por acaso que todos os vermicompostores que tenho visto são em plástico!

O vermicompostor

Há imensos sites e blogs que nos ensinam a construir a moradia para as nossas minhocas. Nós, baseados também no que aprendemos na oficina, inspiramo-nos neste esquema de minhocasa (ninguém como os brasileiros para simplificar os nomes das coisas) e neste passo-a-passo, e edificamos, para já, o primeiro andar do nosso vermicompostor. Se correr bem, acrescentaremos os dois andares que completam o palácio (quem preferir pode ficar apenas pelo rés-do-chão, quem for mais ambicioso pode fazer ainda mais andares).



Assim comprámos uma caixa Slugis (do Ikea) com 54cm x 35cm e 16cm de altura. Porquê? Porque não acho nada bonitas as caixas semelhantes às que aparecem no esquema...

Se não for grande o suficiente, posso depois comprar uma mais alta, da mesma linha e esta primeira fica como tabuleiro de repouso de composto já pronto ou para recolher o excesso de líquido (chorume). Mas ATENÇÃO, não vale a pena comprar caixas muito altas, as minhocas só sobem até uns 20/25 cm de altura! Se for preciso mais espaço, joguem com a largura ou o comprimento.

Depois fazem-se buracos na tampa e na laterais da caixa (para arejamento) e no fundo (para escoamento de eventual excesso de humidade). Como a nossa caixa vai ficar na varanda não colocámos nada por baixo, para já, mas se a colocarem numa divisão interior convém pôr um tabuleiro por baixo para recolher o chorume. NÃO faça como eu (esperta...), que, para não ter ir buscar o berbequim (...) comecei a fazer os buracos como vi a formadora fazer nas caixas de esferovite (usando um ferrinho aquecido numa vela...): derreter plástico liberta vapores TÓXICOS!!! Os buracos devem ser pequenos para as minhocas não sairem da caixa. E acreditem que elas saem por "buraquinhos bem pequenininhos": já andei a salvar minhocas pelo chão da varanda (nalguns casos cheguei tarde demais...). Muitos não são demais - aprendi eu com a prática - porque a caixa deve ser bem arejada. Li algures que podemos colocar no fundo da caixa (e forrar as paredes também) com rede plástica bem apertada, de maneira a sairem líquidos mas não as minhocas. Parece-me uma óptima ideia, a experimentar na altura da remodelação da moradia... E pronto, a casinha está pronta!

As habitantes

As nossas minhocas dão pelo bonito nome de eisenia fetida, mas são mais conhecidas como minhocas vermelhas, e parece que são campeãs a processar uma grande variedade de materiais, daí serem as mais usadas na vermicompostagem.

Gostam de trabalhar entre os 15º e os 25º. Temperaturas mais baixas ou mais altas diminuem a sua produtividade e podem mesmo matá-las. Por isso, às vezes - dependendo da temperatura do sítio onde estão - pode ser necessário retirar a tampa, para refrescar (o calor é a situação mais comum por cá). Quando estão com calor saem da mistura e sobem para as paredes laterais e tampa. Se o PH não for do seu agrado (entre 5 a 9) também tentam fugir, daí não ser aconselhável colocar critinos na caixa. Gostam de humidade, lugares bem arejados e fogem da luz mais rápido do que um vampiro... Parecem umas bichinhas complicadas mas não são, a sério!

Iniciar o processo

- Fazemos primeiro a cama das bonecas - desculpem! - minhocas: cortamos tiras de jornal com cerca de 2cm de largura, evitando as folhas coloridas por causa dos químicos pesados. Se pegarmos em várias folhas de jornal e as rasgarmos no sentido do comprimento (rodando-as 180º em relação à posição normal de leitura...) a tarefa é rápida e simples. Amarrotamos várias tiras numa bola, humedecêmo-las com um borrifador - ou mergulhando-as rapidamente num recipiente com água (não devem ficar excessivamente molhadas) e forramos o fundo da caixa com as tiras humedecidas e de novo separadas;


- adicionamos um punhado de terra, para acrescentar microorganismos;

- juntamos as minhocas. Segundo o que aprendi na formação, por cada quilo de resíduos adicionado por semana, são necessários 300g de minhocas. Como é óbvio, não dá para andar a pesar as minhocas, por isso vamos estando atentos para ver se as minhocas vão dando "vazão" aos resíduos, ou se temos que não colocar tantos restos e esperar que a família cresça;


- colocamos os primeiros restos de comida (li algures que devemos aguardar 2 semanas antes de alimentar as minhocas, para elas se habituarem à casa nova. Eu não o fiz e deram-se bem);

- cobrimos tudo com mais tiras de jornal humedecidas (cama).


Manutenção

- Devemos ir revolvendo a mistura - com cuidado para não trucidar nenhuma minhoca - com um ancinho pequeno. Não precisa de ser todos os dias, o ideal é ir olhando e mexer quando acharmos necessário misturar restos menos degradados que estejam por cima e a mistela por baixo. Afastar a cama, revolver e no fim voltar a cobrir bem a mistura;

- se a mistura estiver seca, borrifar com água ou juntar cama humedecida e, se necessário, colocar a caixa num sítio mais húmido. Se estiver molhada, evitar juntar alimentos muito ricos em água, adicionar cama seca (as tiras de jornal sem as humedecer, folhas secas, palha, ...) e se for o caso, mudar a caixa para um local menos húmido;

- colocar alimento (parece que as minhocas sobrevivem 3 meses sem comer...), afastando a cama e voltando a tapar tudo no fim;

- e sempre que a cama desaparecer (por cima e/ou por baixo), fazer uma nova! É esta cama que previne o aparecimento de mosquitos. Se mesmo com a cama aparecerem mosquitos pode usar-se folhas de couve galega a cobrir a mistura, ou colocar uma pequena taça com vinagre junto à caixa;

- o que nos leva ao que NÃO devemos colocar no vermicompostor: citrinos (torna o composto muito ácido), restos de alimentos cozinhados, de origem animal e gorduras (atraem moscas e têm um cheiro desagradável), sementes (adoram o ambiente cheio de nutrientes e germinam - brancas porque não têm luz. Ao germinar começam a absorver nutrientes do vermicomposto).

Quando estiver pronto

Normalmente, ao fim de 2 meses já há composto pronto. Nota-se bem porque parece... terra! Como o retirar?

- Se já tiverem o arranha-céus com as três caixas, trocam a caixa do meio - onde estavam a fazer o 1º composto e trocam-na com a de cima (que passa a ser a do meio), e nesta voltam a fazer o "Iniciar o processo". Provavalmente as minhocas migram da caixa de cima para a do meio (através dos buracos), porque já não lhes damos alimento na outra... Façam-no ou não, ao fim de duas semanas, à luz do dia, retiramos o conteúdo da caixa de cima e espalhamo-lo numa superfície lisa (pode ser a tampa), deixando um monte num canto. Como não gostam da luz as minhocas vão fugir para o monte. Vamos retirando composto da zona onde está espalhado (já sem minhocas) e vamos espalhando mais, reduzindo o monte. Repetimos a operação até o monte ser (quase) só minhocas, que colocamos na caixa com a nova mistura. Se ao fazermos esta operação encontrarmos uma espécie de bagos de arroz, devolvemo-las à caixa, porque são ovos de minhocas! O composto pronto pode (e deve) ficar a repousar na caixa de cima porque as minhocas já não voltam para lá (estão todas contentes a comer na casa nova). Depois de alguns dias pode usar-se o composto para fertilizar.

- Se só houver uma caixa (como no nosso caso, para já), fazemos o mesmo processo, mas puxando todo o composto para metade da caixa e fazendo o "iniciar o processo" na outra metade. De resto é tudo igual!

Fertilizante: chorume (ou xorume) - chá de vermicomposto

O tal líquido que sai por debaixo da caixa é o chorume (ou xorume), o "resultado do processo de putrefação (apodrecimento) de matérias orgânicas" e, neste caso, altamente nutritivo. Se o quiserem aproveitar devem colocar o tal tabuleiro ou caixa por baixo (sem buracos, claro), mesmo que fique numa varanda, para o recolher. A nossa mistura não largou quase líquido nenhum, por isso ainda não testei a eficiência do chorume. Não pode ser usado puro porque é muito forte, mas sim diluído na proporção de uma parte de chorume para dez de água. Usa-se como fertilizante.

Também podemos fazer chá de vermicomposto. Retira-se um bocado da mistura (sem minhocas...), coloca-se num pano fino, juntam-se as pontas e ata-se (a isto chama-se uma "boneca"). Mergulha-se num regador - ou balde - com água e deixa-se de molho durante nove dias. Após este tempo usa-se a água para regar as plantas. Tal como o chorume, é um fertilizante. O vermicomposto que fica no pano devolve-se à caixa.

E assim começou uma novo ritual nas nossas vidas!

Claro que quem não for adepto das manualidades pode comprar um vermicompostor. Mas não é a mesma coisa...

6 de julho de 2010

157 - Usar nozes de saponária para lavar a roupa (e não só...)


Quase desde o início deste desafio que cá em casa só entra detergente e amaciador de roupa ecológico. Também já não há lixívias, nem tira-nódoas: fui buscar as receitas antigas para resolver estas questões.

Andava a estudar a hipótese de substituir o detergente, ainda que ecológico, por outra solução ainda mais "amiga do ambiente" (nunca é demais...): ou a ecobola (há várias nuances no nome, dependendo da marca) ou as nozes de saponária.

Como a maior parte das pessoas que usa uma ecobola - segundo as próprias - continua a usar detergente (ainda que ecológico) e a Proteste testou duas delas e deu um parecer não muito positivo, resolvi experimentar as nozes de saponária ou nozes de sabão.


Estas nozes provêm de uma árvore, a saponária (sapindus mukorossi), cultivada, principalmente, na Índia e no Nepal. A casca das nozes contém uma substância denominada “saponina”, cuja acção é semelhante à do sabão quando entra em contacto com água. Segundo o folheto que vinha com as minhas nozes (da Eco meios) a indústria dos detergentes também extrai a saponina destas nozes, mas depois junta-lhe uma quantidade extra de químicos, aparentemente desnecessários.

A minha 1ª experiência foi com as nozes, propriamente ditas. Coloquei 20g delas no saquinho de algodão que veio com as nozes (também serve uma meia) e coloquei-o dentro do tambor da máquina. Como, neste momento, lavo a roupa na temperatura mínima, é aconselhável, também segundo o Eco Meios, interromper a lavagem quase logo no início (mal a roupa fique ensopada) umas duas horas, porque na água fria as nozes demoram mais tempo a libertar a saponina. Assim, ficam de molho. Confesso que para mim, não é muito prático porque tenho tarifa bi-horária e só ligo a máquina depois das 22h... Mas como tudo, é uma questão de hábito e coordenação!

E que tal? Resulta! A roupa sai limpa (claro que, tal como com os detergentes, as nódoas difíceis têm que ser tiradas antes), a cheirar a... a... a nada! É mesmo isso, não cheira a nada, porque o "cheirinho" dos detergentes é completamente artificial (ainda assim, para quem gostar de roupa perfumada pode colocar umas gotas de um óleo essencial no saquinho ou na meia). Como sei que a roupa ficou mesmo lavada? O Zé Manel é daquelas pessoas que quando sua, sua a sério, a pingar e tudo. Tendo em conta que é professor de educação física/ginástica e instrutor de karate, imaginem como fica a roupa dele... E nenhum desses cheiros de "pessoa bem activa" ficou na roupa lavada...

As mesmas nozes podem ser usadas em quatro lavagens. Depois podem ser usadas como adubo ou colocadas no composto. Também se pode usar, do mesmo modo, para lavar a louça na máquina (não experimentei, porque ainda não tenho).

A minha 2ª experiência (há que testar tudo) foi com a água de "lavar as nozes". Coloquei um litro de água numa panela (com mais capacidade, porque ao ferver, claro, faz espuma) e quando começou a ferver, coloquei 50g de nozes. Deixei ferver durante 10 minutos (segundo indicações do folheto), coei (as nozes ainda dão para usar umas três vezes na máquina) e usei mais ou menos 200ml deste líquido numa outra lavagem de roupa à máquina. A ideia era não precisar das tais 2 horas de molho, mas não fiquei satisfeita com o resultado. A roupa não ficou "tanto" a cheirar a... nada!

Depois, ao pesquisar pela internet, li, em mais do que num sítio, a indicação para deixar as nozes ferver durante apenas 2 minutos, mas ainda não experimentei (para ver ser o problema foi ferverem demais)...

No entanto juntei o que sobrou do líquido - porque deve ser usado no espaço de 15 dias - ao meu champô (as nozes são recomendadas para quem tem couro cabeludo sensível e/ou caspa), ao sabonete líquido e ao detergente (manual) da louça e não diminuiu em nada a eficácia destes produtos (e assim rendem mais!).

É, pelos vistos, um verdadeiro multiusos (também é champô para animais, detergente lava-tudo - devido às propriedades bactericidas e fungicidas da saponina, limpa-vidros, detergente para o automóvel, limpa jóias, ...), até dá para repelir insectos das plantas! Mas eu ainda não experimentei este líquido no seu estado puro (que também se pode perfumar, juntando à fervura uma ou duas plantas aromáticas: salva, alecrim, hortelã, ...). Vai ter que ficar para a próxima embalagem porque esta já está quase a acabar (como foi para "testar" era uma das pequenas)! Também hei-de experimentar pulverizar as nozes na Bimby (a seco, porque depois de fervidas não resulta...)

Ainda não as encontrei à venda, a não ser na internet. Na Eco meios, um saco com 500g de nozes de saponária custa 10€, na Efeito Verde (assim como no Centro Vegetariano), um saco com 1Kg custa 14,30€. Não sei o porquê da diferença nos preços, mas o folheto que vinha com as nozes da Eco meios diz que são de produção biológica (apesar de não ter visto nenhum símbolo de certificação). Mas tanto num caso como noutro (mesmo com os portes), em termos económicos, compensa. Basta fazer as contas, tendo em conta que 20g de nozes dão para 4 máquinas de roupa...

E em termos ecológicos? Há menos embalagem (apesar de, como vêm pelo correio há sempre a embalagem da encomenda...), não há "fabricação" (as nozes são apenas apanhadas das árvores). Por outro lado vêm da Índia (ou do Nepal), com tudo o que implica o transporte desde esses países (os detergentes ecológicos da Ecover ou da L'arbre Vert vêm de França).

O que acham? As nozes ou o detergente ecológico?


Entretanto no cantinho da aromáticas, encontrei saponárias e trouxe uma para casa já a programar ter a minha produção de nozes de sabão... Mas as nozes de saponária vêm da Sapindus mukorossi, e a minha plantinha é uma Saponaria officinalis!!! O nome comum parece ser o mesmo, mas são plantas distintas. Mas como a minha também tem "propriedades saponárias", vou esperar que cresça para experimentar...

31 de março de 2010

151 - Plantar ervas aromáticas na minha varanda



Quando para cá viemos morar - por acharmos que não eram compatíveis com as gatas - retirámos as poucas plantas que existiam, de dentro de casa para a varanda - coitadas! - mas... habituaram-se e agora é vê-las! Depois, em Janeiro, voltamos a colocar plantas dentro de casa (não as que estavam na varanda, porque estavam muito bem), e, bem recentemente, comecei a ter o cuidado de escolher plantas com necessidade de "pouca rega" e, de preferência, nativas.

Entretanto, na nossa pequena varanda, semeei árvores, plantei uma árvore (!)... e agora: ervas aromáticas (semeadas e plantadas)! Sim, ainda tenho (algum) espaço...

Comprei as minhas sementes na Gamm Vert (só porque passo por lá quase todos os dias...). Diante dos expositores (têm uma grande variedade) a minha dúvida era: "compro sementes biológicas francesas ou não biológicas portuguesas... local ou biológico? Local... Assim comprei carteirinhas de salva, orégãos e morangos (eu sei que não é uma erva aromática...), vindos de perto (Trancoso) e - não resisti - comprei uma de manjericão biológico francês. As primeiras custaram 1,15€, a segunda 1,71€. Três pontos a favor da carteirinha francesa: é mais pequena, não tem outra carteirinha dentro e tem mais sementes!


Quando semeei aquelas poucas sementes nos meus vasos cheios de terra biológica não certificada (trazida do quintal da minha mãe) tive um momento de conexão (que bonito...) com aquelas bolinhas aparentemente tão insignificantes (o cuidado que eu tive para não perder nenhuma...), e senti o que provavelmente sentem, há milénios, os que cultivam a terra. Querem saber o que é? Experimentem...

Aqui tem algumas indicações sobre semear, cuidar e colher algumas ervas aromáticas. E neste vídeo, o responsável pelo cantinho das aromáticas também dá algumas dicas.

Como podem ver na imagem, reutilizei (além de vasos abandonados pelas arrecadações da minha mãe) uma frigideira e uma forma de bolo francês em teflon. A caixa é para dissuadir as nossas gatas de meterem o focinho onde não devem. Para já está a resultar, só tive que soltar meia dúzia de "Aaaaah!!!"...


Do lado esquerdo aparece, já bem crescido, aipo (oferecido pela mãe do Zé Manel) e do lado direito, oferecido pela minha mãe (depois de eu ter comprado as sementes...), orégãos e manjericão. Também vou receber salsa e coentros. E também vou querer cebolinho, e rúcula, e ...

Eu gosto de usar as ervas frescas, mas podem ser secas (os orégãos ficam melhor assim), congeladas ou conservadas em azeite. Quem sabe um dia, quando tiver tantas ervas que não lhes dê "vazão", me dedica a conservá-las!

E, já agora, deixo aqui um pequeno resumo (tirei alguma informação daqui, daqui e de alguns apontamentos que tinha) do uso de algumas (são imensas!) ervas aromáticas na cozinha. Neste site também tem informação nutricional de algumas ervas e especiarias.

Aipo ou Salsão Todas as suas partes podem ser utilizadas na cozinha. As folhas são óptimas para dar um sabor especial a sopas e molhos, os talos podem ser servidos crus, em saladas, ou cozidos junto com outros legumes, acompanhando pratos à base de carne. Servido como entrada, o aipo é um excelente alimento porque contém substâncias que estimulam a formação dos sucos gástricos, aumentando o apetite. Digestivo, indicado para flatulência (gases), diurético.
Alecrim Possui um sabor forte, pelo que convém usá-lo com algum cuidado e finamente picado. Utiliza-se geralmente seco. É empregue com borrego, no tempero de coelho manso e marinada de caça. Os pés inteiros fazem uma boa base para grelhar carne ou criação. Experimente-o em infusão em pratos doces, como cremes, molhos doces, xaropes e gelado de baunilha. Digestivo, antioxidante, estimulante, activador da circulação sanguínea, antidepressivo e anti-séptico.
Azedas são invasoras em Portugal! Erva amarga com sabor a limão, popular em França, que é adicionada às sopas no final da cozedura. As folhas das azedas dissolvem-se rapidamente e perdem a sua cor verde-clara quando aquecidas; muitas vezes usam-se os espinafres com azedas, nas sopas, para dar mais cor. É comum adicionar algumas folhas cruas às saladas.
Basílico (manjericão) É uma das ervas mais versáteis que se pode cultivar em casa. As folhas verdes têm um aroma tentador e estonteante e um sabor pungente. Se cozinhar com ela adicione-a no final, para que conserve o sabor. O manjericão é muito usado nas cozinhas italiana e francesa, para dar sabor ao tomate, com o qual tem uma extraordinária afinidade, e é também misturado em saladas e em diversos molhos -sendo o mais popular o pesto italiano. Só para fazer o pesto é que as folhas de manjericão devem ser cortadas, porque perdem a cor; nos outros casos, rasgue-as com os dedos, em pequenos pedaços. Combina muito bem com tomate, berinjela, abóbora, frango e vitela. Digestivo, sedativo, tónico, baixa a febre; auxilia no tratamento de infecções bacterianas e parasitas intestinais.
Cebolinho Os caules, de cor verde-viva, desta erva possuem um gosto a cebola, sendo utilizados em saladas e sopas de tomate, recheio de batatas assadas e pratos de ovos. As folhas frescas são utilizadas para aromatizar molhos e queijos frescos. Cortado em pequenas rodelas o cebolinho realça as saladas, os ovos e as omeletes, o queijo branco e os molhos. O cebolinho também é óptimo para decoração de pratos. Antioxidante e digestivo.
Cerefólio É uma bonita planta de folhas plumosas, com o aroma delicado das sementes de anis. Utilize-as rapidamente, pois uma vez colhidas as folhas murcham logo. O cerefólio é muito usado na cozinha francesa, para dar gosto às omeletas e pratos de peixe, mas também pode ser usado em saladas, sopas e molhos.
Coentros As folhas, as raízes, os caules e as sementes desta erva, fortemente aromática, têm gostos levemente diferentes. As folhas servem para aromatizar sopas, guisados de favas ou ervilhas e saladas de alface. Os caules e as raízes podem ser cozinhados nos estufados e sopas, mas devem ser retirados antes de servir. Possui um perfume incomparável, refrescante e de sabor marcante. Combina muito bem com peixe, frutos do mar, frango e legumes. As suas sementes são usadas para temperar marinadas. Antioxidante, digestivo, moderador de apetite, auxilia no tratamento da ansiedade.
Eruca ou rúcula Chamada arugula em Itália, onde é muito popular, é uma erva para salada, utilizada com as folhas novas inteiras. Tem um sabor forte mas delicioso, semelhante ao do agrião, que é muito realçado por um bom molho de vinagrete. Muito boa com a massa cozida, com manteiga e alho esmagado.
Erva-cidreira ou Melissa Com sabor semelhante ao do limão, utilizam-se as folhas inteiras em ponches, bebidas de frutas, chás, em sopas e saladas.
Erva-Doce ou Anis Muito utilizada na doçaria regional, esta erva é indispensável nas castanhas cozidas. A base da haste é usada como legume. As folhas de erva doce combinam muito bem com peixes grelhados ou cozidos em papelote. Este tempero fica delicioso servido com grande variedade de carnes como frango, vitela e outras. O seu aroma doce, como o anis, tempera muito bem saladas, molhos e o creme fresco. Cultivado desde os tempos dos faraós, o anis é actualmente muito popular em bebidas mediterrânicas como o ouzo. Combate tontura, náuseas, infecções intestinais e estomacais.
Estragão Uma erva com bonitas folhas finas, com um sabor forte mas subtil. Se a cultivar, assegure-se de que se trata da variante francesa, pois a russa cresce prolificamente mas não tem o mesmo sabor. O estragão é famoso pela sua aplicação em frangos, manteigas, molhos, ovos e peixe, mas também pode ser usado na carne e peças de caça e em tempero de saladas. O estragão tem um gosto picante que ajuda a realçar alimentos sem muito sabor. Muito usado no preparo de vinagres de vinhos brancos. Estimulante de apetite; alivia reumatismo e artrite, regulariza a menstruação, diurético.
Folhas de feno-grego É uma erva verde e macia, semelhante ao trevo, e a sua semente é muito utilizada na cozinha indiana, porque o seu sabor amargo e aromático se mistura bem com as outras especiarias. As folhas sabem a noz com gosto de caril.
Funcho Os caules e folhas desta erva aromática têm um delicado sabor adocicado. As folhas plumosas do funcho são uma boa guarnição para legumes e pratos de peixe. Os caules secos são muito eficazes como base para colocar o peixe enquanto está a ser grelhado. Usa-se também em molhos e guisados.
Hortelã/Menta Entre as mais importantes ervas culinárias encontra-se a hortelã, que tem uma vasta gama de sabores, conforme a variedade. Como alternativa ao molho de hortelã, é excelente espetada num assado ou estufado de borrego; picada, fica bem em sopas de creme e em almôndegas. As folhas frescas aromatizam sopas e pratos de carne e peixe. A hortelã picada também pode ser espalhada sobre legumes cozidos. Tem um sabor interessante quando adicionada a molhos picantes de frutas e especiarias, a groselha negra, ameixas e outros frutos de Verão em calda, e fica óptima em saladas de fruta, gelados, em chás ou simplesmente misturado com queijo de cabra e pepino, como fazem na Grécia. Estimulante, digestiva. O pó da folha é usado para combater parasitas intestinais (ameba e giárdia) em crianças.
Levístico As sementes, folhas e caules desta erva têm um vago sabor a aipo, mas possuem também um sabor muito definido e pungente que Ihes é próprio. As folhas são decorativas e fazem uma bela guarnição em volta de um prato. Também ficam excelentes quando cortadas em pedaços e espalhadas em sopas e estufados, adicionadas na altura de servir e finamente picadas. O levístico é particularmente bom em pratos de tomate. É uma bela erva, fácil de cultivar.
Louro (é uma árvore...) As aromáticas folhas de louro são utilizadas frescas ou secas e têm um lugar essencial num ramo de cheiros. Ficam particularmente bem no peixe e também com caça e com legumes como o feijão. Se se extrair a nervura central das folhas e estas forem finamente picadas, produzem um magnífico efeito nos molhos de natas e ovos. O Louro combina com sopas, peixe em geral, carnes, frango e terrines. Ao cozer batatas, junte-as à água. Geralmente uma folha basta para aromatizar o prato. Nos cremes doces, faz-se uma infusão das folhas inteiras em leite quente, antes de levar ao lume. Antioxidante, digestivo; estimula o apetite; é auxiliar no tratamento da gripe.
Manjerona Da família do orégão, embora de sabor mais suave. O seu sabor é destruído pela cozedura prolongada, pelo que é preferível adicioná-la pouco antes de servir. É a erva dos recheios das empadas. Liga bem com a carne, frango, legumes e com queijo e ovos. Considerada indispensável na cozinha mediterrânea, a manjerona combina também com tomate, batata e arroz. Associa-se facilmente a outras ervas.
Orégão(s) Indispensável no preparo de pizzas, o orégão é o companheiro perfeito do tomate, do pimentão, da berinjela, da abóbora e das massas. Também combina muito bem com carnes como a vitela e o peito de frango. É a única erva que fica melhor seca do que fresca. Digestivo, antioxidante, antibacteriano, antibiótico, analgésico, sedativo; auxiliar no tratamento de gripes, resfriados e cólicas menstruais, auxilia a circulação do sangue.
Poejo Bastante utilizado na culinária alentejana, na sopa de poejo com queijo fresco e na célebre açorda. Utiliza-se fresco.
Salsa Embora tradicionalmente utilizada apenas para guarnição, a salsa fresca também dá um excelente sabor a sopas e molhos. Existem duas variedades, com folhas lisas ou frisadas, sendo a de folhas lisas mais decorativa, de sabor mais forte e que suporta melhor o cozimento. Muita salsa picada, um pouco de alho esmagado e azeite extravirgem aromatizado constituem um excelente toque de acabamento para pratos de carne e peixe grelhados. A salsa pode ser frita e servida com o peixe, ou reduzida a puré, com um pouco de manteiga, para obter um molho rápido para servir com frango ou vitela. Acrescenta cor e sabor às omeletes, saladas, molhos, purés de batatas, patês e sopas. Favorece o equilíbrio hormonal; é fonte rica em betacaroteno (pré vitamina A) e Vitaminas do Complexo B; alivia os sintomas da bronquite, asma, cólicas menstruais e cistite; é auxiliar no tratamento de cálculos renais e cólicas.
Salva As folhas verdes ou secas constituem um óptimo condimento, combinada com tomate, alho e azeite, para pratos de carne, estufados ou guisados. A Salva serve para perfumar as carnes, principalmente a carne de porco, coelho e vitela. Seu sabor, ligeiramente amargo, combina com legumes secos, queijos e linguiças. Vai muito bem com carnes grelhadas e molhos, assim como em pratos quentes com queijo. A salva tem um sabor potente, pelo que deve ser usada com parcimónia. É excelente para recheios. Digestiva, antioxidante; auxiliar no tratamento de problemas de fígado, suor excessivo, ansiedade, depressão e sintomas da menopausa.
Segurelha As variedades de Inverno e de Verão desta erva sabem vagamente a tomilho, mas são mais amargas. A segurelha de Inverno é ligeiramente mais suave. Utiliza-se (com discrição) em sopas de feijão verde, feijão com massa, em guisados e carne estufada.
Tomilho O seu sabor é picante e amargo. É adequado para pratos de longa cozedura e estufados. Ao contrário da maior parte das ervas, com excepção dos orégãos, o tomilho é tão bom seco como fresco. Cai bem com borrego, mas também com porco, frango, peixe e ovos. Combina muito bem com sopas, molhos de tomate, legumes em geral, carnes vermelhas e terrine. Deve ser utilizado com parcimónia porque o seu sabor se sobrepõe facilmente a todos os outros. Digestivo, desinfetante, anti-séptico; é expectorante, limpa as vias respiratórias e o intestino.

26 de março de 2010

146 - Comprar/semear plantas que necessitem de pouca rega e, de preferência, nativas


Ao procurar mais uma planta para a nossa sala, lembrei-me que seria melhor, claro, escolher uma espécie que não necessite de muita rega.

O livro "O jardim em casa", a que fiz referência no post ter plantas dentro de casa, tem um guia óptimo de plantas de interior, com descrição e indicação dos cuidados que necessitam: temperatura, luz, humidade, rega e manutenção (se dão muito trabalho ou não...). Em relação à rega, as plantas podem ser de rega escassa, moderada ou abundante. Resolvi restringir-me às de regra escassa (para minha surpresa quase todos os cactos tem a referência de regra moderada):

- arália-elegantíssima, dizyghotheca elegantissima;
- beaucarnea, beaucarnea recurvata (é uma palmeira?! Não, é um arbusto mexicano...);
- pena-rosada, tillandsia cyanea;
- criptanto, cryptanthus bivittatus;
- sardinheira, pelargonium domesticum híbrido (?);
- peperomia, peperomia caperata;
- echevéria, echeveria derenbergii (um cacto!);
- echevéria agavoides, echeveria agavoides (cacto, da mesma família);
- corações desfeitos, ceropegia woodii.

Estas são as que aparecem neste livro, claro. São, quase todas elas, plantas que necessitam de um ambiente quente e ensolarado, como a nossa sala. O que não é de estranhar pois são todas originárias do hemisfério sul... Até as sardinheiras, assim como outras plantas, que associamos aos países mediterrâneos.

Eu queria mesmo era ter, dentro de casa, plantas que necessitem de pouca rega, sim, mas que sejam nativas/autóctones, pois isso significa que:

- resistem a determinadas condições climáticas e a um dado solo (o que por outro lado requer alguns cuidados na escolha da terra: também deve ser da região);
- desenvolveram defesas naturais a pragas, doenças e às características de uma região, por isso, são plantas muito resistentes, vigorosas e adaptadas ao meio onde se encontram;
- são de baixa manutenção;
- não requerem rega intensiva;
- são de fácil desenvolvimento e implementação;
- são pouco exigentes em factores de produção (químicos, fertilizantes, água);
- desenvolvem-se com facilidade e rapidez.


Num jardim, esta tarefa está facilitada: é um espaço exterior... Um jardim com plantas autóctones necessita de pouca manutenção e não requer cuidados especiais, como é muito comum nos jardins onde predominam as espécies exóticas ou nos relvados que muitos portugueses insistem em ter... Esta abordagem do paisagismo tem o delicioso nome de xerescape ou xeriscape.

Mas como faço dentro de casa? Se virem a lista das plantas portuguesas, não parecem prontas para se darem dentro de casa, pois não?...

E sobre este assunto não encontrei informação. Encontrei listas (aqui, um óptimo herbário digital de Portugal) de plantas (liliáceas, crisântemos, margaridas, ...) que nos habituámos a ver em jarras (as suas flores) dentro de casa, mas desenvolvem-se e vivem numa divisão?? Aceita-se ajuda...

Por agora, e à falta de mais informação, vou procurar as sardinheiras (pelargonium domesticum) que se dão dentro de casa. Apesar de não serem autóctones, já andam por cá há muito tempo...

E vou ter cuidado em não contribuir para a disseminação das plantas invasoras. Sabiam que as azedas estão neste grupo?

E vou começar a encher a nossa (pequena) varanda com plantas autóctones. Algumas já são raras no estado selvagem ( sete vezes mais plantas ameaçadas do que animais). O cantinho das aromáticas (a maior quinta urbana na Europa), em Gaia, vende-as.

E vou... (terei espaço para "entrar" na varanda?!...)