18 de março de 2010

138 - Usar lápis ao invés de esferográfica, quando tiro apontamentos


Tive uma fase, algures entre a infância e a adolescência, em que coleccionava esferográficas e lápis de todas as cores e feitios: com cheirinho, com bonecos, lapiseiras com mini-lápis de cores, ... Até tive uma caneta que tinha, no seu interior, um rolinho de papel que se ia puxando para escrever notas (apetrecho que não podia usar nos dias de teste...). Também tive uma fase em que coleccionava bloquinhos... mas essa é outra história.

Tendo em conta que "desde 1950 foram vendidas mais de 100 bilhiões de canetas no mundo (o que corresponde a 60 delas por segundo sem parar até hoje)", pode parecer insignificante a minha colecção de canetas, mas a verdade é que contribuí com a minha quota parte de plástico, metal e tinta tóxica (a tinta utilizada nos tais 100 bilhiões daria para encher cem piscinas olímpicas!)... Em meu abono, devo dizer que algumas delas ainda andam por cá, a uso, o que, pelo menos, significa que foram bem "exploradas" antes de serem enviadas para o ecoponto.

O que posso fazer para me redimir?

Deixar de usar esferográficas, pelo menos a médio prazo. Para já, como ainda andam por cá bastantes, não tenho que me preocupar com o que fazer quando precisar mesmo de escrever a tinta (mas já tenho mais uma medida, para quando acabarem: usar uma caneta de tinta permanente).

Para os meus muitos apontamentos, notas e gatafunhos vou passar a usar o poético lápis. Tem madeira, é verdade. Que vem das árvores, eu sei... Mas não tem plástico, nem metal, nem tinta tóxica...


Há esferográficas (ditas) ecológicas/biodegradáveis, mas normalmente esta atribuição fica-se pelo invólucro (de milho, de cartão, de papel de jornal, de plástico reciclado de caixas de cd's ou outras canetas, ...), e nem sequer em toda a sua percentagem: umas têm partes em metal, outras em plástico "normal", ... E, claro, todas elas continuam a usar tinta nada ecológica. Talvez em breve comecem a aparecer canetas com tinta de repolho-roxo ou beterraba, mas, para já, a única que encontrei quase, quase 100% biodegradável é a DBA pen: só a esfera do sistema roller-ball (em aço) faz com que seja "apenas" 98% biodegradável.

Como ter que a mandar vir dos Estados Unidos não me parece muito ecológico, vou mesmo continuar na minha ideia: lápis. O que, também tenho que confessar, há em quantidade cá por casa. Devido à minha formação académica, passei 6 anos a comprar lápis de todas as marcas, do 9H ao 9B... Até tenho um "aproveitador", como lhe chamo, de lápis pequeninos, dentro da lógica deste (mas para um lápis de cada vez...):



E também aos lápis chegou a moda do "eco": há lápis feitos de papel de jornal reciclado, de copos de plástico (das máquinas de café) usados, de calças de ganga velhas, de gravetos apanhados na rua, ... Até encontrei um lápis que traz uma semente (não consegui saber de quê) para se plantar quando o lápis chegar ao fim! Presumo que para compensar as árvores que se cortam para fazer os lápis (é bom que a semente seja de uma árvore...).

Mesmo empresas pioneiras têm agora cuidados ambientais, como a Faber Castell que retira a madeira que utiliza de florestas sustentáveis certificadas ou a Staedtler (cujo lema neste momento é "efficient for ecology"), que tem uma série de cuidados na produção, transporte e reciclagem dos seus lápis.

E claro, temos a nossa Viarco. Comprar nacional é, em príncipio, ecológico... Mas gostava de saber mais sobre as práticas ambientais da empresa.

eu tive um destes!

O lápis é mais poderoso que a caneta?!...

16 comentários:

  1. Uma boa ideia sem duvida. Tb tenho em casa dos maus pais uma caixa cheia delas :P

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  2. Olá Ema,
    Adorei a ideia!
    Gostava imenso de ter uma caneta destas! Acho que ainda não exportam para a Europa, mas quando exportarem, quanto mais gente houver a comprá-la, mais se consegue rentabilizar os transportes e menos gasolina/poluição se desperdiçam.
    Outra ideia para escrever verde: usar os suportes informáticos. Os nossos computadores passam msm o dia ligados...:S

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  3. Prezada Ema. Seu blog realmente é algo de especial. Tem um conteúdo magnifico apresentado de forma espetacularmente bela. Estou encantado com ele e por isso resolvi seguir-te. Também já inseri um link na imagem do seu cabeçalho no http://leonamsouza.blogspot.com/, vá lá e confira. Gostaria muito de consolidar uma parceria com você. Que pensas disso? Um grande e fraternal abraço do Leonam

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  4. É um prazer enorme olhar para um lápis pequenino, pequenino... MArcado por kilómetros e kilómetros de palavras. Umas com mais, outras com menos sentido poético, mas todas elas, concerteza, úteis e preciosas... Adoro escrever a lápis, mas confesso que a colecção de canetas cá de casa também é enorme. Quase todas fechadas em caixas pq n as uso, mesmo, mas... lá está, o plástico e a tinta, povoam esta secretária... Pergunto-me se não haverá uma forma de upcycling para estes materiais. Projectos com o plástico das canetas até consigo imaginar, mas a tinta... essa já é mais difícil!

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  5. Leonam,
    obrigada pelo seu entusiasmo e carinho!
    Claro que aceito o seu pedido, vou inserir o seu blog (com tanta informação útil!) na minha lista de blogs!
    Beijinhos e um bom resto de semana!

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  6. Olá Cat!

    Muito bonito e inspirador o teu testemunho!
    Encontrei muitas ideias para reutilizar canetas (até há uma ideia de uma impressora que reutiliza os restos da tinta das esferográficas). Hei-de partilhá-las também!

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  7. Adorei esta ideia dos lápis. É mesmo de dizer: como ninguém se lembrou antes... Inspirei-me e fiz o meu. Queria deixar uma foto, mas não consigo. Aproveitei uma daquelas borrachas que vêm à volta das canetas, para os dedos não deslizarem, e enfio lá 2 lápis, um para cada lado. E assim dá para escrever mais tempo com eles.

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  8. Sara, se quiser, envie-me para o email 365coisasquepossofazer@gmail.com e eu publico-a na página do "365 coisas que posso fazer..." no facebook, com o devido crédito, claro!

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  9. Estava aqui a pensar: e porque não recorrer à lapiseira?! Claro que é feita de plástico ou metal, mas se for de boa qualidade dura uma vida (escrevo com a mesma rotring há mais de uma década!) e é só ir abastecendo de minas... e de repente ocorreu-me: as minas vêm em caixinhas... de plástico. Não sou fã de lápis, mas realmente parece-me a melhor solução. Mais uma para a lista "comportamentos a adoptar!" Estas questões são bem complicadas, quando nos damos ao trabalho de pensar nelas... - suspiro!
    Ana

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  10. Pois é, Ana, quando começamos a aprofundar as questões... eh, eh!
    Mas vai tentando "balançar" a lapiseira e o lápis, para te ires habituando, que dizes?

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  11. Adorei esta sugestão :)

    Aliás para mim é muito muito fácil, nunca gostei de lapiseiras, o que durante toda a minha vida só usei lápis... Em relação às canetas, acho que não compro nenhuma há mais de 10 anos, o que representa mais de metade da minha vida... Vou aproveitando para utilizar canetas que me dão, canetas de empresas, conferências, etc.

    Por falar em conferências, eu trabalho na área ambiental e do território e na maioria das conferências que vou já dão quase sempre lápis... e aqueles saquinhos bonitinhos de pano que dão para mim e uma utilizações (lá em casa para guardar feijão).

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    1. Obrigada Xoru.
      Que boa ideia, a dos saquinhos!

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  12. Além disso o facto de as canetas são serem recicláveis, ou melhor o seu plástico é algo muito mau... Por isso mesmo tenho uma colega que acumula canetas vazia à espera que um dia as possa reciclar :P

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    1. Há ideias para as reutilizar! fazendo carteiras, por exemplo.

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  13. Ema, mais uma ideia a pôr em prática. Acabei de me comprometer a não comprar mais nenhuma esferográfica enquanto não usar todas as que tenho em casa http://greenerhealthierhappier.blogspot.pt/2013/08/usar-aquelas-canetas-que-todos-temos.html. Mas adoro a ideia dos apontamentos a lápis que se somem da superfície da terra deixando apenas notas de rasto :) Boas férias.

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