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7 de outubro de 2013

216 - Comprar uma bicicleta "verde"...


Como devem ter reparado a minha pausa prolongou-se para cá de meados de setembro e - apesar das mudanças não estarem completas (as obras demoram sempre mais tempo do que o previsto...) - já estava a sentir falta do "365 coisas..." e, claro, de vocês!

Neste período houve mais mudanças para além das referentes à casa e que implicam eu poder andar mais de bicicleta e menos de carro (boa, boa!!!). Também o Zé Manel anda mais de bicicleta e como, nos nossos tempos de lazer, queremos passear os dois juntos e só tínhamos uma (e andar sentado no quadro não é nada confortável...) resolvemos comprar a segunda. E claro, decidi logo investigar e procurar a bicicleta mais amiga do ambiente...

Por si só uma bicicleta já é "ecológica", mas há umas mais do que outras...

Gostava de vos dizer que comprámos esta (sim é de cartão), mas ainda não está à venda:


Ou esta (quem diria que o bamboo é tão caro?!...):


Ou ainda esta (parece-me - do que li - a mais "verde"...):


Mas não.

Entre a (ainda) inexistência de uma, o preço de outra, e o facto da última "estar" no Brasil, resolvi procurar uma bicicleta caseirinha, isto é made in Portugal.

E apaixonei-me - à primeira vista  - por esta:



"É a tua cara!"disse logo o Zé Manel... e assim assinou a sina de herdar a minha bicicleta anterior!

A minha nova menina é o modelo Sport Classic, da Órbita, empresa de Águeda com mais de 40 anos. E tive o prazer de a comprar na Velo Culture, uma charmosa loja "à antiga", em Matosinhos (há outra em Lisboa).

E não, não tive nenhum desconto por estar a fazer publicidade... As coisas boas são para partilhar, certo?

E entretanto lembrei-me que a minha primeira bicicleta também foi uma Órbita, como esta (mas branquinha):


No nosso caso não se justificava, mas as bicicletas eléctricas - apesar de terem uma bateria de lítio - podem ser uma escolha sustentável, se implicarem menos viagens de automóvel, não é? E esta, por exemplo, carrega-se simplesmente pedalando:


2 de janeiro de 2011

187 - Consumir apenas mel biológico

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Na verdade não gostamos muito de mel... por isso cá em casa um frasco dura imenso tempo. O bom é que não tem prazo de validade!

Para mim o mel é remédio. O meu calcanhar de aquiles é a garganta e, como tal, sumo de limão com mel, chá com mel, leite com mel, ... faziam parte do tratamento quando, em miúda, ficava doente... Mas- ironicamente - adorava, nas férias do Verão na aldeia, chupar os favos de mel, depois do apicultor retirar o mel das colmeias do meu tio. Ficávamos, os primos todos, à volta dele, pacientemente à espera que terminasse e nos desse, a cada um, um "bocado de cera" que nos proporcionava umas horas deliciosas, sentados ao sol a saborear um pedaço de céu...

Como o uso era pouco, nem me lembro de comprar mel: aparecia cá por casa! Mas agora até o tenho usado mais, principalmente nos produtos de beleza caseiros... E acabou, e precisei de mais e - claro... - lá vai a Ema procurar o mel mais sustentável. (Já não há compras "inocentes"...)

Bem, descobri que o mel pode não ser puro (podem misturá-lo com melaço de cana, água, ...) e até há "testes" caseiros para verificar o seu nível de pureza.
Há um mel (de melada) que é "obtido a partir de secreções ou exsudações de partes vivas ds plantas ou excreções de certos insectos sugadores de plantas como os afídeos". Espero nunca ter comido deste... E o mel de néctar, que pode ser monofloral (rosmaninho, urze, ...) ou multifloral.
Há, em Portugal, 9 tipos de méis com denominação de origem protegida (DOP): Alentejo, Barroso, Serra da Lousã, Serra de Monchique, Parque de Montesinho, Terra Quente, Ribatejo Norte, Terras Altas do Minho e Açores. Bom, não é? Comprar um mel com este selo já é bastante positivo, até porque estamos a apoiar a produção portuguesa:



Mas os apicultores usam, hoje em dia, químicos para combater as pragas e doenças que afectam as abelhas. Parece que o problema mais comum (e grave) é o ácaro verroa (também, com este nome...) que destrói colónias inteiras.
Tenha atenção se comprar mel directamente ao produtor e este usar os químicos convencionais, pode haver vestígios dos mesmos no mel. Em princípio não haverá no mel embalado, porque é sujeito a análises.

Na apicultura biológica usam-se outros tratamentos (timol) que são igualmente eficazes, mas, provavelmente, mais morosos... Claro que estes, juntamente com outros cuidados necessários e todo o processo de certificação, tornam o mel biológico mais caro (o que não é nenhuma surpresa). Mas penso que vale a pena, principalmente se pensarmos que os químicos convencionais parecem enfraquecer a imunidade das abelhas... e que estas têm um papel muito importante no equilíbrio ecológico (sabiam que uma abelha, em média, pode tocar, num dia, em 40 mil flores?!)... e que parecem estar a desaparecer...


Ainda não foi desta que comprei mel... (é um dos lados bons de partilhar as minhas pesquisas e preocupações), mas recebi um belo frasco de mel "tipo" biológico (porque não é certificado...).
Nas lojas e feiras de produtos biológicos há mel, português e biológico, à venda. Pelo menos aqui pelo Porto e Matosinhos há... E talvez também já haja nos supermercados.

E já agora, se concordarem, assinem esta petição para proibir um tipo de pesticida que parece contribuir para o desaparecimento das abelhas.
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15 de novembro de 2010

183 - Comprar apenas café biológico, do comércio justo e torrado na região

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Depois de termos optado por usar sempre café em saco, decidimos agora dar o passo seguinte: comprar apenas café biológico, justo e torrado por cá.

E lá parti eu em demanda do santo graal dos cafés...

Em quase todas as lojas ou zonas de lojas dedicadas ao comércio justo há embalagens de café proveniente do comércio justo e/ou biológico... mas não são portuguesas... E eu queria um café que fosse as três coisas:

- biológico porque se, por exemplo, apenas uma família mudar, durante um ano, para café biológico, está a proteger 2800m2 de floresta tropical. Apenas uma família!!!;

- justo porque, tal como no caso do chocolate, trabalhadores são explorados (escravizados será talvez mais correcto nalguns casos) nas plantações de café "normais". Neste momento é a segunda mercadoria comercial mais valiosa (a primeira é o petróleo) o que deve corresponder a um "vale tudo", por parte das empresas, para chegar ao topo. O café foi o primeiro (e ainda hoje o mais vendido) produto de comércio justo. O filme black gold (seleccionado para vários festivais de cinema) retrata este mundo e parece-me muito interessante mas chegar às salas portuguesas é que não... Foi exibido, em Julho, na Gulbenkian, alguém viu?;

- e torrado por cá, pelos motivos do costume, já por mim explanados por aqui.


E não é que o descobri, mais perto (e rápido) do que pensava?

A Delta, marca 100% portuguesa, tem café biológico, café justo e café torrado em Portugal. Todos juntos num só? Parece que sim...

Segundo o apresentação interactiva no seu site, a marca adquire café (da maneira como está colocado tanto pode ser todo, como parte...) através do comércio justo, desenvolve acções para promover a capacitação dos produtores, a melhoria de condições dos trabalhadores e incentiva o cultivo de café de forma sustentável. Fá-lo, pelo menos, desde 2007. É a única empresa portuguesa certificada pelo Sistema de Responsabilidade Social SA 8000, e, pelas várias notícias que encontrei, parece fazer um esforço genuíno para o que os seus produtos sejam verdadeiramente sustentáveis.

Assim, todos os cafés serão provenientes de um comércio (mais) justo e de um cultivo (mais) biológico. Mas depois têm apenas um café de agricultura biológica certificado. E é por isto que fico confundida. Se calhar é porque é muito difícil todo o processo de certificação (algo que tenho aprendido ao longo destes meses) e não porque os outros não o sejam também. O que acham?

Mas têm também uma gama maravilhosa (!), a "Origens Seleccionadas Delta", com as variantes Timor, Colômbia, Manaus e Mussulo, que tem a certificação da Rainforest Alliance, que comprova não só a prática de uma agricultura biológica mas também a remuneração justa dos agricultores. Perfeito, não?


Claro que foi sobre estes que caiu a nossa escolha. Há em dois tipos de moagem (fina e grossa), mas não encontrei - como preferia - em grão. Só depois me lembrei que talvez numa loja Delta vendam avulso e em grão também estas variedades. Hei-de lá ir (assim também reduzo à embalagem!). O Zé Manel escolheu o Mussulo (todas as embalagens - 250g - desta gama custam 2,52€, no Continente), porque é mais "encorpado", mas pelas descrições há para todos os gostos.
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Espero que agora ninguém me venha contar algo de terrível sobre esta empresa portuguesa da qual me sinto tão orgulhosa neste momento (espero, mas se souberem digam, claro!). E sim, é verdade que, seguindo as tendências, têm a DeltaQ, mas passa por nós, consumidores, mostrar que esta moda não é amiga do ambiente, continuando a comprar o velhinho café de pacote, não é?
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E ainda estive a explicar à senhora que estava a promover os cafés Delta (e que me viu a ler, e a reler, muito atentamente todas as embalagens) o que era o comércio justo e os selos de certificação...
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14 de julho de 2010

165 - Comprar apenas sal artesanal


Ir às compras - dos ditos bens essenciais - é para mim agora tarefa para durar o dobro - não - o triplo do tempo, em relação ao "antes deste desafio"...

(Devo aqui fazer um parênteses para homenagear a paciência do Zé Manel enquanto, por exemplo, leio a lista detalhada de ingredientes de, não um, nem dois, mas de vários podutos similares... E isto só para referir um episódio, de entre vários acontecidos numa mesma ida às compras!)

Nós já não usávamos sal refinado. Aliás usamos bastantes ervas e especiarias e pouco sal, mas às vezes, sal... é sal! Usamos flor de sal em pratos não cozinhados - tem um sabor melhor, quanto a mim - e sal grosso nos restantes casos.

A flor de sal ou o "diamante das salinas" é, até pela delicadeza do processo da sua recolha, sempre artesanal. Penso que a que temos neste momento em casa foi comprada numa feira de artesanato e é da Figueira da Foz. Agora já se encontra flor de sal em todos os hipermercados mas até há pouco tempo ia toda para o mercado estrangeiro (parece que, no mercado francês custava 45€ o quilo!)

Mas, ao me deparar, na prateleira do supermercado, com tantos sacos de sal de marcas diferentes, pus-me a pensar: "haverá um sal mais ecológico?"

Há!

As salinas, apesar de artificiais, existem há milhares de anos, e são habitat para muitas espécies de aves migratórias, nidificantes, mas também de anfíbios e de peixes. O seu desaparecimento põe em risco toda esta biodiversidade.

Por outro lado o sal marinho tradicional é recolhido à mão (com auxílio de instrumentos de madeira) e não por meios mecânicos (que necessitam de combustível...) e não é "limpo"/processado industrialmente - pelos vistos com o auxílio de cloro ou formol (???) - o que faz com que conserve os cerca de 80 elementos que possui (magnésio, cálcio, potássio, ...) que quase desaparecem no sal industrial. Este tem até uma maior percentagem de cloreto de sódio (o elemento que torna o sal o "mau" da fita para muitas pessoas) do que o primeiro.

Ao comprar sal artesanal estamos a contribuir para a manutenção de uma profissão em "vias de extinção" - o marnoto - embora pareça, agora, rejuvenescer nos novos operadores de salinas tradicionais. Estamos também a contribuir para que o esforço de todo um programa internacional de não deixar desaparecer esta arte, um pouco por todo o Atlântico, não seja em vão.

esta salina em Aveiro já desapareceu...

Ainda por cima, o nosso sal é considerado um dos melhores do mundo, por isso não há necessidade de comprar sal dos Himalaias ou de uma ilha no Pacífico, só por que é exótico.

Comprei um pacote de sal marinho tradicional Marnoto, recolhido manualmente no Parque Natural da Ria Formosa (vem do Algarve, mas não havia nenhum sal artesanal de mais perto...) por 1€. Não se preocupem por não encontrarem a palavra biológico numa embalagem de sal. Por ser um mineral não pode ser certificado - para já - como produto biológico.

É certo que é mais caro (um pacote de sal industrial custa cerca de 0,30€) mas depois de tudo isto não acham que vale a pena?

10 de julho de 2010

161 - Aderir à causa "Buy Handmade"


O artesanato está na moda (tal como o ambiente...), o que tem - como tudo - pontos positivos e outros... nem tanto. Como sou optimista creio que os positivos ganham, mas a verdade é que de repente toda a gente descobriu a sua veia artística! Basta ver a profusão de feiras de artesanato por todo o país (sazonais, mensais).

Há artesanato tradicional, há artesanato contemporâneo, há artesanato urbano (aqui tem um bom artigo sobre o aparecimento e desenvolvimento do artesanato urbano). Há artesãos, artistas, crafters, ...


O artesanato tradicional era até, há pouco tempo, desprezado (ou estou errada?) pela maioria de nós. (Quase) ninguém comprava, ninguém queria aprender e manter viva a tradição. Associo este tipo de artesanato a homens e mulheres enrugados, curvados pelo tempo, de mãos calejadas, os corpos mostrando cada hora passada na "sua arte": ou debruçados em teares pesados, ou a entrelaçar cestos ou a dar forma ao barro, ... Tristes porque não tinham ninguém a quem passar o seu saber, que ia morrer (e em muitos casos tal já se deu) com eles. Eu sou bem a prova disto: em miúda/adolescente não quis aprender - com a minha avó (que sabia fazer renda de bilros!) e a minha tia - os mistérios das linhas, dos tecidos e das agulhas. Agora que gostava de saber, elas não estão cá para mo ensinar...

Depois deu-se uma reviravolta (as minhas reflexões são pessoais, sensoriais, não uma "tese", por isso este post pode conter incorrecções e não tem, de certeza, dados comprovados...) e de repente já é giro ter um galo de barcelos, rendas, azulejos tradicionais e andorinhas de louça a enfeitar a nossa casa.

Há lojas, "reais" e virtuais - a vida portuguesa, portugalheart, feitoria, portukale - (talvez mais vocacionadas para o mercado estrangeiro) dedicadas ao artesanato tradicional e também a objectos produzidos por pequenas fábricas (ditas artesanais) que se revitalizaram e, em alguns casos, se salvaram - felizmente - da extinção.

Já há quem (sem ser quase centenário, enrugado e cansado) queira aprender as "artes antigas", mantendo-as ou reinterpretando-as, trazendo (juntamente com os artesãos urbanos) uma lufada de ar fresco (não para substituir mas para acrescentar!).


Sinal destes tempos são as lojas que abrem dedicadas a estas artes. No centro do Porto, por exemplo (rua do Almada, rua Miguel Bombarda, ...), há uma grande oferta de lojas com objectos para todos os gostos, e há feiras mensais (artesanato urbano na rua de paris, artesanato urbano no parque, ...) dedicadas ao artesanato. O mesmo acontece em Lisboa (feira do príncipe real, temporariamente suspensa devido a obras no jardim) e, por certo, noutras cidades.

E claro, a internet. Há tantos, mas tantos, sites e blogs dedicados ao artesanato - em todas as suas formas... - que o difícil é escolher e distinguir entre o verdadeiro artesanato (tradicional ou urbano) e - à falta de melhor palavra - "jeitosos de mãos" (daí o meu comentário inicial sobre a tal da veia artística...): este blog publica todas as semanas uma entrevista sobre um crafter português. E com o Etsy qualquer pessoa pode vender as suas criações, sem necessitar de um ponto de venda físico.

E o que é que tudo isto tem a ver com o ambiente e com reduzir a minha pegada??? Porquê comprar artesanato?

Entre as 101 razões apresentadas aqui, comprar feito à mão é incentivar as tradições e o artesanato local. Comprar produtos locais reduz os custos ambientais do transporte e, normalmente, também da embalagem. É uma actividade com um impacto energético normalmente reduzido (há excepções, claro, como, por exemplo, peças que tenham que ser cozidas em fornos - muflas - eléctricos, que consomem muita energia). Muitos dos artesãos contemporâneos reutilizam materiais de forma muito criativa, reduzindo os desperdícios. E, regra geral, as lojas e feiras urbanas localizam-se nos centros das cidades (contribuindo para a sua revitalização), onde podemos facilmente chegar a pé ou de transportes públicos, deixando o carro em casa...

Razões (ambientais) suficientes?

Claro que podemos boicotar isto tudo. Basta comprarmos - via internet - uma peça de artesanato frágil (para precisar de muita embalagem) a um criador que viva na Austrália...

Mas, fã desde sempre do feito à mão (por tradição familiar, em pequena fazia - e ainda faço! - as prendas que oferecia: também sou uma jeitosa de mãos...) resolvi aderir a esta causa: comprar feito à mão/buy handmade, causa lançada por 9 sites dedicados ao artesanato.


Com a ressalva: comprar feito à mão... em Portugal!

1 de julho de 2010

152 - Encontrar prendas para bébés amigas do ambiente


Quase todos os meus amigos têm ou começam a ter bébés... Ao procurar um presente para oferecer a uma bébé recém-nascida lembrei-me que seria óptimo começar a ensinar-lhe, de pequenina, a defender o ambiente...

Que presentes "verdes" oferecer a um bébé?


Há, claro, as fraldas reutilizáveis (que tanta discussão geraram no facebook), mas achei que era muito radical para uma recém-mamã atrapalhada com tanta nova responsabilidade. Falar-lhe-ei deste assunto um pouco mais para a frente.

Na ecological kids, com loja no Porto (mas também na internet) tem, além das fraldas e de acessórios para um recém chegado a este mundo, alguns brinquedos para bébés: rocas, peluches, fantoches, todos muito engraçados e livres de tóxicos. Mas ainda não era bem isto que eu queria!

Depois lembrei-me da NaturaPura, que encontrei ao fazer o post sobre rótulos ecológicos. É a única empresa têxtil portuguesa que tem o rótulo ecológico europeu. Uma marca portuguesa de roupa para bébés, com lojas no Porto, Braga e Lisboa (e representada em lojas multimarcas por todo o país) e que, pelo vistos, está em expansão. Utiliza apenas algodão biológico, sem recurso a químicos, desde a produção do próprio algodão até ao produto final (as cores - verde, castanho e cru - não são tingidas, mas próprias da fibra). O único problema é que, tendo em conta que ainda tenho que comprar prendas para mais dois bébés - no espaço de um mês - os preços saíam um bocadinho do orçamento estipulado para este fim...

E foi durante um dos nosso passeios pelo parque da cidade que surgiu a prenda que me encheu o coração. Ao passar pela loja do comércio justo - aberta todos os dias, graças aos voluntários - que existe no núcleo rural (e, infelizmente a única ainda aberta na cidade do Porto), resolvemos entrar e encontramos um lindo mobile, mesmo a olhar para nós. 100% artesanal, feito no Nepal é certo, mas carregado de significado!

Ainda por cima - descobrimos ao oferecê-lo - condizia com a decoração do quarto. Tenho a certeza que vai contribuir para uns bons sonhos!

este livro também é uma boa prenda (acho que vai ser a próxima)


E, para quem for mãe ou pai, que tal experimentar os slings? Adorei! Há muitos blogs de artesãs portuguesas que os vendem, mas adorei as cores destes.

26 de março de 2010

146 - Comprar/semear plantas que necessitem de pouca rega e, de preferência, nativas


Ao procurar mais uma planta para a nossa sala, lembrei-me que seria melhor, claro, escolher uma espécie que não necessite de muita rega.

O livro "O jardim em casa", a que fiz referência no post ter plantas dentro de casa, tem um guia óptimo de plantas de interior, com descrição e indicação dos cuidados que necessitam: temperatura, luz, humidade, rega e manutenção (se dão muito trabalho ou não...). Em relação à rega, as plantas podem ser de rega escassa, moderada ou abundante. Resolvi restringir-me às de regra escassa (para minha surpresa quase todos os cactos tem a referência de regra moderada):

- arália-elegantíssima, dizyghotheca elegantissima;
- beaucarnea, beaucarnea recurvata (é uma palmeira?! Não, é um arbusto mexicano...);
- pena-rosada, tillandsia cyanea;
- criptanto, cryptanthus bivittatus;
- sardinheira, pelargonium domesticum híbrido (?);
- peperomia, peperomia caperata;
- echevéria, echeveria derenbergii (um cacto!);
- echevéria agavoides, echeveria agavoides (cacto, da mesma família);
- corações desfeitos, ceropegia woodii.

Estas são as que aparecem neste livro, claro. São, quase todas elas, plantas que necessitam de um ambiente quente e ensolarado, como a nossa sala. O que não é de estranhar pois são todas originárias do hemisfério sul... Até as sardinheiras, assim como outras plantas, que associamos aos países mediterrâneos.

Eu queria mesmo era ter, dentro de casa, plantas que necessitem de pouca rega, sim, mas que sejam nativas/autóctones, pois isso significa que:

- resistem a determinadas condições climáticas e a um dado solo (o que por outro lado requer alguns cuidados na escolha da terra: também deve ser da região);
- desenvolveram defesas naturais a pragas, doenças e às características de uma região, por isso, são plantas muito resistentes, vigorosas e adaptadas ao meio onde se encontram;
- são de baixa manutenção;
- não requerem rega intensiva;
- são de fácil desenvolvimento e implementação;
- são pouco exigentes em factores de produção (químicos, fertilizantes, água);
- desenvolvem-se com facilidade e rapidez.


Num jardim, esta tarefa está facilitada: é um espaço exterior... Um jardim com plantas autóctones necessita de pouca manutenção e não requer cuidados especiais, como é muito comum nos jardins onde predominam as espécies exóticas ou nos relvados que muitos portugueses insistem em ter... Esta abordagem do paisagismo tem o delicioso nome de xerescape ou xeriscape.

Mas como faço dentro de casa? Se virem a lista das plantas portuguesas, não parecem prontas para se darem dentro de casa, pois não?...

E sobre este assunto não encontrei informação. Encontrei listas (aqui, um óptimo herbário digital de Portugal) de plantas (liliáceas, crisântemos, margaridas, ...) que nos habituámos a ver em jarras (as suas flores) dentro de casa, mas desenvolvem-se e vivem numa divisão?? Aceita-se ajuda...

Por agora, e à falta de mais informação, vou procurar as sardinheiras (pelargonium domesticum) que se dão dentro de casa. Apesar de não serem autóctones, já andam por cá há muito tempo...

E vou ter cuidado em não contribuir para a disseminação das plantas invasoras. Sabiam que as azedas estão neste grupo?

E vou começar a encher a nossa (pequena) varanda com plantas autóctones. Algumas já são raras no estado selvagem ( sete vezes mais plantas ameaçadas do que animais). O cantinho das aromáticas (a maior quinta urbana na Europa), em Gaia, vende-as.

E vou... (terei espaço para "entrar" na varanda?!...)

13 de março de 2010

133 - Consumir apenas carne da região e biológica (esta também é exclusiva do Zé Manel...)


Apesar de fazer bastantes refeições sem carne ou peixe, o Zé Manel não é vegetariano. Depois de termos decidido não comprar mais peixes que façam parte da lista vermelha, chegou agora o momento de decidir não comprar carne (e seus derivados) que não sejam de origem biológica. Certificada ou não.

E porque é que a certificação não é uma prioridade?

A minha mãe - como já referi algumas vezes - vive numa aldeia, no concelho de Amarante. Faz agricultura biológica (tirou e tira "cursos" para se manter a par das técnicas naturais), tem galinhas, perus e patos ao ar livre (com mais espaço que nós, no apartamento), que lhe dão carne e ovos (e alheiras, está a dizer o Zé Manel). Tem uma pessoa que todos os anos cria um porco (ou mais) para ela e para algumas das minhas primas, e, quando precisa, compra a carne de bovino num talho da aldeia, que é fornecido por pessoas da região, "contratadas" para criarem os animais. Até a produtora de leite que lá existe já ganhou prémios: as vacas também pastam ao ar livre, ouvem música clássica e o sistema de ordenha é "meiguinho"... Mas nada disto é certificado com "selos biológicos". Ou porque as pessoas não estão nem interessadas nisso ou porque é tão difícil que desistem.

Como descobriu o Colin Bevan (autor do Impacto Zero, livro que estou a ler agora, amavelmente emprestado pela Mónia) ao visitar uma quinta de produção de leite exemplar: às vezes o selo biológico é um pau de dois bicos. O dono da quinta em questão não o tinha porque, quando as suas vacas ficavam doentes ele tratava-as com antibióticos (se necessário), mas só voltava a retirar-lhes leite para consumo quando as análises não mostravam indícios daqueles. Para ser considerado biológico (pela legislação dos Estados Unidos, aqui parece ser diferente), teria que abater as vacas doentes. E como ele próprio disse: "Eu gosto das vacas"...

Assim, já antes desta decisão, podemos dizer que uma boa percentagem de carne consumida pelo Zé Manel era de origem "mais amiga" (dos animais, do ambiente e dele próprio), mas, quando a comprava nunca tinha este cuidado. Agora - o que exige algum planeamento - vai começar a encomendar a carne no talho da aldeia da minha mãe. Como vamos lá quase todos os fins-de-semana, sempre que for preciso trazêmo-la. O Zé Manel também vai entrar, este ano, na "sociedade do porco" e se, mesmo assim, houver, alguma vez, necessidade de comprar carne no supermercado, será de origem biológica (aqui certificada). Até porque quase todos os supermercados a vendem.

E agora, o Zé Manel, mesmo continuando a comer (alguma...) carne, pelo menos sabe que os animais são bem tratados...

E já agora que tal aderir às segundas sem carne?... Pode parecer pouco, mas se todos os que comem carne deixarem de o fazer apenas durante um dia, a diferença é notória (em termos ambientais). Por exemplo, "se a população total dos Estados Unidos não comesse carne às segundas, a redução das emissões (de gases que provocam o efeito de estufa) seria equivalente ao que ocorreria se todas as pessoas do país trocassem seus veículos comuns por um carro eficiente energeticamente, como o híbrido Toyota Prius. A quantidade de água economizada seria suficiente para que cada pessoa enchesse a sua banheira aproximadamente 20 vezes por ano, e evitar-se-ia o consumo de 12 bilhões de galões de gasolina".


23 de fevereiro de 2010

115 - Comprar uma vassoura "amiga do ambiente"


Como estávamos a precisar de uma vassoura para o exterior, achei melhor comprar uma que fosse amiga do ambiente e não uma 100% de plástico.

A minha mãe tem uma daquelas iguais às dos varredores de rua (feita por um senhor lá da aldeia), de galhos de árvores (também há de giestas), boas para varrer as folhas, mas se calhar um bocadinho de mais para aqui...

Nas feiras de artesanato também já vi feitas de palha de milho, a lembrar as das bruxas, mas são um bocadinho caras (20€). Eu percebo que são artesanais, de milho português, mas mesmo assim...

Só depois de comprar a minha (já diga qual é...) é que soube que em Vila Nova de Gaia já abriu - a primeira em Portugal - uma loja Mundo Verde, onde se podem comprar, entre outras coisas, as vassouras feitas por comunidades de "catadores de lixo" do Rio de Janeiro (embora pareça que a ideia surgiu em Minas Gerais), reutilizando garrafas PET. Há de vários tipos e feitios e custam cerca de 4€.


Quem quiser pode até comprar as máquinas necessárias para iniciar a sua produção deste tipo de vassouras! Ou experimentar de forma mais artesanal.

Mas por esta altura já eu me tinha "apaixonado", e comprado, uma vassoura de piassaba (ou piaça ou piaçaba...), 100% artesanal, portuguesa e feita com "ingredientes" naturais: madeira, piassaba e latão. E parece que dura imenso tempo! Parece-me bem, não? Comprei-a no Continente e na verdade já não sei ao certo quanto custou, mas estava próximo dos 4€.


E se alguém, para os lados de Aveiro, quiser aprender a fazer vassouras de juncos, o Sr. José Paulino gostava de ter alguém a quem ensinar a sua arte!

25 de janeiro de 2010

86 - Conhecer os rótulos de agricultura biológica


Antes de passar para a questão dos rótulos gostava de dizer que sei que há muitos pequenos produtores de agricultura biológica que não têm certificação (outra entidade que certifica). Tenho o exemplo da minha mãe (que é mais micro do que pequena produtora...) que fez várias formações (por entidades certificadas) sobre o assunto, pratica diariamente uma agricultura ambientalmente sustentável e (na verdade nem procura) não tem nenhuma certificação. Como ela há muitos, a escalas diferentes (incluindo os que fornecem cabazes ao domicílio), alguns que até procuram essa tal certificação biológica, mas que não a conseguem (os parâmetros de avaliação são extremamente elevados, segundo me disseram).

Ora, como diz a minha amiga Joana Valente, engenheira do ambiente (e o partido "os verdes" também), mais vale comprar na mercearia da esquina, produtos locais ainda que não 100% biológicos, do que comprar biológicos certificados, que vêm de longe. Ela diz até que "serão piores para o nosso planeta as emissões resultantes do seu transporte do que o (possível) uso de pesticidas no solo pela parte de quem cultiva, localmente, produtos não biológicos".

Fui percebendo, quando decidi comprar apenas legumes e frutas da época, nacionais e de preferência biológicas, que este assunto não é tão simples como parece. Alertada pela Olga, comecei a tentar ver o que realmente é de cada época do ano, em Portugal, e percebi que poderia até, por exemplo, receber em casa, um cabaz biológico mas com produtos fora de época ou mesmo estrangeiros... E tive aqui a confirmação.

No meu caso, sou eu que faço o meu cabaz quando vou a casa da minha mãe, mas se recebem estes cabazes ou os vão buscar a pontos de venda, e querem realmente receber apenas produtos nacionais e da época questionem o vosso fornecedor.

Voltando aos rótulos de agricultura biológica, para quando vou comprar "não frescos"...


Ao procurar mais informação sobre estes "carimbos" que aparecem nas embalagens deparei-me logo com um aviso: "há muitos produtos com o rótulo biológico que publicitam o alimento como sendo 100% natural, ou seja, livre de aditivos alimentares. No entanto, ser um produto de agricultura biológica não significa que, posteriormente, não lhe sejam introduzidos aditivos alimentares para assegurar a sua preservação ou conferir determinadas características. O rótulo biológico só se refere ao modo de produção."
Será verdade? Não certifica o produto final? Está cada vez mais complicado ir às compras...
No site na união europeia, que desde o ano passado tem novo regulamento para estes produtos, diz o contrário, se bem interpretei: "quer os agricultores, quer os transformadores, devem em todos os momentos respeitar as normas relevantes contidas no Regulamento da UE, já que serão sujeitos a inspecções, (...). Os operadores bem sucedidos recebem então a certificação biológica e estão aptos a venderem os seus produtos rotulados como biológicos."
E a Deco presta um esclarecimento que, penso eu, ajuda: "o uso do símbolo comunitário é autorizado em (...) produtos agrícolas vegetais e animais transformados, em que 95% dos ingredientes de origem agrícola sejam produzidos de acordo com o modo de produção biológico".
Afinal não é assim tão dúbio, pois não?
Alguém me pode esclarecer sobre este assunto?

Entretanto, quando tem mesmo de ser..., vou procurando o símbolo europeu da agricultura biológica (aparece no tofu e no seitan que às vezes compro, da marca Seara, assim como nos grãos da mesma marca, nos chocolates, ...).
Ainda não encontrei o símbolo Bio (para produtos oriundos de fora da união europeia), nem tenho visto a joaninha da Agrobio.


Por outro lado sei que já comprei (embora não me lembre o quê), produtos com o rótulo francês de agriculture biologique...


O melhor é mesmo comprar cada vez menos alimentos processados. Quanto mais natural, mais biológico.

E já agora votar, até ao fim deste mês, no novo símbolo europeu para a agricultura biológica:



19 de janeiro de 2010

80 - Comprar apenas legumes da época e nacionais (de preferência biológicos)


Não consegui encontrar na internet uma fonte fidedigna para saber quais os legumes da época, em Portugal.

Depois do post que fiz sobre consumir apenas fruta da época coloquei, na coluna da direita do blog, uma lista com essas mesmas frutas, que vou actualizando todos os meses.
Há uns dias, a Olga alertou-me para o facto da lista referente a Fevereiro não estar correcta. Segundo ela, as maçãs e as pêras não são de agora. Eu, na minha ignorância, achei que, apesar de não haver por estes lados, lá mais para o sul do país (que tem quilómetros e quilómetros de comprimento...) poderiam crescer por esta altura. Ainda tenho muito que aprender.

Já com os olhos mais abertos (obrigada Olga) fui analisar a listagem dos legumes da época, da mesma fonte que usei para as frutas, a Deco, e apercebi-me de algumas, aparentes, impossibilidades. Aqui também tenho maior termo de comparação, porque a minha mãe, na sua pequena propriedade, não tem muita variedade de árvores de fruto, mas tem um quintal invejável e exemplar!

Na lista da Deco aparecem por exemplo, como da época, a alface, a rúcula e a cenoura. E, apesar de esta última ainda ter resistido até Dezembro, as restantes já acabaram há uns meses.

Encontrei outras listas pela internet mas (sempre com base naquilo que cresce agora pelas bandas de Amarante) ainda me pareceram conter mais erros. Provavelmente referem também os legumes plantados em estufas. Mas estes não são da época, pois não?

Enquanto aguardo por ajuda técnica (quem me pode ajudar???) para poder renovar, e partilhar, a minha listagem de fruta e legumes da época, recorri à sabedoria da minha mãe e fiz uma lista dos legumes da época do norte litoral de Portugal...:

- penca;
- repolho;
- alho-francês;
- couve-galega (e provavelmente outras couves);
- nabiças;
- aipo.

Mesmo ao comprar na feira e/ou mercado é preciso cuidado. Pelo que tenho visto, quando ando à procura de fruta, muitos dos vendedores vão comprar os seus produtos ao entreposto...

O meu truque é procurar aquelas senhoras velhinhas, mesmo com ar de "lavradeiras" e que têm menos coisas (e com "pior" aspecto), expostas normalmente em cestos...

25 de dezembro de 2009

55 - Fazer o prato vegetariano de almoço de Natal só com produtos nacionais e da época


Rolos de Couve (há lá coisa mais portuguesa!)
(cozinhados por mim, em casa da minha mãe, em Vila Meã, Amarante)

tempo de preparação: 40 minutos
tempo total de cozedura: 30 minutos
porções: 6

- 6 folhas grandes de couve (penca, de Vila Meã)


recheio
- 2 colheres de chá de azeite (caseiro, de Trás-os-Montes);
- 4 cebolas bem picadas (de agricultura biológica, do quintal da minha mãe);
- 1 dente de alho esmagado (da mesma proveniência das cebolas);
- 2 colheres de sopa de concentrado de tomate (nada de concentrado: molho de tomate, caseiro, feito, no verão, com tomates biológicos em... Vila Meã);
- 75 g de corintos (portugueses, mas não sei de onde);
- 2 colheres de amêndoas lascadas (portuguesas, de Trás-os-Montes);
- 1 colher de chá de sementes de cominhos (não sei a proveniência, estão num frasco sem etiqueta);
- 1/2 colher de chá de canela em pó (não sei a proveniência, mas não deve ser portuguesa);
- 2 colheres de sopa de salsa finamente picada (biológica, apanhada na altura);
- 470g de arroz longo cozido (bem português!);
- 250ml de caldo de legumes (feito no momento, com legumes caseiros e biológicos).

molho de iogurte
- 185g de iogurte natural (da Longavida);
- 1 colher de chá de cominhos moídos (não sei...);
- 1 colher de sopa de hortelã finamente picada ("selvagem", apanhada na altura).

1 - Aqueça previamente o forno a 190ºC. Unte um prato fundo de ir ao forno com manteiga derretida ou óleo (usei azeite).

2 - Em água a ferver (juntei sal), escalde as folhas de couve durante 10 segundos ou até ficarem macias e maleáveis. Escorra, retire o talo das folhas e reserve.

3 - Para fazer o recheio: aqueça o azeite num tacho grande, junte a cebola e o alho e cozinhe em lume brando durante 30 segundos (que precisão...). Adicione o concentrado (molho) de tomate, as passas de corinto, canela, salsa e arroz, mexendo até estar tudo bem combinado. Retire do lume e deixe arrefecer ligeiramente.

4 - Coloque 3 colheres de sopa do recheio na borda de uma folha de couve. Enrole a folha, dobrando as extremidades. Repita este processo com as restantes folhas e recheio. Coloque os rolos, com a dobra virada para baixo, no prato de ir ao forno e regue com o caldo. Em cima dos rolos coloque um prato de ir ao forno invertido para evitar que se desmanchem (não coloquei e não fez falta). Cubra com papel de alumínio e leve ao forno durante 20-25 minutos ou até os rolos estarem bem quentes.

5 - Para fazer o molho de iogurte: misture o iogurte com os cominhos e a hortelã. Sirva a acompanhar os rolos de couve, frios ou quentes (quentes, frios não são tão bons). O molho de iogurte deve ser feito na hora de servir.

in
O livro essencial da cozinha vegetariana
Susan Tomnay (direcção) - Murdoch Books
Könemann
Colónia, 2000

Hum!!! Ficaram muito bons! E, tirando os condimentos (a lembrar o Oriente...), com ingredientes portugueses e os frescos da época e biológicos! Vou ter que repetir fora desta farta época natalícia, para apreciar melhor...

15 de dezembro de 2009

45 - Conhecer os vários rótulos ecológicos


Exagerando um bocadinho, vou ficar a odiar rótulos... Cá estou eu de novo de volta deles, tarefa sempre bem laboriosa, sabendo que ainda me falta muito para ficar, apenas, com uma ideia geral e que me seja útil quando vou às compras. Pelo menos, neste caso, é mais fácil reconhecer os símbolos, quando estão presentes, do que tentar ler os ingredientes...

Há 3 tipo de rótulos ecológicos:

Tipo I - Rotulagem ambiental Tipo I (ISO 14024) – prevê a minimização dos impactes ambientais ao longo do ciclo de vida do produto, estando os critérios disponíveis para todas as partes interessadas e prevendo certificação de terceira parte;
Tipo II ou alegações ambientais auto-declaradas (ISO 14021) – prevê a alegação sobre aspectos ambientais de um produto, não sendo certificado nem recorrendo a critérios validados, pelo que o seu nível de transparência e credibilidade é menor do que os outros dois tipos;
Tipo III ou declarações ambientais do produto (ISO 14025) – prevê a quantificação dos impactes ambientais do produto ao longo do seu ciclo de vida, sendo os dados verificados por uma entidade independente, servindo como instrumento de comunicação ao fornecer informação verificável e rigorosa sobre aspectos ambientais.

Confesso que não percebi a diferença entre o Tipo I e o Tipo III.

A ecover, por exemplo, marca da qual compro alguns produtos, não tem nenhum rótulo identificativo à primeira vista, mas tem certificação, segundo a norma 14001, de regulação ambiental, certificada por entidades exteriores... Será Tipo I ou III? Não me importa, parece credível...

Um dos rótulos mais conhecidos por cá é o rótulo ecológico europeu. Segundo dizem no site, é avaliado todo o ciclo de vida do produto, «do berço ao túmulo». Nada, produzido pelo Homem, é completamente "ecológico" - há sempre consumo de recursos e há sempre resíduos lançados para o meio ambiente. São estes impactos durante o fabrico, a utilização e a eliminação de cada produto que são analisados, por um organismo independente, para a atribuição deste rótulo.


E já há alguns marcas/produtos/serviços portugueses com este rótulo:
Tintas Robialac - Hempel Portugal (tintas e esmaltes) - Natura Pura Ibérica (roupa para bébés) - Refúgio Atlântico (hotel na Madeira) - Turiviana (estalagem em Viana do Castelo) - Lasa (roupa para a casa) - F.Lima (várias marcas e produtos - novycera, wc pato, l'arbre vert, diese,... - pelo que percebi, nem todos certificados) - Tintas Dyrup - Renova - Coelima (roupa para a casa).

Quase tudo coisas que compramos mensalmente...

outros rótulos ecológicos:
Energy Star, eficiência energética; Nordic Swan (países nórdicos), cobre 67 grupos de produtos; Green Seal, Eua; Blue Angel (Alemanha), a Lexmark e algumas impressoras da Océ tem este selo!; NF environnement (França); ECOMARK, Japão; Max Havelaar Fairtrade, associado ao comércio justo; OEKO-TEX®, produtos têxteis; Korea Eco-Label; Thai Green Label Scheme, Tailândia; ECOMark Scheme of India; ...

Mas, tirando a Energy Star (nos computadores), nunca encontrei, até hoje, nenhum destes outros rótulos ecológicos, quando ando há procura de produtos mais amigos do ambiente! Até porque normalmente, certificam produtos do seu país ou região.

E volto à "velha questão": vou comprar um produto certificado que vem do Japão ou da Koreia, ou um equivalente, não certificado, de Portugal ou mesmo de Espanha? Por exemplo - visto que ando à procura deste item - há umas velas de uma marca sueca, certificadas. Se conseguir encomendá-las pela internet, compro-as? Ou procuro, por cá, numa feira de artesanato ou numa loja mais "alternativa", umas velas feitas artesanalmente (sem parafina...) mas sem certificação? Eu opto pela segunda. Não é melhor?

Pelo que percebi, qualquer um pode colocar num seu produto um selo a dizer produto ecológico, amigo do ambiente, biodegradável: inserem-se no Tipo II, categoria onde estão a maioria dos produtos dito ecológicos... mas e como sabemos se realmente o são? Segundo a proteste "a maioria das regras criadas para regular o uso de alegações ambientais são recomendações, standards ou códigos de boas práticas, mas não legislação. Não são, pois, obrigatórias e isso reduz o seu efeito."

Funcionamos então na base da confiança, certo?


21 de novembro de 2009

21 - Preferir produtos "made in Portugal" - 560


Andei a fazer uma revista à nossa despensa. O saldo não parece assim tão negativo. Nenhum dos produtos de limpeza da casa e de higiene* é de origem nacional, é verdade... Mas quase todos os produtos de mercearia o são: arroz, farinhas, feijões, grão, soja e aveia (biológicas), tostas, iogurtes, cevada, a comida das gatas... Além de todos os frescos, claro.

Há alguns produtos que me levantaram dúvidas. Têm o 560 no início do código de barras, mas... produção de quinoa em Portugal? E de sementes de sésamo? Será?


Fui procurar informação e aprendi a diferença entre marcas portuguesas (origem e produção em Portugal) e produtos portugueses (fabricados em Portugal por marcas nacionais ou internacionais). No caso dos segundos a matéria-prima vem de fora do país e é transformada e/ou embalada cá.

Lembro-me de, em miúda, a minha mãe nos comprar meias numa pequena fábrica "de garagem" perto da escola onde dava aulas, na Maia. Tinha um ar bastante clandestino... As meias vinham de França para nelas serem bordados, por operárias portuguesas, os logotipos de grandes casas francesas. Depois voltavam para França para serem vendidas a preços altíssimos. Imaginem os custos (económicos e ambientais) de todas as viagens necessárias para fazer um par de peúgas Pierre Cardin...

Provavelmente a minha quinoa vem de algum país da América Latina, é embalada em Portugal e, só por isso, já tem o código começado por 560.

Ora, sem discutir os motivos e benefícios económicos, "ambientalmente falando", há uma grande diferença entre marcas portuguesas e produtos portugueses. O consumir nacional, consumir local, prende-se, aqui, principalmente, com a intenção de reduzir a poluição provocada pelo transporte dos produtos que consumimos. Marcas portuguesas poluem, em transporte, (bem) menos do que produtos portugueses. Mas como distinguir entre ambos? Nada, nas embalagens, faz distinção entre o que é genuinamente português e o que é "misto"! Há marcas portuguesas certificadas mas, e as outras? A maior parte do produtos 560, de marcas menos conhecidas ou marcas "brancas", dizem produzido na U.E. e tem uma morada portuguesa de distribuição.

A juntar a este problema deparei-me também com outra dúvida ambiental. O que é melhor o nosso fermento Royal ou um fermento biológico (sem fosfatos) francês?...

O que pesa mais, em termos ambientais, a poluição provocada pelo transporte com recursos a combustíveis fósseis, ou a degradação dos solos (e contaminação das águas) de uma agricultura não biológica?

Ajudem-me!

Para já vou-me ficar pelos 50%/50%, vou comprando tanto marcas portuguesas, como produtos portugueses e estrangeiros, desde que biológicos.

E ainda só estou a tratar (apesar do exemplo das peúgas) de produtos alimentares, de limpeza e de higiene...

E, apesar de já ter esse cuidado há uns bons anos, estando atenta às listas que vão saindo, ainda tenho que aprofundar a questão dos testes em animais (critério que para mim ultrapassa o nacional/local): é difícil comprar produtos realmente não testados em animais!

Este assunto ainda vai precisar de mais umas etapas!

* Já há algum tempo que os produtos de higiene cá em casa são da Oriflame, marca sueca que não testa em animais.

8 de novembro de 2009

8 - Comprar apenas fruta da época e nacional (de preferência biológica)


fruta de novembro:
- tangerina
- romã
- pêra
- maçã
- laranja
- limão
(a única, em portugal continental, que é "da época" os 12 meses...)
- kiwi
- diospiro

para quem for das ilhas:
- banana da madeira (todo o ano)
- ananás dos açores (todo o ano)
frutos secos:
- amêndoas
- avelãs
- castanhas
- nozes
(aqui tem a listagem das frutas e legumes de cada mês)


Tenho sorte, a minha mãe tem uma pequena propriedade, numa aldeia de Amarante, onde, desde que se reformou, pratica, com sucesso, agricultura biológica. Sempre que a visitamos (quase todos os fins-de-semana) fornece-nos de legumes e frutas da sua safra, únicos, não só porque são mais saudáveis e saborosos, mas porque são tratados e dados com carinho. E isto não tem preço. Hoje, por exemplo, no capítulo da fruta, trouxemos diospiros, laranjas e tangerinas.

Ainda assim, normalmente, compramos mais fruta. Como gostamos muito de maçãs, de manhã fui ao hipermercado perto de mim para as comprar. E levava em mente: comprar maçãs e/ou pêras, portuguesas e se possível biológicas.

Hoje não havia maçãs nem pêras biológicas... Logo a seguir a esta constatação, em frente ao longo expositor das maçãs, uma dúvida surgiu: com tanta variedade de maçãs portuguesas gostava de saber se são do algarve ou do douro, porque a ideia, ao comprar local, é, não só contribuir para a nossa economia, ajudar os nossos produtores (pelos vistos importamos 75% dos produtos alimentares que consumimos), mas diminuir os gastos no transporte (reduzir a quantidade de combustível usado, reduzir a poluição). Fiquei-me por aqui...

Amanhã vou ao supermercado aqui ao lado, costumam saber de onde vem a fruta.

se quiserem testar os vossos conhecimentos sobre os nutrientes das frutas vão aqui.