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30 de maio de 2011

195 - Ter uma horta... na varanda


Tudo começou com as primeiras aromáticas, há cerca de um ano. Depois adoptámos uma família de minhocas... Fiz as minhas primeiras sementeiras...



E agora temos uma pequena horta na nossa varanda: em vasos temos óregãos, hortelã, alecrim, aipo, cebolinho, manjericão, mirra (hei-de experimentar fazer incenso), fisalis (oferecido bem pequenino), arruda (para "captar" as lagartas, afugentar alguns insectos e, para quem for supersticioso, o mau-olhado... ), 2 pés de tomates-cereja, saponária (não a árvore das nozes, ...), cravos-túnicos (para afugentar mais bichinhos indesejados); num canteiro feito pelo Zé Manel com restos de madeira não tratada, há alfaces diversas, mais cebolinho (as carteirinhas têm muitas sementes...) e rúcula. E o nosso plátano, uma sardinheira, e uma begónia herdada com, provavelmente, mais anos do que eu. Nada mau num espaço com 2,0m por 1,0m, "hem"?

E o tamanho (da varanda) não é desculpa, nem não ter varanda... Há soluções verticais originais, tanto para o exterior...


... como para o interior.


Para rentabilizar o espaço da nossa varanda - que não tem paredes - comprei simples suportes para floreiras, onde coloquei os vasos, do género destes:


E não há falta de informação, até porque as hortas urbanas estão na moda. Quase todas as cidades têm iniciativas, umas camarárias, outras de associações ou até de pequenos grupos de pessoas, para aproveitar espaços mais ou menos abandonados, transformando-os em belas hortas familiares.

Existem cada vez mais hortelões e "hortelãs"... E muitos deles partilham as suas experiências aqui pela blogosfera, ajudando quem (como eu) ainda é uma "hortelinha". Além do blog da semente à árvore, de que já falei aquando das sementeiras, há outros como o trumbuctu, o jardim com gatos, o cantinho verde, ... e muitos outros (também gosto deste e deste, em inglês), com dicas, calendários, sugestões úteis tanto para quem tem uma horta como para quem tem apenas uns vasos. E claro, as redes sociais permitem colocar dúvidas e, muitas vezes, ter uma dezena de respostas úteis, num curto espaço de tempo, e também ter acesso sobre formações na área (horta em casa, jardim de guerrilha, cidade das hortas, ...).

Temos sempre os livros. Este parece-me muito engraçado (e útil), este e este são bem apelativos e gráficos, e eu fiquei interessada neste e neste... Claro que tenho sorte e já tenho acesso, não só a literatura técnica (às vezes até técnica demais...) mas também a uma conselheira: a minha mãe que, como já disse algumas vezes, se dedica à agricultura biológica. E encontram-se, incluindo nalguns quiosques, dois deliciosos "almanaques anuais", verdadeiras preciosidades de sabedoria popular: O Borda d'Água e O Seringador (E também há O Novo Seringador, mas ainda não estudei as diferenças).

Para começar convém estudar a varanda (parapeito, floreira, ...) que vai acolher a horta. Que tipo de exposição solar tem (convém "apanhar" sol durante 5 a 6 horas por dia), se está protegido do vento ou, caso tal não aconteça, se é possível instalar protecção (rede, cerca, ...). Depois, que tipo de recipientes vai usar: aqui apresentam explicações detalhadas sobre o tipo de canteiros que se pode/deve construir, com medidas, materiais, ... Se nunca plantou nada pode seguir estes passos (ou este vídeo) sobre como começar uma pequena horta ou jardim de aromáticas num vaso. Neste site (e neste) pode escolher - e conhecer melhor - o que plantar. Pode até desenhar a sua horta. Muito giro! (O que a gente encontra pela net...). E é regar, cuidar, para depois poder apreciar os frutos do seu trabalho. As nossas alfaces (e a rúcula) são muito saborosas! E que não nos/vos aconteça como ao Sandro, que não conseguiu escoar a produção...

(a carteirinha trazia sementes de diferentes tipos de alface, todas óptimas!)


Claro que tudo isto só faz sentido se for biológico. E penso que é uma premissa geral para quem se mete nestas andanças porque pelos vários blogs e grupos onde "viajo", toda a gente (salvo erro) tem o cuidado de não usar químicos, procurando "ingredientes" e soluções o mais naturais possível: biológico, permacultura, calendário lunar, entre outros, são termos comuns pelas hortas virtuais. Ainda tenho muito que aprender!

Por isto, uma das minhas primeiras preocupações foi: " E a poluição, senhores?" Sim, porque moro na cidade, porque as plantas absorvem "coisas" do ar... Aliás foi quando vi as hortas do Mike, em New York que fiquei mais consciente deste problema: é que a poluição atmosférica naquela cidade vê-se. Então depois de um nevão, é ver as partículas pretas a cobrir a neve imaculada, em horas...

E não é que a minha preocupação tem fundamento?

O programa Biosfera já fez um episódio sobre este assunto. Ainda tentei ver a qualidade do ar por estas bandas, no sítio da Agência Portuguesa do Ambiente, mas, ou é "um pouco confuso" para mim ou estava preguiçosa... e não percebi quase nada. Mas fiquei mais descansada quando alguém entendido me disse que a minha hortinha está numa zona boa: temos muitas árvores à volta, temos um pulmãozinho mesmo ao lado (o parque do Inatel) e um belo pulmão um pouco mais abaixo (o Parque da Cidade) e logo a seguir o Mar!!! Por isso parece que as minhas alfaces são saudáveis. A água (reutilizada da lavagem dos vegetais, do início dos duches, ...) - também fica sempre em repouso 24h antes de ser usada na rega.

O que vos posso dizer mais? É muito boa a sensação de ver despontar algo que semeamos, observar esses delicados rebentos crescerem viçosos, enterrar as mãos na terra, apercebermo-nos das pequenas alterações ao longo dos dias... Ai, que bonito...

E como as imagens podem ser inspiradoras aqui deixo hortas para todos os gostos, das muitas encontradas por essa net fora... A imaginação não tem limites!


esclarecedora...


arrumadinha


projectada...


..."espontânea"!


apertadinha (como a nossa...)


reutilizando garrafas de plástico, assim...


... ou assim!


à medida


reutilizando uma sapateira


esta solução tem fãs entre os arquitectos... também "se dá" no exterior!


sacos-horta transportáveis, para quem não fica muito tempo no mesmo sítio!


10 de julho de 2010

161 - Aderir à causa "Buy Handmade"


O artesanato está na moda (tal como o ambiente...), o que tem - como tudo - pontos positivos e outros... nem tanto. Como sou optimista creio que os positivos ganham, mas a verdade é que de repente toda a gente descobriu a sua veia artística! Basta ver a profusão de feiras de artesanato por todo o país (sazonais, mensais).

Há artesanato tradicional, há artesanato contemporâneo, há artesanato urbano (aqui tem um bom artigo sobre o aparecimento e desenvolvimento do artesanato urbano). Há artesãos, artistas, crafters, ...


O artesanato tradicional era até, há pouco tempo, desprezado (ou estou errada?) pela maioria de nós. (Quase) ninguém comprava, ninguém queria aprender e manter viva a tradição. Associo este tipo de artesanato a homens e mulheres enrugados, curvados pelo tempo, de mãos calejadas, os corpos mostrando cada hora passada na "sua arte": ou debruçados em teares pesados, ou a entrelaçar cestos ou a dar forma ao barro, ... Tristes porque não tinham ninguém a quem passar o seu saber, que ia morrer (e em muitos casos tal já se deu) com eles. Eu sou bem a prova disto: em miúda/adolescente não quis aprender - com a minha avó (que sabia fazer renda de bilros!) e a minha tia - os mistérios das linhas, dos tecidos e das agulhas. Agora que gostava de saber, elas não estão cá para mo ensinar...

Depois deu-se uma reviravolta (as minhas reflexões são pessoais, sensoriais, não uma "tese", por isso este post pode conter incorrecções e não tem, de certeza, dados comprovados...) e de repente já é giro ter um galo de barcelos, rendas, azulejos tradicionais e andorinhas de louça a enfeitar a nossa casa.

Há lojas, "reais" e virtuais - a vida portuguesa, portugalheart, feitoria, portukale - (talvez mais vocacionadas para o mercado estrangeiro) dedicadas ao artesanato tradicional e também a objectos produzidos por pequenas fábricas (ditas artesanais) que se revitalizaram e, em alguns casos, se salvaram - felizmente - da extinção.

Já há quem (sem ser quase centenário, enrugado e cansado) queira aprender as "artes antigas", mantendo-as ou reinterpretando-as, trazendo (juntamente com os artesãos urbanos) uma lufada de ar fresco (não para substituir mas para acrescentar!).


Sinal destes tempos são as lojas que abrem dedicadas a estas artes. No centro do Porto, por exemplo (rua do Almada, rua Miguel Bombarda, ...), há uma grande oferta de lojas com objectos para todos os gostos, e há feiras mensais (artesanato urbano na rua de paris, artesanato urbano no parque, ...) dedicadas ao artesanato. O mesmo acontece em Lisboa (feira do príncipe real, temporariamente suspensa devido a obras no jardim) e, por certo, noutras cidades.

E claro, a internet. Há tantos, mas tantos, sites e blogs dedicados ao artesanato - em todas as suas formas... - que o difícil é escolher e distinguir entre o verdadeiro artesanato (tradicional ou urbano) e - à falta de melhor palavra - "jeitosos de mãos" (daí o meu comentário inicial sobre a tal da veia artística...): este blog publica todas as semanas uma entrevista sobre um crafter português. E com o Etsy qualquer pessoa pode vender as suas criações, sem necessitar de um ponto de venda físico.

E o que é que tudo isto tem a ver com o ambiente e com reduzir a minha pegada??? Porquê comprar artesanato?

Entre as 101 razões apresentadas aqui, comprar feito à mão é incentivar as tradições e o artesanato local. Comprar produtos locais reduz os custos ambientais do transporte e, normalmente, também da embalagem. É uma actividade com um impacto energético normalmente reduzido (há excepções, claro, como, por exemplo, peças que tenham que ser cozidas em fornos - muflas - eléctricos, que consomem muita energia). Muitos dos artesãos contemporâneos reutilizam materiais de forma muito criativa, reduzindo os desperdícios. E, regra geral, as lojas e feiras urbanas localizam-se nos centros das cidades (contribuindo para a sua revitalização), onde podemos facilmente chegar a pé ou de transportes públicos, deixando o carro em casa...

Razões (ambientais) suficientes?

Claro que podemos boicotar isto tudo. Basta comprarmos - via internet - uma peça de artesanato frágil (para precisar de muita embalagem) a um criador que viva na Austrália...

Mas, fã desde sempre do feito à mão (por tradição familiar, em pequena fazia - e ainda faço! - as prendas que oferecia: também sou uma jeitosa de mãos...) resolvi aderir a esta causa: comprar feito à mão/buy handmade, causa lançada por 9 sites dedicados ao artesanato.


Com a ressalva: comprar feito à mão... em Portugal!