15 de novembro de 2010

183 - Comprar apenas café biológico, do comércio justo e torrado na região

.
Depois de termos optado por usar sempre café em saco, decidimos agora dar o passo seguinte: comprar apenas café biológico, justo e torrado por cá.

E lá parti eu em demanda do santo graal dos cafés...

Em quase todas as lojas ou zonas de lojas dedicadas ao comércio justo há embalagens de café proveniente do comércio justo e/ou biológico... mas não são portuguesas... E eu queria um café que fosse as três coisas:

- biológico porque se, por exemplo, apenas uma família mudar, durante um ano, para café biológico, está a proteger 2800m2 de floresta tropical. Apenas uma família!!!;

- justo porque, tal como no caso do chocolate, trabalhadores são explorados (escravizados será talvez mais correcto nalguns casos) nas plantações de café "normais". Neste momento é a segunda mercadoria comercial mais valiosa (a primeira é o petróleo) o que deve corresponder a um "vale tudo", por parte das empresas, para chegar ao topo. O café foi o primeiro (e ainda hoje o mais vendido) produto de comércio justo. O filme black gold (seleccionado para vários festivais de cinema) retrata este mundo e parece-me muito interessante mas chegar às salas portuguesas é que não... Foi exibido, em Julho, na Gulbenkian, alguém viu?;

- e torrado por cá, pelos motivos do costume, já por mim explanados por aqui.


E não é que o descobri, mais perto (e rápido) do que pensava?

A Delta, marca 100% portuguesa, tem café biológico, café justo e café torrado em Portugal. Todos juntos num só? Parece que sim...

Segundo o apresentação interactiva no seu site, a marca adquire café (da maneira como está colocado tanto pode ser todo, como parte...) através do comércio justo, desenvolve acções para promover a capacitação dos produtores, a melhoria de condições dos trabalhadores e incentiva o cultivo de café de forma sustentável. Fá-lo, pelo menos, desde 2007. É a única empresa portuguesa certificada pelo Sistema de Responsabilidade Social SA 8000, e, pelas várias notícias que encontrei, parece fazer um esforço genuíno para o que os seus produtos sejam verdadeiramente sustentáveis.

Assim, todos os cafés serão provenientes de um comércio (mais) justo e de um cultivo (mais) biológico. Mas depois têm apenas um café de agricultura biológica certificado. E é por isto que fico confundida. Se calhar é porque é muito difícil todo o processo de certificação (algo que tenho aprendido ao longo destes meses) e não porque os outros não o sejam também. O que acham?

Mas têm também uma gama maravilhosa (!), a "Origens Seleccionadas Delta", com as variantes Timor, Colômbia, Manaus e Mussulo, que tem a certificação da Rainforest Alliance, que comprova não só a prática de uma agricultura biológica mas também a remuneração justa dos agricultores. Perfeito, não?


Claro que foi sobre estes que caiu a nossa escolha. Há em dois tipos de moagem (fina e grossa), mas não encontrei - como preferia - em grão. Só depois me lembrei que talvez numa loja Delta vendam avulso e em grão também estas variedades. Hei-de lá ir (assim também reduzo à embalagem!). O Zé Manel escolheu o Mussulo (todas as embalagens - 250g - desta gama custam 2,52€, no Continente), porque é mais "encorpado", mas pelas descrições há para todos os gostos.
.
Espero que agora ninguém me venha contar algo de terrível sobre esta empresa portuguesa da qual me sinto tão orgulhosa neste momento (espero, mas se souberem digam, claro!). E sim, é verdade que, seguindo as tendências, têm a DeltaQ, mas passa por nós, consumidores, mostrar que esta moda não é amiga do ambiente, continuando a comprar o velhinho café de pacote, não é?
.
E ainda estive a explicar à senhora que estava a promover os cafés Delta (e que me viu a ler, e a reler, muito atentamente todas as embalagens) o que era o comércio justo e os selos de certificação...
.

21 comentários:

  1. Sempre gostei da Delta...há algumas marcas que até nem me importo de fazer publicidade

    ResponderEliminar
  2. Cá em casa também se usa café de saco, além de ser mais ecológico também fica mais barato. Nós usamos Sical, mas às vezes trazemos Delta. Depois da informação toda que deste vou passar a trazer só Delta (se o meu Hominho não teimar com o Sical).

    Outra coisa, vou recambiar a minha mãe para a oficina da Sílvia no dia 27, vou estar a trabalhar e não posso ir. A minha mãezinha depois ensina-me tudo, eheh.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Eh, eh!!! Espero que não teime, "Poupadinha"!
    Tenho pena que não possas, mas vou conhecer a tua mãe!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. Logo no início deste post e antes de dares a "solução" pensei na Delta. Não que seja consumidora habitual de café mas já tinha ouvido falar desse café biológico e justo com grãos de Timor, etc. Na altura falou-se essencialmente por ser de Timor.

    Posto de parte o café, embora esse seja o negócio da Delta, claro :) a empresa e quem a dirige, o Rui Nabeiro, tem feito um trabalho a nível social de mérito, essencialmente em Campo Maior mas não só.

    Ainda há um mês atrás falámos sobre a iniciativa que têm de recolher tampas de embalagens/garrafas,que com isso já conseguiram algumas cadeiras de rodas para apoiar pessoas necessitadas em Campo Maior.

    É de louvar!
    Bem haja à Delta pelas coisas boas que tenho ouvido falar!

    Carla magic

    P.S. Era interessnte tentares contactar o Rui Nabeiro, enviar uma carta, e dar a conhecer o teu blogue, e as tuas questões, neste caso do café!

    ResponderEliminar
  5. Pois!
    Eu pecador me confesso, não gosto de café em casa.
    Não dispenso a minha bica mas também é só uma por dia.

    ResponderEliminar
  6. Ola Ema, sou brasileira e moro na cidade de Sao Paulo. Quero que sqibq que ADORO! o seu blog. As informaçoes vem aos pouquinhos o que me deixar tempo para refletir em profundidade dos temas tratados. PARABENS!!!

    ResponderEliminar
  7. Por todo o trabalho a incentivar a compra de produtos a nível local e nacional, cá fica também o Prémio Dardos dado pelo "Comprar Local e Nacional... Reinvestir em Portugal".

    http://reinvestir-portugal.blogspot.com/2010/11/premio-dardos.html

    ResponderEliminar
  8. Para quem não gosta de café de saco e só consome café na rua, há uma marca de comercialização e torrefacção de café portuguesa, a Nandi, que é uma boa escolha para quem se preocupa com o ambiente. Pelo menos o Respeito pelo Ambiente faz parte dos 5 compromissos que a marca advoga.
    http://www.nandi.pt

    ResponderEliminar
  9. Olá Ema! Parabéns pela tua coragem e pela generosidade da tua partilha. Desde que descobri o teu blog ainda não consegui parar de o ler e tudo começou porque andava à procura de um creme de rosto mais amigo do ambiente (quem diria que tal seria o ponto de partida para muitas mais descobertas verdadeiramente inspiradoras!)
    Obrigada!

    ResponderEliminar
  10. obrigado pelas dicas...espero que possamos todos adoptar posturas mais ecologicas...nem sempre e facil.

    ResponderEliminar
  11. Carla magic, obrigada pela tua sugestão. É sem dúvida uma boa ideia!

    ResponderEliminar
  12. Maria Cordeiro, vê aqui nos comentários, a sugestão da Monia!

    ResponderEliminar
  13. Luli, obrigada pelo entusiasmo e companhia!

    ResponderEliminar
  14. Obrigada Sónia pelo prémio e um forte bem haja pelo teu empenho em divulgar o que é nosso e em sensibilizar para comprar cá dentro!

    ResponderEliminar
  15. Olá Ema,
    Mas que post interessante, não me tinha lembrado disso...
    Normalmente compro o café em grão o mais barato que houver, ou então de qualidade a seguir, se já tiver experimentado e não tiver gostado.
    Mas fizeste-me lembrar uma outra coisa... Na R. dos Bacalhoeiros e na R. Garrett (em Lisboa) existem lojas que vendem café em grão, a quantidade que nós queremos (lembro-me de em miuda passar em frente a essas lojas e adorar o cheiro a café que vinha lá de dentro), também vendem chá e chávenas e cafeteiras de balão e Italianas, etc. Tal como as pequenas lojas dos «Cafés Portela» vendem ao kilo. Ora esta descrição para dizer que estas lojas são de comércio tradicional, compramos o que queremos e a embalagem do café é em papel (à antiga), ou seja bem mais amigo do ambiente do que as embalagens plásticas do supermercado.
    Será que estas mesmas lojas também vendem café de produção biológica?
    Bjs,
    Teresa C.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não sei Teresa, é uma questão de perguntar a quem está a atender...
      Apesar de, agora, ser muito raro comprarmos café, da próxima vez que for à casa chinesa, no Porto, vou ver se descubro.

      Eliminar

Obrigada pela sua visita e pelo seu comentário!
Nem sempre respondo aos comentários, visto este já não ser um blogue activo.
Se precisar de me contactar faça-o através do email awondrousday@gmail.com.
Obrigada e um boas mudanças verdinhas!