31 de março de 2010

151 - Plantar ervas aromáticas na minha varanda



Quando para cá viemos morar - por acharmos que não eram compatíveis com as gatas - retirámos as poucas plantas que existiam, de dentro de casa para a varanda - coitadas! - mas... habituaram-se e agora é vê-las! Depois, em Janeiro, voltamos a colocar plantas dentro de casa (não as que estavam na varanda, porque estavam muito bem), e, bem recentemente, comecei a ter o cuidado de escolher plantas com necessidade de "pouca rega" e, de preferência, nativas.

Entretanto, na nossa pequena varanda, semeei árvores, plantei uma árvore (!)... e agora: ervas aromáticas (semeadas e plantadas)! Sim, ainda tenho (algum) espaço...

Comprei as minhas sementes na Gamm Vert (só porque passo por lá quase todos os dias...). Diante dos expositores (têm uma grande variedade) a minha dúvida era: "compro sementes biológicas francesas ou não biológicas portuguesas... local ou biológico? Local... Assim comprei carteirinhas de salva, orégãos e morangos (eu sei que não é uma erva aromática...), vindos de perto (Trancoso) e - não resisti - comprei uma de manjericão biológico francês. As primeiras custaram 1,15€, a segunda 1,71€. Três pontos a favor da carteirinha francesa: é mais pequena, não tem outra carteirinha dentro e tem mais sementes!


Quando semeei aquelas poucas sementes nos meus vasos cheios de terra biológica não certificada (trazida do quintal da minha mãe) tive um momento de conexão (que bonito...) com aquelas bolinhas aparentemente tão insignificantes (o cuidado que eu tive para não perder nenhuma...), e senti o que provavelmente sentem, há milénios, os que cultivam a terra. Querem saber o que é? Experimentem...

Aqui tem algumas indicações sobre semear, cuidar e colher algumas ervas aromáticas. E neste vídeo, o responsável pelo cantinho das aromáticas também dá algumas dicas.

Como podem ver na imagem, reutilizei (além de vasos abandonados pelas arrecadações da minha mãe) uma frigideira e uma forma de bolo francês em teflon. A caixa é para dissuadir as nossas gatas de meterem o focinho onde não devem. Para já está a resultar, só tive que soltar meia dúzia de "Aaaaah!!!"...


Do lado esquerdo aparece, já bem crescido, aipo (oferecido pela mãe do Zé Manel) e do lado direito, oferecido pela minha mãe (depois de eu ter comprado as sementes...), orégãos e manjericão. Também vou receber salsa e coentros. E também vou querer cebolinho, e rúcula, e ...

Eu gosto de usar as ervas frescas, mas podem ser secas (os orégãos ficam melhor assim), congeladas ou conservadas em azeite. Quem sabe um dia, quando tiver tantas ervas que não lhes dê "vazão", me dedica a conservá-las!

E, já agora, deixo aqui um pequeno resumo (tirei alguma informação daqui, daqui e de alguns apontamentos que tinha) do uso de algumas (são imensas!) ervas aromáticas na cozinha. Neste site também tem informação nutricional de algumas ervas e especiarias.

Aipo ou Salsão Todas as suas partes podem ser utilizadas na cozinha. As folhas são óptimas para dar um sabor especial a sopas e molhos, os talos podem ser servidos crus, em saladas, ou cozidos junto com outros legumes, acompanhando pratos à base de carne. Servido como entrada, o aipo é um excelente alimento porque contém substâncias que estimulam a formação dos sucos gástricos, aumentando o apetite. Digestivo, indicado para flatulência (gases), diurético.
Alecrim Possui um sabor forte, pelo que convém usá-lo com algum cuidado e finamente picado. Utiliza-se geralmente seco. É empregue com borrego, no tempero de coelho manso e marinada de caça. Os pés inteiros fazem uma boa base para grelhar carne ou criação. Experimente-o em infusão em pratos doces, como cremes, molhos doces, xaropes e gelado de baunilha. Digestivo, antioxidante, estimulante, activador da circulação sanguínea, antidepressivo e anti-séptico.
Azedas são invasoras em Portugal! Erva amarga com sabor a limão, popular em França, que é adicionada às sopas no final da cozedura. As folhas das azedas dissolvem-se rapidamente e perdem a sua cor verde-clara quando aquecidas; muitas vezes usam-se os espinafres com azedas, nas sopas, para dar mais cor. É comum adicionar algumas folhas cruas às saladas.
Basílico (manjericão) É uma das ervas mais versáteis que se pode cultivar em casa. As folhas verdes têm um aroma tentador e estonteante e um sabor pungente. Se cozinhar com ela adicione-a no final, para que conserve o sabor. O manjericão é muito usado nas cozinhas italiana e francesa, para dar sabor ao tomate, com o qual tem uma extraordinária afinidade, e é também misturado em saladas e em diversos molhos -sendo o mais popular o pesto italiano. Só para fazer o pesto é que as folhas de manjericão devem ser cortadas, porque perdem a cor; nos outros casos, rasgue-as com os dedos, em pequenos pedaços. Combina muito bem com tomate, berinjela, abóbora, frango e vitela. Digestivo, sedativo, tónico, baixa a febre; auxilia no tratamento de infecções bacterianas e parasitas intestinais.
Cebolinho Os caules, de cor verde-viva, desta erva possuem um gosto a cebola, sendo utilizados em saladas e sopas de tomate, recheio de batatas assadas e pratos de ovos. As folhas frescas são utilizadas para aromatizar molhos e queijos frescos. Cortado em pequenas rodelas o cebolinho realça as saladas, os ovos e as omeletes, o queijo branco e os molhos. O cebolinho também é óptimo para decoração de pratos. Antioxidante e digestivo.
Cerefólio É uma bonita planta de folhas plumosas, com o aroma delicado das sementes de anis. Utilize-as rapidamente, pois uma vez colhidas as folhas murcham logo. O cerefólio é muito usado na cozinha francesa, para dar gosto às omeletas e pratos de peixe, mas também pode ser usado em saladas, sopas e molhos.
Coentros As folhas, as raízes, os caules e as sementes desta erva, fortemente aromática, têm gostos levemente diferentes. As folhas servem para aromatizar sopas, guisados de favas ou ervilhas e saladas de alface. Os caules e as raízes podem ser cozinhados nos estufados e sopas, mas devem ser retirados antes de servir. Possui um perfume incomparável, refrescante e de sabor marcante. Combina muito bem com peixe, frutos do mar, frango e legumes. As suas sementes são usadas para temperar marinadas. Antioxidante, digestivo, moderador de apetite, auxilia no tratamento da ansiedade.
Eruca ou rúcula Chamada arugula em Itália, onde é muito popular, é uma erva para salada, utilizada com as folhas novas inteiras. Tem um sabor forte mas delicioso, semelhante ao do agrião, que é muito realçado por um bom molho de vinagrete. Muito boa com a massa cozida, com manteiga e alho esmagado.
Erva-cidreira ou Melissa Com sabor semelhante ao do limão, utilizam-se as folhas inteiras em ponches, bebidas de frutas, chás, em sopas e saladas.
Erva-Doce ou Anis Muito utilizada na doçaria regional, esta erva é indispensável nas castanhas cozidas. A base da haste é usada como legume. As folhas de erva doce combinam muito bem com peixes grelhados ou cozidos em papelote. Este tempero fica delicioso servido com grande variedade de carnes como frango, vitela e outras. O seu aroma doce, como o anis, tempera muito bem saladas, molhos e o creme fresco. Cultivado desde os tempos dos faraós, o anis é actualmente muito popular em bebidas mediterrânicas como o ouzo. Combate tontura, náuseas, infecções intestinais e estomacais.
Estragão Uma erva com bonitas folhas finas, com um sabor forte mas subtil. Se a cultivar, assegure-se de que se trata da variante francesa, pois a russa cresce prolificamente mas não tem o mesmo sabor. O estragão é famoso pela sua aplicação em frangos, manteigas, molhos, ovos e peixe, mas também pode ser usado na carne e peças de caça e em tempero de saladas. O estragão tem um gosto picante que ajuda a realçar alimentos sem muito sabor. Muito usado no preparo de vinagres de vinhos brancos. Estimulante de apetite; alivia reumatismo e artrite, regulariza a menstruação, diurético.
Folhas de feno-grego É uma erva verde e macia, semelhante ao trevo, e a sua semente é muito utilizada na cozinha indiana, porque o seu sabor amargo e aromático se mistura bem com as outras especiarias. As folhas sabem a noz com gosto de caril.
Funcho Os caules e folhas desta erva aromática têm um delicado sabor adocicado. As folhas plumosas do funcho são uma boa guarnição para legumes e pratos de peixe. Os caules secos são muito eficazes como base para colocar o peixe enquanto está a ser grelhado. Usa-se também em molhos e guisados.
Hortelã/Menta Entre as mais importantes ervas culinárias encontra-se a hortelã, que tem uma vasta gama de sabores, conforme a variedade. Como alternativa ao molho de hortelã, é excelente espetada num assado ou estufado de borrego; picada, fica bem em sopas de creme e em almôndegas. As folhas frescas aromatizam sopas e pratos de carne e peixe. A hortelã picada também pode ser espalhada sobre legumes cozidos. Tem um sabor interessante quando adicionada a molhos picantes de frutas e especiarias, a groselha negra, ameixas e outros frutos de Verão em calda, e fica óptima em saladas de fruta, gelados, em chás ou simplesmente misturado com queijo de cabra e pepino, como fazem na Grécia. Estimulante, digestiva. O pó da folha é usado para combater parasitas intestinais (ameba e giárdia) em crianças.
Levístico As sementes, folhas e caules desta erva têm um vago sabor a aipo, mas possuem também um sabor muito definido e pungente que Ihes é próprio. As folhas são decorativas e fazem uma bela guarnição em volta de um prato. Também ficam excelentes quando cortadas em pedaços e espalhadas em sopas e estufados, adicionadas na altura de servir e finamente picadas. O levístico é particularmente bom em pratos de tomate. É uma bela erva, fácil de cultivar.
Louro (é uma árvore...) As aromáticas folhas de louro são utilizadas frescas ou secas e têm um lugar essencial num ramo de cheiros. Ficam particularmente bem no peixe e também com caça e com legumes como o feijão. Se se extrair a nervura central das folhas e estas forem finamente picadas, produzem um magnífico efeito nos molhos de natas e ovos. O Louro combina com sopas, peixe em geral, carnes, frango e terrines. Ao cozer batatas, junte-as à água. Geralmente uma folha basta para aromatizar o prato. Nos cremes doces, faz-se uma infusão das folhas inteiras em leite quente, antes de levar ao lume. Antioxidante, digestivo; estimula o apetite; é auxiliar no tratamento da gripe.
Manjerona Da família do orégão, embora de sabor mais suave. O seu sabor é destruído pela cozedura prolongada, pelo que é preferível adicioná-la pouco antes de servir. É a erva dos recheios das empadas. Liga bem com a carne, frango, legumes e com queijo e ovos. Considerada indispensável na cozinha mediterrânea, a manjerona combina também com tomate, batata e arroz. Associa-se facilmente a outras ervas.
Orégão(s) Indispensável no preparo de pizzas, o orégão é o companheiro perfeito do tomate, do pimentão, da berinjela, da abóbora e das massas. Também combina muito bem com carnes como a vitela e o peito de frango. É a única erva que fica melhor seca do que fresca. Digestivo, antioxidante, antibacteriano, antibiótico, analgésico, sedativo; auxiliar no tratamento de gripes, resfriados e cólicas menstruais, auxilia a circulação do sangue.
Poejo Bastante utilizado na culinária alentejana, na sopa de poejo com queijo fresco e na célebre açorda. Utiliza-se fresco.
Salsa Embora tradicionalmente utilizada apenas para guarnição, a salsa fresca também dá um excelente sabor a sopas e molhos. Existem duas variedades, com folhas lisas ou frisadas, sendo a de folhas lisas mais decorativa, de sabor mais forte e que suporta melhor o cozimento. Muita salsa picada, um pouco de alho esmagado e azeite extravirgem aromatizado constituem um excelente toque de acabamento para pratos de carne e peixe grelhados. A salsa pode ser frita e servida com o peixe, ou reduzida a puré, com um pouco de manteiga, para obter um molho rápido para servir com frango ou vitela. Acrescenta cor e sabor às omeletes, saladas, molhos, purés de batatas, patês e sopas. Favorece o equilíbrio hormonal; é fonte rica em betacaroteno (pré vitamina A) e Vitaminas do Complexo B; alivia os sintomas da bronquite, asma, cólicas menstruais e cistite; é auxiliar no tratamento de cálculos renais e cólicas.
Salva As folhas verdes ou secas constituem um óptimo condimento, combinada com tomate, alho e azeite, para pratos de carne, estufados ou guisados. A Salva serve para perfumar as carnes, principalmente a carne de porco, coelho e vitela. Seu sabor, ligeiramente amargo, combina com legumes secos, queijos e linguiças. Vai muito bem com carnes grelhadas e molhos, assim como em pratos quentes com queijo. A salva tem um sabor potente, pelo que deve ser usada com parcimónia. É excelente para recheios. Digestiva, antioxidante; auxiliar no tratamento de problemas de fígado, suor excessivo, ansiedade, depressão e sintomas da menopausa.
Segurelha As variedades de Inverno e de Verão desta erva sabem vagamente a tomilho, mas são mais amargas. A segurelha de Inverno é ligeiramente mais suave. Utiliza-se (com discrição) em sopas de feijão verde, feijão com massa, em guisados e carne estufada.
Tomilho O seu sabor é picante e amargo. É adequado para pratos de longa cozedura e estufados. Ao contrário da maior parte das ervas, com excepção dos orégãos, o tomilho é tão bom seco como fresco. Cai bem com borrego, mas também com porco, frango, peixe e ovos. Combina muito bem com sopas, molhos de tomate, legumes em geral, carnes vermelhas e terrine. Deve ser utilizado com parcimónia porque o seu sabor se sobrepõe facilmente a todos os outros. Digestivo, desinfetante, anti-séptico; é expectorante, limpa as vias respiratórias e o intestino.

30 de março de 2010

150 - Pedir para não trazerem uma palhinha com a minha bebida


Esta é mais um daqueles gestos simples e pequeno, mas - e não sendo nada original - como diz o ditado: "grão a grão..."

Estava eu, à beira-mar sentada (numa gelataria), com as minhas amigas. Como agora tenho sempre a funcionar o radar "365", no momento em que começaram a chegar os sumos que tinham sido pedidos, o "alarme" soou: "para que é que eu preciso de palhinha?"


Claro que a menina que estava a trazer as bebidas me olhou com aquele ar "cada maluco tem a sua mania...", quando lhe disse para não trazer palhinha com o meu sumo, mas já me estou a habituar.

Depois comecei a entusiasmar-me com a iniciativa "menos uma palhinha".

Uma palhinha ou sorvedor (como vi escrito algures) é feita, claro, de plástico, e, hoje em dia (por questões de higiene e segurança alimentar...) vem numa embalagem individual também de plástico (poucas vezes de papel). Provavelmente vêm todas juntas numa outra embalagem (de plástico ou cartão).

Há palhinhas nos cafés, confeitarias, esplanadas e afins, nos restaurantes de comida rápida, nos cinemas, nos supermercados... Enfim! Elas estão em todo o lado (tenho que aproveitar a fama com que fiquei na gelataria...)!!!

Estão a ver onde quero chegar?

E, realmente, precisamos da palhinha? Não aprendemos, bem pequeninos, a beber por um copo?... Até me disseram que sorver - regularmente... - por uma palhinha faz rugas nos lábios!

E não, mais uma vez, não sou original... Há um projecto para estudar a poluição marinha por plásticos, cuja campanha de sensibilização tem como slogan "o último canudo" (palhinha em "brasileiro"). Durante esta campanha vão, entre outras coisas, construir um barco com um quarto de milhão de palhinhas (usadas, presumo)!!!

É como dia a autora deste blog: "O que o canudo da água de côco tem a ver com uma tartaruga?" Muito.

se for para reutilizar palhinhas, é uma boa ideia...

Assim, mesmo sabendo que às vezes podem ser usadas para boas causas, mesmo tendo aprendido que já vêm do tempo dos sumérios (não deviam ser de plástico...), nunca mais vou olhar para uma palhinha como um objecto inofensivo...

E que tal começar a pedir sem palhinha?


29 de março de 2010

149 - Não comprar filmes


Tal como disse quando decidimos ligar a televisão só depois das 22h (o que ainda nem sempre acontece), gostamos muito de ver filmes. Claro que no cinema tem outra magia, mas não pode ser sempre... E, na verdade, às vezes gostamos de repetir: se gostar muito de um filme posso vê-lo mais do que uma, duas vezes. E o Zé Manel é verdadeiramente viciado: quando era estudante, trabalhou em part-time num clube de vídeo, para poder ver todos os filmes que quisesse! E gravava imensos, em VHS, da televisão (cortava os intervalos e tudo)...

Por isto é fácil de perceber que nos é difícil resistir quando vemos filmes (agora em DVD) que nos agradam. Ainda por cima quase todos os jornais, revistas e afins, têm, de quando em quando, ofertas aliciantes...

(não, não temos assim tantos...)

Mas chega de consumismo!

E depois do que descobri sobre os CD, quando deixei de os usar para gravar música para as minhas aulas, não me sentia bem em continuar a comprar DVD, ainda que com a intenção de os conservar por muitos anos (mesmo parecendo que não têm uma vida muito prolongada)!

Opções?

Voltar a usar o meu cartão da blockbuster, apesar de parecer que esta empresa está a fechar lojas pelo país fora.

Escarafunchar as prateleiras dos amigos e trazer filmes emprestados (e, claro, emprestar os meus).

Ver a oferta da biblioteca Almeida Garret. Afinal, com o meu cartão de leitora, também posso, além dos livros, trazer DVD e CD!

Quem tiver tv cabo (não é o nosso caso) também pode alugar filmes através desta. E, apesar de ainda não ter chegado a Portugal, o You tube também vai alugar filmes. Até os clubes de vídeo mais ou menos "tradicionais" se modernizaram e alugam filmes pela internet. E, claro há os clubes que já só existem no mundo virtual. Mas, aqui põe-se a questão: e os custos ambientais de enviar os filmes para nossa casa?...

Acho que me vou ficar pelas soluções "caseiras"...

E também ainda não encontrei nenhuma destas máquinas de alugar filmes.

28 de março de 2010

148 - Abdicar do automóvel ao fim-de-semana


Tal como disse quando escrevi sobre como tornar-me uma eco-condutora, neste momento da minha vida não posso abdicar do carro durante a semana. Dou aulas em vários sítios mais ou menos distantes uns dos outros e a rede de transportes que os serve não é suficientemente eficiente para quem precisa de fazer ligações entre vários locais num determinado espaço de tempo. E não, não posso trocar as minhas turmas com outras de outros professores, de maneira a que cada um de nós fique mais perto de casa, como alguém me sugeriu!!!!!!... Mas posso ter cuidado - e tenho - ao fazer os horários, em colocar no mesmo dia sítios que fiquem "no caminho" uns dos outros e, em deixar intervalos, entre as aulas, que me permitam fazer uma eco-condução.

E, muito importante, adoro o que faço e penso que o que de bom traz compensa - pelo menos um bocadinho - as emissões de dióxido de carbono. Por exemplo, como as pessoas saem das aulas mais relaxadas, vão conduzir mais devagar!!!...

Mas claro, tento diminuir o impacto que conduzir um carro produz. E foi com esta ideia em mente que comecei a pensar que seria viável não usar o carro ao fim-de-semana.

Apesar de dar uma aula ao sábado, é relativamente perto e tenho todo o tempo para lá chegar (o mesmo acontece com o Zé Manel e com o seu treino de karate). Ainda por cima, no metro do Porto, podemos transportar bicicletas, desde que não se ultrapasse os quatro velocípedes por veículo, o que devo dizer (das vezes que ando de metro, com ou sem bicicleta), não costuma estar sequer perto de acontecer... Ah! E não esquecer, temos que entrar pela porta traseira. Assim, como estava a dizer, com a bicicleta posso compensar as lacunas na coordenação entre o metro e os autocarros.

Primeiro "problema" resolvido.


Ao Domingo vamos, muitas vezes, a casa da minha mãe, que se "retirou" para uma aldeia entre Penafiel e Amarante, a uns cinquenta e tal quilómetros do Porto. E como? De carro (apesar de já termos ido algumas vezes, voluntariamente, de comboio, estas contam-se pelos dedos de uma mão). Este segundo "problema" é fácil (se já o fizémos...) de resolver. Agora temos é que mudar hábitos entranhados: acordar mais cedo para ir para lá e vir embora mais cedo, porque ao Domingo há menos comboios. Mas nada que a nossa força de vontade (e o bom tempo que se avizinha) não ajudem!

Se ficarmos pelo Porto, temos o parque da cidade a quinze minutos a pé, se quisermos passar uma tarde ao ar livre. E o mar um pouco mais abaixo. E bicicletas e algumas ciclovias. E comboios para nos transportarem a cidades que merecem ser visitadas e de que nos esquecemos tantas vezes (vamos, num próximo Domingo, a Guimarães).

E pronto, tudo o resto é mais fácil...

Será?

Já vejo alguns entraves: quase todos os nosso amigos moram fora do Porto, o que faz com que ir a casa deles sem carro, ao fim-de-semana, à noite, se torne uma aventura (a partir da uma da manhã não há transporte públicos). Ou vimos embora antes ou temos que apanhar um táxi, mas um táxi é um carro e, para isso, usamos o nosso...

Outra situação: quando fazemos caminhadas pela SPID. Vamos daqui para - regra geral - o Gerês (que até é dos sítios mais perto). É impossível (eu sei porque já fiz a viagem muitas vezes, nos escuteiros) ir, primeiro de comboio até Braga e em seguida, de camioneta até ao Gerês, subir à serra, fazer uma boa caminhada e voltar, pelos mesmo meios, num só dia... A atenuante é que marcamos um ponto de encontro e partilhamos os veículos, levando apenas os carros necessários para o número de pessoas que participa na actividade.

Serão excepções à regra?!... Outras situações pontuais surgirão?

Logo verei (e vos direi). Para já, esta fim-de-semana foi muito pacífico. Como ficámos pela cidade, passeámos, andámos a pé e quase (quase...) não usámos tecnologias (vimos um filme em casa), outra medida que também tem sido difícil de cumprir à risca...

Mas, passinho a passinho, chegamos lá!

27 de março de 2010

147 - Não deixar telemóveis a carregar durante a noite


Esta é uma daquelas coisas que, quando reparei que a fazia, fiquei cheia de vergonha...

Além do que já fazia antes (não deixar "luzinhas" de stand-by ligadas, por exemplo), tenho - ao longo dos meses que já decorreram desde que iniciei este desafio - tomado uma série de opções para reduzir ainda mais os nossos gastos energéticos, desde tomar duche às escuras, com água quase fria, até subir e descer escadas (em vez de usar o elevador) também às escuras (a não ser que a luz se acenda por sensores...), passando por desligar a arca frigorífica, só usar o forno em ocasiões especiais, lavar a louça com água fria e mais umas quantas...

E depois chego à noite, o telemóvel queixa-se, ponho-o a carregar e vou dormir... Arghhhhhhh! Mais valia continuar a tomar banho com água quente!!!...

A bateria do meu telemóvel demora umas duas horas a carregar e eu deixava-a, muitas vezes, umas sete ou oito horas ligada à corrente. Cinco ou seis horas de puro desperdício energético. Além de que diminui o tempo de vida da bateria, o que também não é nada ecológico. Estou neste momento a bater (mentalmente...) com a cabeça na parede!

A juntar a tudo isto, as baterias dos nossos telemóveis são de iões de lítio (Li-ion) e - aprendi eu - não têm efeito memória, o que lhes permite serem recarregadas sem estarem completamente descarregadas (pelos vistos, até é preferível).

Por tudo isto, a partir de hoje, telemóveis a carregar mais tempo do que necessário (seja dia ou noite), nunca mais!

Apesar de o meu irmão Hugo (quando esteve uns meses mais ou menos longe da civilização) ter usado um carregador de telemóveis solar e não ter ficado nada satisfeito, fico à espera (para quando o meu telemóvel já tiver dado tudo, tudo, mas mesmo tudo...) de um telemóvel solar, em plástico reciclado (para me redimir)...


E esta ideia para uma bateria que se carrega girando-a no dedo?...


26 de março de 2010

146 - Comprar/semear plantas que necessitem de pouca rega e, de preferência, nativas


Ao procurar mais uma planta para a nossa sala, lembrei-me que seria melhor, claro, escolher uma espécie que não necessite de muita rega.

O livro "O jardim em casa", a que fiz referência no post ter plantas dentro de casa, tem um guia óptimo de plantas de interior, com descrição e indicação dos cuidados que necessitam: temperatura, luz, humidade, rega e manutenção (se dão muito trabalho ou não...). Em relação à rega, as plantas podem ser de rega escassa, moderada ou abundante. Resolvi restringir-me às de regra escassa (para minha surpresa quase todos os cactos tem a referência de regra moderada):

- arália-elegantíssima, dizyghotheca elegantissima;
- beaucarnea, beaucarnea recurvata (é uma palmeira?! Não, é um arbusto mexicano...);
- pena-rosada, tillandsia cyanea;
- criptanto, cryptanthus bivittatus;
- sardinheira, pelargonium domesticum híbrido (?);
- peperomia, peperomia caperata;
- echevéria, echeveria derenbergii (um cacto!);
- echevéria agavoides, echeveria agavoides (cacto, da mesma família);
- corações desfeitos, ceropegia woodii.

Estas são as que aparecem neste livro, claro. São, quase todas elas, plantas que necessitam de um ambiente quente e ensolarado, como a nossa sala. O que não é de estranhar pois são todas originárias do hemisfério sul... Até as sardinheiras, assim como outras plantas, que associamos aos países mediterrâneos.

Eu queria mesmo era ter, dentro de casa, plantas que necessitem de pouca rega, sim, mas que sejam nativas/autóctones, pois isso significa que:

- resistem a determinadas condições climáticas e a um dado solo (o que por outro lado requer alguns cuidados na escolha da terra: também deve ser da região);
- desenvolveram defesas naturais a pragas, doenças e às características de uma região, por isso, são plantas muito resistentes, vigorosas e adaptadas ao meio onde se encontram;
- são de baixa manutenção;
- não requerem rega intensiva;
- são de fácil desenvolvimento e implementação;
- são pouco exigentes em factores de produção (químicos, fertilizantes, água);
- desenvolvem-se com facilidade e rapidez.


Num jardim, esta tarefa está facilitada: é um espaço exterior... Um jardim com plantas autóctones necessita de pouca manutenção e não requer cuidados especiais, como é muito comum nos jardins onde predominam as espécies exóticas ou nos relvados que muitos portugueses insistem em ter... Esta abordagem do paisagismo tem o delicioso nome de xerescape ou xeriscape.

Mas como faço dentro de casa? Se virem a lista das plantas portuguesas, não parecem prontas para se darem dentro de casa, pois não?...

E sobre este assunto não encontrei informação. Encontrei listas (aqui, um óptimo herbário digital de Portugal) de plantas (liliáceas, crisântemos, margaridas, ...) que nos habituámos a ver em jarras (as suas flores) dentro de casa, mas desenvolvem-se e vivem numa divisão?? Aceita-se ajuda...

Por agora, e à falta de mais informação, vou procurar as sardinheiras (pelargonium domesticum) que se dão dentro de casa. Apesar de não serem autóctones, já andam por cá há muito tempo...

E vou ter cuidado em não contribuir para a disseminação das plantas invasoras. Sabiam que as azedas estão neste grupo?

E vou começar a encher a nossa (pequena) varanda com plantas autóctones. Algumas já são raras no estado selvagem ( sete vezes mais plantas ameaçadas do que animais). O cantinho das aromáticas (a maior quinta urbana na Europa), em Gaia, vende-as.

E vou... (terei espaço para "entrar" na varanda?!...)

25 de março de 2010

145 - Arranjar um despertador que não necessite de pilhas


Um despertador que não necessite de pilhas (sejam recarregáveis ou não...), é do que eu ando à procura...

Despertador solar/satélite (escolhi este para primeiro exemplo por ser taaaaãooo bonito!!! Acorda-nos batendo com as "asas" na nossa cabeça?...):

Despertador solar (este é todo futurista):

Mais um solar (mais "normalzinho"):



Outro despertador solar (há ainda muitos mais, para todos os gostos):



Despertador a água:



Outro a água (e umas gotas de limão):


E mais um a água:

Despertador eólico (sim, eólico!):



Despertador "a batata" (achavam que já tinham visto tudo?):


... ou "a maçã" (ah, muito mais saboroso!!!):


Despertador em projecto:



E o clássico, simples e eficiente (a mim não me incomoda o tic-tac...): a corda!



... o que eu tenho agora (oferecido)! Não é preciso gastar água, nem fruta, nem é preciso estar sol ou vento... É só fazer um "poucochinho" de esforço para dar corda!

E não se esqueçam que não é nada saudável ter o telemóvel na mesinha de cabeceira para servir de despertador...


24 de março de 2010

144 - Usar um anti-pulgas natural nas minhas gatas


Como algo aparentemente tão simples pode dar tanto "pano para mangas"?

Eu só queria uma solução natural, não tóxica para tornar as minhas gatas nada atraentes para as pulgas...

Das nossas três gatas, só uma se aventura para fora da nossa varanda, explorando os jardins do nosso bairro. As outras ficam empoleiradas na barra da varanda, observando-a mas sem ganharem coragem para a seguir (o que daria direito a uma reflexão sobre animais nascidos em liberdade versus nascidos em "cativeiro"...). Isto faz com que haja a possibilidade de todas elas acolherem no seu pêlo bichinhos, mais ou menos, desagradáveis. Pelo menos para mim. Não tenho nada contra as pulgas e afins, mas não são bem vindas dentro de casa!

Até agora usávamos Frontline, Advantage ou similar, em pipetas de aplicação tópica. Íamos fazendo rodízio de marcas, para minimizar a possibilidade de as nossas gatinhas ficarem sobre-intoxicadas com algum ingrediente (e para as pulgas não se habituarem...). Mas um produto que diz que o temos que aplicar colocando luvas, que não podemos deixar o animal lambê-lo, entre outros cuidados, já não prenuncia nada de bom. Fui analisar os ingredientes do Frontline:

- Fipronil, numa ficha de dados aparece como componente perigoso. Logo a seguir vejo uma notícia sobre o uso de Friponil como pesticida e a possível redução da população de abelhas (daí servir para matar as pulgas...). Também é tóxico para aves de caça, peixes e invetebrados aquáticos;
- (S)-metopreno, é uma hormona juvenil não tóxica para os humanos (e para os gatos?), também usada para controlar, nos poços e cisternas, os mosquitos que transmitem a malária;
- Butilhidroxianisol e butilhidroxitolueno, antioxidantes (também usados na indústria alimentar). Se não me enganei o primeiro é o BHA e o segundo o BHT, ambos são controversos, este porque supostamente provoca hiperactividade nas crianças, aquele porque é potencialmente cancerígeno. Podem provocar reacção local na pele (ex: dermatites de contacto) ou irritação dos olhos e membranas mucosas (fiquei a saber que a pomada Halibut também contém butilhidroxianisol);
- Etanol, tanto pode ser derivado do petróleo como da fermentação de açúcares (e como saber?...)

Vêm o que quero dizer? Estou só à procura de um anti-pulgas natural!

As coleiras estão fora de questão, até porque os gatos podem, pelos vistos, ficar com o pescoço sem pêlo, com vermelhidão, feridas (imagino o que terão as coleiras!).

Há também os champôs (que além de - tal como os nossos - conterem derivados de petróleo, ainda trazem insecticida). Até encontrei aqui uma receita caseira de champô anti-pulgas mas, neste caso a questão não é ecológica mas de sobrevivência. Admiro quem dá banho aos seus gatos, mas em defesa da minha integridade física eu não o faço. As minhas gatas são muitos limpinhas!!!


Pela mesma razão a existência de um sabonete natural anti-pulgas não me resolve o problema...

O que sobra (sem contar com comprimidos e pós insecticidas)?

Mezinhas caseiras.

- (retirado do livro "50 coisas simples que você pode fazer para salvar a Terra") Colocar num liquidificador cascas de laranja ou toranja e passá-las até ficarem numa pasta, juntar água e aquecer até levantar fervura. Deixar arrefecer e aplicar, com as mão, no pêlo do animal. Atenção: usar apenas as cascas, pois o sumo dos frutos deixa o pêlo muito pegajoso... (humm!!! acho que, para já, passo esta)

- Ferver 2 colheres de sopa de alecrim num litro de água. Aplicar no pêlo do gato (de preferência dar primeiro um banho ao animal. Pois, pois...). Espalhar também pela casa folhas de erva-de-Santa-Maria ou poejo.

- (também aconselham a dar primeiro um banho ao gato. Parece que vou ter que ganhar coragem) Misturar meio litro de água morna com 10 colheres de sopa de vinagre de maçã. Aplicar no pêlo. Usar a mesma mistura para limpar os espaços.

- 225 g de terra diatomácea;
- 2 colheres de sopa de óleo essencial de eucalipto;
- 2 colheres de sopa de óleo essencial de citronela;
- 2 colheres de sopa de óleo essencial de lavanda;
Misturar os óleos à terra e cobrir com um pano. Quando o pó estiver seco, misturar novamente os óleos usando um batedor e guardar num recipiente hermético. Polvilhar o pó no animal, esfregando bem os pêlos, sempre que necessário.
(o único problema que encontrei nesta receita é a tal da terra diatomácea, que é um mineral que se formou naturalmente graças à acumulação de materiais orgânicos - ossos de choco, vegetais, etc. - de eras pré-históricas...)

- Colocar um pouco de levedura de cerveja e alho na comida dos gatos (e também se pode juntar vinagre de maçã, para fortalecer a imunidade). Não exagerar no alho, pois pode provocar anemia.

O que já fiz?

Estou, gradualmente, a juntar levedura aos biscoitos secos e pedacinhos de alho à húmida, para as minhas três meninas não estranharem os novos sabores. Também as "esfreguei levemente" com a água com vinagre de maçã, para se irem habituando a este novo ritual. Não acharam muita piada e lamberam-se (e acho que não gostaram do sabor), por isso se não ficou no pêlo, ao menos vai aumentar-lhes a imunidade...

Estou tentada, caso estas soluções não resultem, a experimentar o alecrim e a espalhar poejo pela casa.

Há ainda a hipótese da coleira anti-pulgas electrónica! Lembrei-me logo, ao encontrar este anúncio, de uns aparelhos electrónicos anti-mosquitos que usávamos nos acampamentos. Na verdade nunca percebi se resultavam ou não, porque a mim os mosquitos não me mordem, e recebi sempre opiniões contrárias dos restantes utentes.

E, em desespero de causa (leia-se: começar a ver pulgas no pêlo de alguma delas) tenho sempre o banho com o tal sabonete ou champô anti-pulgas natural...

23 de março de 2010

143 - Engraxar os sapatos com óleo de côco


Eu sei que os sapatos que são engraxados são, normalmente, de pele e/ou couro natural, de origem animal... Mas tendo em conta que já estão cá em casa, em bom estado, não me parece sustentável deitá-los fora e comprar outros mais "amigos dos animais"... Até porque como são os "de ver a Deus" devem durar bastante tempo... (mas hei-de voltar ao assunto do calçado ecológico).

Descobri que as embalagens de graxa para sapatos não tem informação detalhada sobre os ingredientes. Pelo menos as que andam cá por casa (algumas já com anos, espremidas, "herdadas" da antiga inquilina...). Seja em pomada, em bisnaga, em esponja... népias, nenhuma "ficha técnica". Numa embalagem, da marca espanhola Palc, está escrito que o creme é à base de óleo de jojoba e de anolina, o que é bom, mas não diz o resto dos ingredientes. Numa bisnaga da Splendor, que é feita à base de ceras naturais e tem um impermeabilizante. Muito esclarecedor. Numa lata de creme, também da Splendor, por baixo do quadradinho laranja com uma árvore seca e um peixe morto diz "perigoso para o ambiente"...

Não é muito animador.

Neste sítio encontrei receitas de pomadas e pastas para sapatos e todas elas têm, pelo menos, um ingrediente nada "verde": parafina, essência de mirbana (ou nitrobenzeno), gasolina, corantes, ...; mesmo que também tenham outros naturais, como a carnaúba.

"O Lar Ecológico", o meu livrinho cheio de dicas fantásticas (de que já falei noutros posts) tem vários conselhos para aumentar a vida dos sapatos (por exemplo, se tem sapatos de verniz, esfregar meia cebola ou um pano embebido em leite e depois puxar o lustro com um pano suave, faz com que recuperem o brilho original), incluindo usar óleo de ricínio (dizem que sabe pessimamente... mas que é óptimo para limpar os intestinos, e, pelos vistos, também é bom para atenuar rugas...) para nutrir o couro (e se os sapatos tiverem "rachadelas", aquecer primeiro os sapatos e depois passar o óleo).

Como não tenho óleo de ricínio, resolvi experimentar outra dica, engraxar com óleo de côco, que me foi trazido por uma amiga (supostamente para cozinhar, mas nem experimentei, pois deve ser o único fruto de que não gosto). Perfeito. Como o óleo - pelo menos à nossa temperatura ambiente - é sólido, é fácil de aplicar com um pano. Para quem gosta, o cheiro a côco é um extra agradável. Mas o óleo de côco vem do Brasil...


Como não temos comprado bananas, não experimentei ainda a técnica da casca da banana, mas a Helena Ferreira, que me enviou esta informação, experimentou e diz que funciona muito bem. Parece-me ainda mais ecológica (e, pelo menos quando acabar o óleo de côco que me ofereceram, vai ser a próxima aposta...)! Não sei é se corresponde às expectativas dos fanáticos do ritual de "engraxar"...

22 de março de 2010

142 - Quando regar as plantas, usar a água dos "pratos" (em excesso) para regar outras plantas


Tenho reparado que cada um de nós, os - felizmente cada vez mais - "maluquinhos" que se preocupam com o seu impacto no planeta, tem uma "causa do coração", como lhe chamo. Dentro da defesa do meio ambiente, há aquele "departamento" que faz vibrar mais forte uma corda cá dentro... Eu sei, eu sei: está tudo interligado! Mas vejam se não é assim convosco. Pode ser a defesa dos animais, como a minha amiga Zita, o uso dos transportes públicos, a poupança energética, ou, no meu caso, a ÁGUA: doce, salgada, tudo o que se relacionar com "prejudicar" as águas do nosso Planeta provocam-me arrepios nada agradáveis, desde alguém a deixar uma torneira aberta, ou a "regar" o carro, até imagens de poluição dos mares ou de matanças de golfinhos.

para quando vamos de férias, reutilizando garrafas de Pet


Assim já antes deste desafio tinhamos tomado o que considero as medidas básicas para diminuir o gasto deste bem mais que precioso:

- Ter atenção ao consumo de água (medida que vem sempre nas "listas de coisas a fazer para ajudar o ambiente" e que é tão genérica como "reciclar...")
- "Regar as plantas com a água do banho e de lavar a roupa". É mais com a água de lavar e cozinhar os legumes. A água do banho e de lavar algumas peças de roupa à mão vai para o autoclismo;
- Instalar um tijolo ou uma garrafa de água dentro do autoclismo (uma garrafa grande);
- Tomar duches rápidos;
- Só fazer programas longos (na máquina de lavar roupa) quando é relamente necessário;
- Lavar os dentes e fazer a barba (no caso do Zé Manel...) com a torneira fechada;
- E, apesar de a razão inicial não ter sido esta, a verdade é que ser vegetariano (só eu...) também reduz os gastos de água (para produzir 1kg de vegetais gasta-se, qualquer coisa como, 150 vezes menos água do que para produzir 1kg de carne).


solução para reutilizar as águas da chuva


Entretanto, desde Novembro, temos implementado novas medidas não só para reduzirmos ainda mais o gasto de água cá por casa e mas também para a poluirmos menos (e outras estão na lista de espera, como, por exemplo, substituir o chuveiro):

- utilizar detergentes sem fosfatos e outros químicos poluentes e encontrar soluções mais naturais para as limpezas (para o chão, para lavar a louça, para lavar e amaciar a roupa e também para as nódoas e para branquear);
- optimizar a lavagem à mão da louça, enquanto não temos uma cozinha com máquina, colocando também um economizador na torneira e até usando menos utensílios, copos, ...;
- lavar os dentes apenas com um copo de água (ou menos!);
- e até cortar o cabelo (acreditem, poupo muita água)!


dispositivo para extrair água do ar ambiente

Chega a um ponto (este...) em que se torna um vício, tentar encontrar novas maneiras de "prejudicar" menos a água.

funil para recolher as águas da chuva

Foi por isso que, num dia destes, ao regar as plantas da varanda, me lembrei de reutilizar a água recolhida nos pratos por debaixo dos vasos para regar outros vasos! Simples, melhor para as plantas porque segundo me disseram não se deve deixar ficar a tal água nos pratos (pode contribuir para apodrecer as raízes).

Também aprendi que se deve regar sempre cedinho pela manhã e não à noite (normalmente nas dicas ecológicas refere "regar de manhã cedo ou à noite") porque - à noite - aumenta o risco de proliferação de fungos.


21 de março de 2010

141 - Plantar Portugal


Ontem de manhã fui aprender a fazer compostagem. De tarde íamos participar na iniciativa Limpar Portugal; estavamos inscritos no grupo de Matosinhos, quase desde o início. Mas... à precisa hora (15h00) a que estava marcado o reinício da limpeza, a chuva começou a cair. Não uma "murrinha", não uma chuva aceitável quando a vontade é muita. Não, a chover MESMO, como se estivesse a acontecer tal pela última vez! De tal maneira que os responsáveis pelo nosso grupo tiveram que cancelar a continuação dos trabalhos. Tive pena, muita pena, por não ter tido parte activa nesta limpeza nacional. Principalmente pelo simbolismo da mesma, até porque lixo da rua, apanho eu quase todos os dias...

Bom, já que não pudemos "Limpar Portugal", hoje acordámos cedo para irmos "Plantar Portugal".

Participámos nas actividades organizadas pela Lipor, no seu novo Parque Aventura (construído sobre um aterro selado...). A ideia era ajudar a plantar árvores no Parque, para o tornar (a médio/longo prazo...) mais verdejante.

Como chegámos cedo (à hora marcada para começar...) ainda tivemos tempo para passear, andar de bicicleta, conhecer o Ernesto (o burro da Horta da Formiga) e fazer uma folha de papel reciclado. Actividades que fizeram as delícias da Inês (a filha da nossa amiga Isabel, ambas recrutadas para esta iniciativa).


Plantámos, cada um de nós, 3 árvores. Como podíamos escolher (havia umas nove espécies) eu plantei um carvalho, um pinheiro manso e um azevinho (tudo árvores autóctones). Os animadores foram muito simpáticos e deixaram-me trazer uma nogueira para a minha mãe (a dela secou) e um plátano (por causa do livro "Beatriz e o Plátano"...) que plantei num vaso grande na minha varanda, à espera de um lugar (especial) para o transplantar!

20 de março de 2010

140 - Aprender a fazer compostagem caseira


Hoje de manhã fui aprender, na Horta da Formiga - centro de compostagem caseira, a fazer compostagem (gostei desta definição: "a compostagem é um processo biológico através do qual microrganismos e insectos decompõem a matéria orgânica numa substância homogénea, de cor castanha, com aspecto de terra e com cheiro a floresta - o composto).

Apesar da Lipor abranger apenas 8 municípios (Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo e Vila do Conde), qualquer pessoa, de qualquer zona de Portugal pode vir, gratuitamente, aprender algumas técnicas e dicas que nos ajudam a implementar este processo em casa. Nem de propósito, no nosso curso, estava um senhor emigrado nos EUA, que tirou férias para vir aprender a fazer compostagem (e mais uns cursos organizados pela Horta da Formiga)! Fiquei com pena de não lhe ter perguntado se do outro lado do ocenao não fazem compostagem...

A minha maior lição foi logo ao início, quando a formadora nos disse que cada habitante dos 8 municípios da Lipor produz, por dia, 1,4 kg de lixo. E que 40% desse lixo é orgânico. E que o saco de lixo que deitamos no contentor dos indiferenciados vai directamente para incineração ou (quando a fábrica está fechada para "limpeza", de modo a que a poluição gerada seja o mais baixa possível) para o aterro. Como, depois disto, não me sentir culpada se não fizer compostagem?!

Apesar de termos tido uma pequena parte prática, onde vimos vários tipos de compostores e um passo-a-passo de uma visita diária ao "nosso" compostor... a formação é essencialmente teórica, até porque não tem assim tanto que saber, e as questões e dúvidas vêm com a prática.

O compostor
As pessoas que pertencem aos 8 municípios podem trazer, gratuitamente, um compostor (como o da imagem), inseridos num projecto chamado Terra à Terra, desenhado especialmente para os centros urbanos, onde as pessoas têm pouco espaço exterior. O senão é ser em plástico...


O melhor, segundo a Cristina (a formadora) são quatro palletes ao alto. Também pode ser construído com tábuas de madeira, rede ou ser apenas uma pilha no chão.


Informação muito importante, todos (excepto um modelo caríssimo e enorme) têm que estar pousados na terra, para haver escoamento de água e circulação de bichinhos essencias para a compostagem. Má notícia para mim, e mais umas quantas pessoas, que vivem em apartamentos...

Como fazer
Depois de instalar ou montar o compostor num cantinho (de preferência que seja sombreado no Verão) do jardim ou quintal, devemos fazer uma cama de ramos no fundo, para ventilar e escoar melhor a água. Depois vamos fazendo camadas alternadas (tipo "sandes mista", nas palavras da Cristina) de verdes (ricos em azoto) e castanhos (ricos em carbono).
Verdes - restos de cozinha (legumes, fruta, cascas, sacos de chá (!), borra de café, casca de ovo), relva fresca, flores, estrume;
Castanhos - palha (o melhor "castanho" e que se pode comprar por 3€ o fardo, nas cooperativas agrícolas), folhas secas, ramos finos, cartão e papel - sem químicos - em tiras, algas (lavadas e secas), serradura e aparas de madeira sem tratamentos.

De quinze em quinze dias deve-se revirar a pilha e, no Verão, regar para manter um bom nível de humidade (ao agarrarmos uma mão cheia de composto, este deve soltar-se mas deixar a mão "suja").
Posso assegurar que não cheira mal (se cheirar é porque não está a ser bem feito).

Quando o compostor ficar cheio continua-se a revirar e a regar, se necessário, e quando o composto estiver homogéneo, retira-se do compostor e coloca-se numa pilha no chão a maturar (vimos um compostor tripartido: 1 compartimento para composto a ser processado, outro para o que está a maturar, e outro pronto): como já não têm nada para comer os bicinhos vão todos à procura de nova casa e a temperatura (que dentro do compostor pode chegar acima dos 65ºC) estabiliza-se.
Passado algumas semanas está pronto para nutrir o jardim ou quintal (se não estiver homogéneo, porque colocámos detritos de difícil compostagem, deve-se crivar o composto)!

O que não colocar no compostor
Não problemáticos (mas depois têm que ser retirados...) - vidro, plásticos, têxteis, papel plastificado, ...;
Perigosos - dejectos de animais domésticos, pilhas, tintas, químicos, madeira tratada, medicamentos, ...;
Problemáticos - folhas resistentes (degradação lenta e/ou acidez), alimentos cozinhados, de origem animal e gordura (atraem ratos, moscas, cães, gatos).

Trouxe o meu compostor e vamos colocá-lo no jardim da casa dos pais do Zé Manel (que fica perto do nosso espaço, e onde passamos todos os dias) e para já vou passar a levar, no baldinho (plástico...) que nos deram na formação - especificamente para este fim - os "nossos" desperdícios orgânicos. Cheira-me que, muitas vezes, o balde (como o da imagem) não vai ser suficiente para os restos de um dia...


Obviamente que esta solução não é muito prática e como não temos intenção de comprar este compostor de interior (na horta da formiga têm um idêntico a ser testado, mas maior, próprio para ser colocado nas casas de lixo de edifícios de habitação colectiva), o passo seguinte é experimentar a vermicompostagem (que pode ser feita numa varanda). Apesar da Cristina não ser muito adepta (diz que a escuridão e a humidade fomentam a criação de fungos que depois passam para as plantas onde usamos o vermicomposto), não perco nada em experimentar.

Por isso, em breve, terão notícias dos nossos novos animais de estimação: as minhocas!

19 de março de 2010

139 - Ensinar as crianças a respeitar e a amar a Natureza e o meio ambiente


Esta é uma daquelas sugestões que aparece (quase) sempre nas listas de coisas "que pode fazer para ajudar o ambiente"...

Apesar de não termos crianças cá por casa, tenho contacto com bastantes "pessoas pequeninas", de várias idades e feitios: a segunda geração de primos e primas, filhos de amigos e amigas e alunos (mais alunas...) nas aulas de yoga pr'a crianças. Os primeiros estão um pouco longe (e só estou com eles nalguns domingos); os segundos ainda são, quase todos, bébés. "Sobram-me" as minhas pequeninas, com quem estou todas as semanas, nas aulas.

Então como posso juntar, de forma equilibrada, o respeito e o amor pelo ambiente e a prática de yoga com as minhas crianças? Em termos de fundamentos, é fácil: o respeito por todos os seres vivos é inerente ao yoga (a não-violência), e este ajuda a desenvolver a sensibilidade para o que está à nossa volta. A própria aula desenrola-se à volta de uma história, sempre com elementos da natureza (animais, árvores, ...): um passeio à floresta, uma caminhada à beira mar, uma viagem ao deserto, ... Às vezes - quando está bom tempo - fazemos algumas aulas ao ar livre (num jardim ou na praia)!

Mas eu queria mais: adicionar elementos que alertassem as crianças para os problemas ambientais e trabalhar também no que podemos fazer para não contribuir para os mesmos.

Não é por falta de material que não se fazem coisas com miúdos: há revistas, imensos livros e sítios na internet, onde se podem ir buscar ideias muito giras e bem ecológicas. Bem, na verdade - na internet - é um mundo!!! E eu quase me perdi nele (desde que iniciei este desafio que quase não tenho tempo para as minhas "artesanices" e deu-me uma saudade!!! Já passou...).

Apenas alguns sítios, directamente vocacionados para a temática ambiental:

- recicloteca (oficina criativa de reutilização e valorização de materiais);
- casinha na árvore (experiências, brincadeiras, histórias e receitas, tudo "verde") e o blog da casinha;
- toys from trash (imensos brinquedos, jogos, experiências);
- guia do professor para educar pelo Ambiente (várias actividades, para o 1º ciclo);
- projecto apoema - associação para a educação ambiental (muita informação, actividades, jogos, dicas, ...)

Andei também, cá por casa, a procurar livros que usei quando andava nos escuteiros, para preparar actividades para o departamento de ambiente do meu agrupamento (ainda estão muitas coisas em caixas...). Encontrei um, da Organização Mundial do Movimento Escutista em cooperação com a WWF, "Ajuda a salvar o Mundo", que tem muitas actividades, óptimas para se fazerem numa casa com jardim. Num acampamento fiz este frigorífico solar e resultou:



Tenho outro, "101 experiências com a Natureza", da Texto Editora, que permite, principalmente a quem vive na cidade, aprender, através de experiências simples, factos básicos da vida natural. Já tirei uma ideia para fazer com a Inês, a minha sobrinha "adoptiva", quando ela estiver em minha casa:


E há muitos mais, claro. Nas prateleiras das livrarias já se encontram bastantes livros infantis/juvenis sobre ambiente e ecologia.

Assim, inspirada por duas amigas - educadoras - que têm, no seu infantário, um clube ambiental - o "Clube Pegada Verde" - que reúne todas as semanas (fazem visitas ao ecoponto..., plantam árvores, têm uma horta, fazem compostagem, divulgação, recebem insígnias "verdes", ...) resolvi criar um espaço, nas aulas, dedicado ao ambiente.

Comecei por pedir às minhas meninas (que estão no 2º ano) para, entre elas, elaborarem uma lista do que já fazem (algumas ou todas elas) para "ajudarem o ambiente". A primeira lista oficial (que será revista de 2 em 2 meses):

- reciclo papel, plástico e cartão;
- não gasto muita energia;
- não deito lixo para o chão;
- não estrago comida;
- não deito "gases" venenosos para a água;
- não como fruta com pesticidas, só tratada com estrume (adoro esta!!!);
- não arranco plantas, nem corto árvores;
- não mato animais;
- reutilizo o papel e o cartão (já fazíamos isto também nas aulas: sempre que desenhamos ou escrevemos, usados folhas já escritas num das faces);
- reutilizo os frascos e as garrafas de vidro;
- ponho as pilhas no pinhão;
- uso detergente ecológico para a louça;
- uso um copo para lavar os dentes.

Nada mal!?


Próxima medida: juntar rolhas de cortiça usadas para as reutilizarmos (vamos fazer animais e bonecos, para depois pendurarem na mochila da escola, a "enfeitar") e descobrirmos onde as podemos entregar para que possam ser recicladas (para quem, nas palavras de uma das meninas, for "preguiçoso" e depois não quiser, em casa, fazer nada com elas).


Dar-vos-ei notícias das nossas rolhas...

18 de março de 2010

138 - Usar lápis ao invés de esferográfica, quando tiro apontamentos


Tive uma fase, algures entre a infância e a adolescência, em que coleccionava esferográficas e lápis de todas as cores e feitios: com cheirinho, com bonecos, lapiseiras com mini-lápis de cores, ... Até tive uma caneta que tinha, no seu interior, um rolinho de papel que se ia puxando para escrever notas (apetrecho que não podia usar nos dias de teste...). Também tive uma fase em que coleccionava bloquinhos... mas essa é outra história.

Tendo em conta que "desde 1950 foram vendidas mais de 100 bilhiões de canetas no mundo (o que corresponde a 60 delas por segundo sem parar até hoje)", pode parecer insignificante a minha colecção de canetas, mas a verdade é que contribuí com a minha quota parte de plástico, metal e tinta tóxica (a tinta utilizada nos tais 100 bilhiões daria para encher cem piscinas olímpicas!)... Em meu abono, devo dizer que algumas delas ainda andam por cá, a uso, o que, pelo menos, significa que foram bem "exploradas" antes de serem enviadas para o ecoponto.

O que posso fazer para me redimir?

Deixar de usar esferográficas, pelo menos a médio prazo. Para já, como ainda andam por cá bastantes, não tenho que me preocupar com o que fazer quando precisar mesmo de escrever a tinta (mas já tenho mais uma medida, para quando acabarem: usar uma caneta de tinta permanente).

Para os meus muitos apontamentos, notas e gatafunhos vou passar a usar o poético lápis. Tem madeira, é verdade. Que vem das árvores, eu sei... Mas não tem plástico, nem metal, nem tinta tóxica...


Há esferográficas (ditas) ecológicas/biodegradáveis, mas normalmente esta atribuição fica-se pelo invólucro (de milho, de cartão, de papel de jornal, de plástico reciclado de caixas de cd's ou outras canetas, ...), e nem sequer em toda a sua percentagem: umas têm partes em metal, outras em plástico "normal", ... E, claro, todas elas continuam a usar tinta nada ecológica. Talvez em breve comecem a aparecer canetas com tinta de repolho-roxo ou beterraba, mas, para já, a única que encontrei quase, quase 100% biodegradável é a DBA pen: só a esfera do sistema roller-ball (em aço) faz com que seja "apenas" 98% biodegradável.

Como ter que a mandar vir dos Estados Unidos não me parece muito ecológico, vou mesmo continuar na minha ideia: lápis. O que, também tenho que confessar, há em quantidade cá por casa. Devido à minha formação académica, passei 6 anos a comprar lápis de todas as marcas, do 9H ao 9B... Até tenho um "aproveitador", como lhe chamo, de lápis pequeninos, dentro da lógica deste (mas para um lápis de cada vez...):



E também aos lápis chegou a moda do "eco": há lápis feitos de papel de jornal reciclado, de copos de plástico (das máquinas de café) usados, de calças de ganga velhas, de gravetos apanhados na rua, ... Até encontrei um lápis que traz uma semente (não consegui saber de quê) para se plantar quando o lápis chegar ao fim! Presumo que para compensar as árvores que se cortam para fazer os lápis (é bom que a semente seja de uma árvore...).

Mesmo empresas pioneiras têm agora cuidados ambientais, como a Faber Castell que retira a madeira que utiliza de florestas sustentáveis certificadas ou a Staedtler (cujo lema neste momento é "efficient for ecology"), que tem uma série de cuidados na produção, transporte e reciclagem dos seus lápis.

E claro, temos a nossa Viarco. Comprar nacional é, em príncipio, ecológico... Mas gostava de saber mais sobre as práticas ambientais da empresa.

eu tive um destes!

O lápis é mais poderoso que a caneta?!...

17 de março de 2010

137 - Substituir as lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas (?)


Quando experimentei usar menos lâmpadas no nosso candeeiro da sala, como forma de reduzir a utilização de iluminação artificial, já tinha começado a procurar mais informação sobre os vários tipos de lâmpadas (até já tínhamos substituído a lâmpada incandescente do candeeiro de uma das mesinhas de cabeceira por uma - oferecida por uma revista... - economizadora/fluorescente compacta).

Cá em casa temos:

lâmpadas de halogéneo (com um funcionamento semelhante ao das lâmpadas incandescentes, mas com a vantagem de "conseguirem recuperar o calor libertado pela lâmpada, reduzindo a necessidade de electricidade para manter a sua iluminação": produzem mais luz com a mesma potência e com o dobro da duração e emitem uma claridade constante), no candeeiro da sala;

fluorescentes tubulares, que já existem há muitos anos ("emitem aproximadamente a mesma luz que uma lâmpada incandescente convencional, gastando menos 80 por cento de energia"), na cozinha e casa-de-banho;

e incandescentes, as, agora, mais mal amadas (e que segundo o mesmo site "são indicadas para locais em que a iluminação é necessária por curtos períodos de tempo. Nessas situações consegue-se que tenham um período de vida mais longo, pois o desgaste do filamento pelo calor gerado na lâmpada é menor, não justificando o investimento numa lâmpada mais cara", ainda que sejam as de mais baixa eficiência energética).

São as incandescentes que devemos, segundo opinião generalizada, substituir pelas famosas fluorescentes compactas (que permitem poupar 80% de energia, reduzindo assim, em muito, as emissões de dióxido de carbono).

Fui comprar uma lâmpada fluorescente compacta (LFC) para o candeeiro da outra mesinha de cabeceira, mas ainda não estava convencida.

Não tanto que não seja mais económica em termos energéticos (pelo sim, pelo não - até porque encontrei muitas pessoas descontentes com o tempo de duração destas lâmpadas - guardei a embalagem, onde diz que "esta lâmpada tem um tempo de vida útil estimado em 6000 horas", e nela escrevi a data de início de utilização..., ), mas que seja, realmente, a melhor escolha a nível ambiental.

A minha primeira dúvida apareceu quando encontrei informação sobre o que fazer se uma lâmpada fluorescente se partir:

1 - ventilar a divisão onde estiver, abrindo todas as janelas;
2 - proteger as mãos com luvas de borracha e a boca com uma máscara;
3 - com muito cuidado colocar as peças maiores num contentor com tampa. Preferencialmente um de vidro com tampa de metal;
4 - apanhar as peças pequenas e o pó com dois pedaços de papel duro;
5 - deitar os vidros, o pó e o papel no contentor;
6 - usar qualquer tipo de fita adesiva para limpar a zona onde a lâmpada caiu;
7 - limpar de seguida com um pano húmido ou com papel de cozinha para apanhar todas as partículas;
8 - colocar tudo, fitas, panos e partículas no contentor, tapá-lo e etiquetá-lo;
9 - levar o contentor ao ecocentro mais próximo ou telefonar à câmara para o remover.

Assusta, não? (e a mistura de materiais diferentes que vão todos juntos para o ecocentro. Serão reciclados?)

Está bem, também é preciso ter cuidado com as outras lâmpadas, mas não tanto assim!
(Será exagerado?...)

O que têm dentro???

Mercúrio (todas as lâmpadas fluorescentes o contêm), cerca de 5mg (500mg contêm os termómetros antigos). No site da eco.EDP, que esclarece algumas dúvidas e "preconceitos" sobre as LFC, afirmam que apesar de conterem mercúrio, estas lâmpadas "contribuem para a redução de mercúrio no ambiente uma vez que, consumindo 80% menos energia que as lâmpadas incandescentes vulgares, requerem a produção de menos energia eléctrica – o que representa uma das maiores fontes de mercúrio no ar em consequência da queima de combustíveis fósseis".
Mas, pelos vistos, os trabalhadores chineses que as fazem (pelo menos uma grande parte delas), estão a ser envenenados, pois têm que manusear o mercúrio durante o processo de produção das lâmpadas...

Outra informação que me chamou a atenção: emitem raios ultravioleta.

A "radiação ultravioleta, a cintilação dos campos electromagnéticos e a luz azul" que emitem constituem risco de agravamento de doenças ligadas à fotossensibilidade, segundo a coordenadora da Eco-casa (na Visão de 5 de Novembro de 2009 - especial edição verde), facto este reiterado pela eco.EDP, que à pergunta "podem as lâmpadas economizadoras provocarem cancro?" diz que "este risco só se aplica a um grupo restrito de pessoas. (...) A agência de Protecção de Saúde do Reino Unido (HPA) realizou um estudo que revelou que uma LFC emite radiação ultra-violeta (UV) que pode ser prejudicial, apenas se ficarmos junto de uma LFC com uma distância de 2 centímetros ou menos, durante 2 horas, todos os dias"...


E foi por esta altura que, ao ler a revista Courrier internacional de Março de 2010 (emprestada pela minha amiga Isabel, que partilha as suas revistas comigo), dei com um artigo com o seguinte título:

"Verdes por fora, poluídas por dentro"

Primeiro parágrafo: «Algumas tecnologias "verdes", desde os automóveis eléctricos aos geradores eólicos, passando pelas lâmpadas de baixo consumo, utilizam uma família de metais pouco comuns: as "terras raras" (da Tabela Periódica dos Elementos). O mundo depende cada vez mais delas. O problema é que provêm quase exclusivamente da China e são extraídas por um das indústrias mineiras mais perniciosas para o ambiente, ainda por cima dominada por organizações criminosas.»

??????!!!!!!!!

Pois é, um desses elementos, o térbio, é usado nos fósforo das lâmpadas fluorescentes. Com o aumento da produção deste tipo de lâmpadas, aumentou a procura deste e as suas consequências são já visíveis: «onde outrora havia socalcos de arrozais ver-esmeralda, agora há encostas ressequidas, cobertas de cicratizes de argila estéril. Para extrair aqueles metais raros (...) os operários raspam o solo e deitam para fossas a argila salpicada de ouro que recolheram. Despejam lá para dentro solventes (frequentemente ácidos concentrados) para extrair as terras raras. Deste processo resultam compostos tóxicos que se infiltram no solo, contaminando cursos de água, destruindo arrozais e explorações piscícolas e poluíndo os lençóis subterrâneos.»
Nas jazidas abandonadas (esgotadas ao fim de três anos de exploração intensa), dez anos depois, ainda ninguém conseguiu voltar a plantar arroz...

A China produz 99% do térbio utilizado em todo o mundo!

Acho que vou ficar à espera de uma tecnologia LED mais acessível. Estas lâmpadas são ainda mais economizadoras que as compactas e não parecem ter componentes tão prejudiciais. São já apelidadas de "lâmpadas do futuro".

Entretanto, desculpem-me os defensores das LFC, mas acho que durmo mais descansada continuando a usar as velhas incandescentes (ou alterando os meus candeeiros para poderem suportar lâmpadas de halogéneo... Será possível?), até porque são os candeeiros que menos são utilizados.

A não ser que encontre fluorescentes compactas que não sejam fabricadas na China e que digam que o óxido de térbio usado na sua fabricação é de origem sustentável...